Na última segunda-feira, 18 de maio, o Negritudes Globo promoveu em São Paulo um encontro estratégico com representantes do mercado publicitário, influenciadores e especialistas da pauta racial, reforçando sua atuação como plataforma de conexão entre conhecimento, cultura e negócios. Realizada em parceria com o PPA, Prêmio Profissionais do Ano, a iniciativa buscou aprofundar o diálogo com a indústria sobre o papel da representatividade na construção de marcas mais relevantes e conectadas à realidade brasileira. A apresentação da pesquisa “Juventudes Brasileiras” foi um dos destaques, mostrando que os jovens do país vivem um dos momentos mais potentes de sua história recente.
Para Ronald Pessanha, líder do Negritudes Globo, o encontro reforçou a atuação da iniciativa como catalisador de transformações estruturais na forma como marcas acessam, compreendem e se relacionam com o público negro no país. “Nosso desafio é entender como as marcas podem transmitir suas mensagens de maneira genuína e conectada ao público negro, construindo o futuro a partir do diálogo com a juventude e através de elementos culturais como audiovisual, música e esportes. Outro movimento essencial é o reconhecimento dos profissionais que atuam no mercado de publicidade, objetivo principal do Troféu Negritudes PPA, que há três anos dá visibilidade às suas trajetórias e contribuições”.
Daniela Okuma, diretora de Comercialização da Globo, destacou que o objetivo da empresa em promover encontros como esses é provocar reflexões profundas sobre o papel de todos na construção de um mercado mais representativo. “A questão é como transformar toda essa potência em valor para as marcas, ampliando repertórios e construindo narrativas mais verdadeiras, relevantes e conectadas com a realidade do Brasil. Um mercado mais diverso também é mais inovador, criativo e preparado para o futuro”, pontuou.
Com uma leitura atualizada sobre o comportamento e as percepções dos jovens no país, a apresentação da pesquisa inédita “Juventudes Brasileiras” trouxe dados que ajudam marcas e agências a compreender melhor esse público e a orientar estratégias mais consistentes e relevantes. Realizada pela Globo, a pesquisa aponta uma geração mais crítica, conectada e culturalmente diversa, evidenciando oportunidades para o desenvolvimento de narrativas mais autênticas. Reunindo dados comparativos da última década sobre os jovens do país, tem como resultado uma provocação central: ao contrário de leituras recorrentes, os jovens brasileiros vivem um dos momentos mais potentes de sua trajetória recente.
Entre as descobertas, 67% dos jovens afirmam ter mais liberdade para expressar opiniões e ideias, enquanto metade acredita que ser jovem hoje é melhor do que no passado. Esse cenário ajuda a explicar uma juventude mais preparada, crítica e com repertório muito mais amplo do que há dez anos. Ao mesmo tempo, suas expectativas em relação ao futuro e ao trabalho se sofisticaram: o medo deixa de ser a escassez e passa a ser a ausência de escolha, traduzindo uma geração mais exigente e consciente do seu protagonismo. Esse perfil também se reflete no consumo, visto que 65% dizem priorizar preço e custo-benefício em vez da marca e 59% já realizam a maior parte das compras online, indicando indivíduos mais informados e criteriosos em suas decisões. A pesquisa revela ainda a valorização crescente da liberdade de ideias e da autenticidade, hoje um valor inegociável. Nesse contexto, com repertórios culturais mais amplos e consumidores mais atentos, as marcas e empresas precisam legitimar seus avanços, já que comunicações sem propósito ou percebidas como artificiais tendem a perder relevância junto ao público jovem.
A relação entre juventude, cultura e marcas ganhou voz no painel com Rashid, Rael, Duquesa e Ian Black. Mediado pela jornalista da TV Globo, Letícia Vidica, o encontro abordou temas como trajetória profissional, processo criativo, conexão com o público jovem e representatividade na construção simbólica da brasilidade contemporânea. Os artistas apresentaram projetos desenvolvidos em parceria com marcas, ampliando o debate sobre autenticidade, impacto cultural e identificação entre criadores, consumidores e publicidade.
Rael afirmou que o público busca cada vez mais verdade e coerência nas parcerias entre artistas e marcas. Segundo ele, a relação vai além da música e passa por valores e posicionamentos alinhados à sua “bússola moral”. Rashid reforçou que tudo o que um artista faz comunica algo e que suas escolhas precisam dialogar com sua trajetória, suas causas e com um público majoritariamente preto. Para ele, as parcerias devem acrescentar valor real à audiência e estar alinhadas ao que deseja transmitir.
Duquesa destacou a importância de campanhas honestas e conectadas a um público que está aprendendo a lidar com o próprio dinheiro, defendendo produtos acessíveis e alinhamento criativo entre artistas e marcas. Já Ian Black afirmou que marcas ganham mais potência quando participam de discussões autênticas e reconhecem influenciadores pretos e periféricos como tradutores de realidade, capazes de construir narrativas mais legítimas e conectadas com a sociedade.