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Drag Ataque mergulha no universo das drag queens

Desirée Lo Bianco, da cena ballroom de Belém, e Saphyra Luz, “rainha do kuduro” de Salvador, mostram como o corpo drag carrega território e ancestralidade 11 de setembro no Fashion TV
A série documental “Drag Ataque”, com direção de Vinícius Gouveia, segue a temporada com episódios novos, toda sexta-feira, às 21h, no Fashion TV Brasil, disponível nas principais operadoras do país. A série mergulha no universo artístico das drag queens do Norte e Nordeste do Brasil, em 12 episódios, que serão exibidos semanalmente. Com produção da Plano 9, a série tem o fomento da Ancine | BRDE | FSA, o incentivo do Funcultura | Fundarpe | Secretaria de Cultura de Pernambuco e PNAB – PE – Programa Nacional Aldir Blanc | Pernambuco.
No episódio 5, “Drag Dança”, da série documental “Drag Ataque”, exibida pelo Fashion TV, duas linguagens de dança que dificilmente se encontrariam fora da drag dividem o mesmo palco: o vogue da cultura ballroom, representado por Belém através de Desirée Lo Bianco, e o kuduro, ritmo angolano que virou marca registrada de Saphyra Luz em Salvador. O resultado é uma coreografia só, construída em tempo real dentro do episódio, numa mistura que, nas palavras das próprias artistas, é “louca, gostosa, brasileira, nossa”.
Desirée Lo Bianco (Belém, PA) descreve a si mesma, ao estilo da cultura ballroom, como uma “unique travesti, legendary travesti”, referência direta ao vogue, disciplina que a apresentou a uma tradição criada por mulheres trans e travestis negras e periféricas, e que hoje ecoa no Pará. Ela, que montava escondida no banheiro desde os 13 anos, descreve a cena drag de Belém como um exercício de fazer muito com pouco: “a gente faz uma coisa gigantesca com nada”. No episódio, ela também revela que foi a arte drag quem a ajudou a se identificar como mulher trans: “o drag foi a porta pra eu me identificar como uma mulher trans, como uma travesti, e me ajudou muito nesse negócio de autoestima”.
Saphyra Luz (Salvador, BA) é conhecida na Bahia como “a rainha do kuduro”, ritmo angolano que, segundo ela, carrega o mesmo peso marginalizado de gêneros como funk e pagode. Hoje também ostenta o título de Rainha LGBT do Carnaval de Salvador, reconhecimento conquistado depois de anos disputando concursos de beleza drag pela Bahia. Essa trajetória de sucessivas vitórias, segundo ela, mudou a forma como passou a ser vista nas ruas: “as pessoas viram que o que eu faço é arte”.
Juntas, as duas constroem uma coreografia que mistura vogue e kuduro, movimento de braço com movimento de perna, referências de Belém com referências de Salvador. “Ela vai trazer elementos do estado dela, eu vou trazer do meu; ela vai trazer elementos do voguing, eu vou trazer do kuduro, e a gente vai juntar tudo, vira um mix de coisa”, resume Saphyra. O resultado dialoga diretamente com o brega funk, gênero também retratado no episódio 2 da série. Essa mistura só reforça como a cultura popular brasileira atravessa praticamente todas as disciplinas mostradas em “Drag Ataque”.
O episódio expõe ainda o quanto o corpo drag carrega mais do que técnica. “A cada momento que eu subo no palco, que eu boto uma peruca, que eu boto uma maquiagem, eu tô enfrentando um demônio, tô enfrentando meus preconceitos… e eu tô me superando!”, resume Saphyra.
SERVIÇO
Sobre a série “Drag Ataque”, dirigida por Vinícius Gouveia e produzida pela pernambucana Plano 9, estreou em 14 de agosto no Fashion TV, com 12 episódios semanais dedicados à cena drag do Norte e Nordeste do Brasil. Cada episódio reúne duas artistas em uma disciplina diferente (moda, música, maquiagem, dança, atuação, circo) sempre em espaços reais da vida noturna.
Onde assistir Episódios novos: sextas, 21h, no Fashion TV Reprises: sáb (09h), dom (19h), seg (07h e 13h15), ter (22h30), qua (10h30)João Lucas Cavalcanti
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