A criatividade está morta ou viva? Esta é a provocação do D&AD Awards 2026 para marcas, agências de publicidade e criativos de todo o mundo, que se reúnem na próxima semana (19 e 20 de maio), em Londres, para debater as perspectivas e o futuro desta indústria. Nesta edição, a empresária brasileira Gilvana Viana será presidente de júri na categoria ‘Sound Design & Use of Music’, que avalia a real criatividade da composição musical em projetos multimídia e campanhas publicitárias.
O festival é responsável há mais de 60 anos por premiar a excelência criativa mundial em design e publicidade e vai unir mais de 300 profissionais da indústria criativa, de cerca de 40 países, para avaliarem as 46 categorias da premiação. Em meio às criteriosas avaliações, Gilvana adianta que a criatividade permanece viva, sobretudo quando novas lideranças e a diversidade ocupam espaços históricos.
“Avaliar o trabalho de outras pessoas é uma posição de muita responsabilidade e nos traz o desafio de rever nossas referências, escutar outros pontos de vista e se permitir mudar de opinião o tempo todo. É necessário sair da zona de conforto e enxergar o valor criativo sob uma perspectiva verdadeiramente global, e não apenas através dos padrões tradicionais ocidentais cêntricos do que se considera uma “boa” criatividade”, explica.
Como júri da categoria ‘Sound Design & Use of Music, Gil acredita que é fundamental as marcas e produtoras colocarem o som como parte da construção criativa desde o início, pois o resultado pode ficar mais potente, sensível e mais conectado com o público. “Acredito que hoje as agências e produtoras já entenderam muito mais o papel crucial que a música ocupa dentro de uma produção. Quando o som entra só no final, o risco é você acabar com uma música que não conversa com a imagem ou que não consegue transmitir exatamente a emoção e a mensagem que aquela narrativa precisa”, analisa.
Líder de três empresas brasileiras que atuam na indústria brasileira de criatividade musical, Gilvana reforça a responsabilidade de estar na posição de júri do festival: “Sei que não represento um país inteiro, mas levo comigo tudo o que me formou até aqui, principalmente as referências das mulheres brasileiras, em especial, das criativas pretas que têm uma força e um repertório muito próprios. Ocupar essa posição é, também, sobre abrir caminho, ainda que aos poucos, e torcer para que, num futuro próximo, a gente veja cada vez mais mulheres nesses espaços”, comemora.
Trajetória premiada de Gilvana Viana
Ao longo da carreira, Gilvana Viana acumulou uma série de conquistas nacionais e internacionais, tanto como profissional premiada quanto como jurada. Ela é sócia de três empresas do mercado criativo: Punks S/A (provedora de conteúdo musical), MugShot (estúdio de criação sonora) e Casablack. Sua atuação inclui ainda a co-criação e produção executiva do podcast “Mano a Mano” com Mano Brown. Entre os principais prêmios recebidos estão: o Festival de Cannes, o Clube de Criação (Brasil), o Lions International e o Festival da Criatividade. Em 2024, por exemplo, conquistou um Leão de Ouro no Cannes Lions pela campanha “UninterruptAds”, para a Budweiser – ação da MugShot que transformou citações da marca em mais de 500 músicas no Spotify. Além disso, Gilvana teve trabalhos reconhecidos no Cannes Lions (festival de criatividade global) e em outras premiações renomadas.
Em 2025, atuou como jurada do Cannes Lions na categoria Entertainment Lions for Music, e do Clio Awards (Film Craft: Music & Sound Design) e já compôs bancas em eventos como o D&AD Awards (Sound Design & Use of Music), Clube de Criação e os Prémios Lusófonos da Criatividade. Recentemente, foi indicada ao título de “Profissional do Ano” no prêmio Potências (2025). Sua experiência como jurada em festivais como Cannes, D&AD e Clio reforça o olhar estratégico sobre a indústria de criatividade musical.
