Mais de 80% da população reconhece os assassinatos como uma violência preocupante em suas cidades, segundo a pesquisa O que pensa a população brasileira sobre segurança pública?, do Instituto Sou da Paz. Além disso, 70% dos homicídios no Brasil são cometidos com armas de fogo. No centro desses números estão mulheres e pessoas negras. É por isso que o debate eleitoral precisa ir além do discurso e apresentar soluções reais para mudar essa realidade e construir um Brasil mais seguro.
Para transformar esses números em uma imagem capaz de provocar um olhar mais imediato sobre o problema, o Instituto Sou da Paz e a Tech & Soul levaram a discussão para as ruas de São Paulo, com a MIRA, uma ação de mobilização da campanha Vote Pela Paz, movimento apartidário que busca um Brasil livre da violência. A intervenção aplicou uma mira de laser vermelho sobre alguns dos grafites mais conhecidos da região central da cidade, especialmente aqueles que retratam mulheres e pessoas negras. O efeito visual é imediato: a mira se posiciona exatamente sobre as figuras representadas nos murais, fazendo com que elas pareçam estar na linha de tiro, como alvos.
A escolha dos grafites reforça justamente essa conexão entre arte, cidade e realidade. Entre os artistas que cederam suas obras para a ação estão Gugie Cavalcante, Apolo Torres, Marissa Noana e Luna Bastos. Os trabalhos estão espalhados pelo Centro Histórico de São Paulo e pela Bela Vista e podem ser visitados gratuitamente.
“A violência armada não é uma ameaça abstrata: ela tem rostos e vítimas. Atinge de forma especialmente grave mulheres e pessoas negras. Ao colocar essas pessoas, literalmente, na mira, queremos sensibilizar para essa realidade, muitas vezes traduzida apenas em números e reforçar a urgência de discutir caminhos concretos para reduzir a violência e salvar vidas”, diz Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.
E os números ajudam a dimensionar o que a intervenção coloca diante dos olhos do público. As pessoas negras são 77% das vítimas de homicídio no país; a cada 25 horas, uma mulher fica na mira de uma arma e 69% são contra a presença de armas de fogo dentro de casa.
É justamente diante desse cenário que a ação amplia sua provocação. Com a proximidade das eleições, a mira deixa de apontar apenas para os efeitos da violência e passa a mirar também o debate sobre como enfrentá-la. Se a população já conhece parte dos impactos da violência, a pergunta agora é: o que aqueles que disputam seu voto pretendem fazer para mudar essa realidade?
Por isso, a campanha leva a provocação para além dos muros e das ruas e pergunta: o que o seu candidato tem a dizer sobre isso? A proposta é estimular os eleitores a cobrar dos candidatos projetos e compromissos concretos relacionados à segurança pública e à redução da violência.
“A ação foi pensada exatamente a partir dessa contradição: se a violência já colocou mulheres e pessoas negras na mira, por que, agora que começamos a campanha eleitoral, não vamos deixar a segurança pública no centro do debate? A ideia é tornar visíveis as propostas dos candidatos e provocar o eleitor a cobrar respostas concretas para a violência”, afirma Zim Hernandez, diretor de criação da Tech & Soul.
Campanha Vote Pela Paz
O Sou da Paz lançou a campanha Vote Pela Paz com o intuito de reposicionar a discussão sobre segurança pública no processo eleitoral, contrapondo abordagens baseadas no populismo e destacando a demanda da sociedade por políticas fundamentadas em evidências.
Como parte dessa estratégia, o Sou da Paz também divulgou a agenda eleitoral Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma segurança pública de verdade, que apresenta propostas para melhorar a segurança tanto no âmbito estadual quanto federal, a partir de cinco eixos centrais: fortalecer polícias bem preparadas; enfrentar o crime organizado; reduzir os roubos; proteger meninas e mulheres; e retirar as armas das mãos do crime. Essas demandas foram selecionadas a partir da escuta da população com a pesquisa O que pensa a população brasileira sobre segurança pública?.
Além das candidaturas aos cargos do executivo, a campanha também busca mobilizar as candidaturas à Câmara e ao Senado de diferentes partidos e de todas as regiões em torno de uma agenda comum para enfrentar a violência e fortalecer a segurança pública no Brasil, com o manifesto Parlamentares pela segurança pública: compromissos acima das diferenças.
FICHA TÉCNICA:


