Simplificando, a Síndrome de Burnout (ou síndrome do esgotamento profissional), é um distúrbio psíquico causado pelo estresse crônico no ambiente de trabalho – muito comum nas áreas de marketing e comunicação. A palavra, que em inglês significa “queimar por completo”, descreve um estado de exaustão física, emocional e mental que drena a motivação e a capacidade de realizar tarefas diárias, das mais simples às mais complexas.
Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno mundial, o burnout se manifesta principalmente por meio de três pilares:
- Exaustão extrema
- Distanciamento emocional/apatia
- Baixa realização pessoal
Infelizmente as áreas de comunicação e marketing estão entre as que mais geram esse distúrbio entre os profissionais, ou seja: é necessário agir rapidamente. Há uma real preocupação com essa questão?
O burnout costuma se instalar lentamente, causando sérios transtornos na vida pessoal, dentre os quais:
- Distúrbios do sono
- Dificuldade de concentração e falhas de memória
- Alterações de humor e ansiedade
- Sintomas físicos como dores musculares, dores de cabeça, problemas digestivos e etc.
Como podemos esperar bom desempenho?
Lembrando que diferente do estresse, que é pontual e tende a ser superado após a solução do problema, o burnout é um acúmulo contínuo e de difícil reversão.
O tratamento, obviamente é assunto de especialistas e profissionais de saúde, que analisam os casos individualmente, aplicam o tratamento necessário, que em geral incluem a redução da carga de trabalho, mudanças no estilo de vida e eventualmente o uso de medicamentos.
Já ouvimos líderes associando o burnout à fragilidade, ao “mimimi” e baixo comprometimento profissional. Honestamente, não sou dessa vertente, muito pelo contrário.
Várias empresas compartilham dessa preocupação e trabalham para tornar a vida de seus colaboradores mais humana. Por outro lado, há estruturas que dependem da iniciativa e bom senso dos líderes, treinados para gerar resultados e pouco focados no bem estar, até deles próprios. Falo por mim e muitos amigos de profissão que se entregam ao trabalho à exaustão, transferindo essa expectativa a toda a estrutura e equipe.
Felizmente vivemos uma nova era, o mundo e os profissionais dos dias de hoje têm outra visão em relação à vida, trabalho, saúde, lazer, incluindo a carreira como parte do processo de crescimento humano, mas sem abrir mão do que a vida pode proporcionar. Além do fato dos desafios profissionais terem aumentado exponencialmente, o mercado de trabalho está a cada dia mais competitivo com o advento dos canais digitais.
Este entendimento minha geração só atingia na maturidade, jamais no início de carreira como vemos atualmente. Temos que admitir que aprendemos algo importante com essa expectativa mais equilibrada entre vida e trabalho.
Não é novidade que proporcionar esse equilíbrio faz parte do trabalho do líder, mas estamos praticando?, temos essa filosofia com as equipes?, infelizmente não vejo essa evolução em nosso mercado, pelo contrário, vejo sim dezenas de jovens profissionais afastados, em situação de risco nos empregos e certamente com a produtividade comprometida – estamos nos tornando uma “fábrica de profissionais zumbis”.
O RH sempre ajuda, traz visões que não estão em nosso repertório, e que tornam a vida dos profissionais muito melhores, especialmente para se sentirem genuinamente acolhidos. Preocupados com:
- Saúde Mental e Emocional
- Qualidade de Vida e Saúde Física
- Gestão de Benefícios
- Ambiente e cultura da empresa
- Capacitação e treinamento
- Flexibilidade de horários e home office
OK, essas são obrigações que as empresas precisam praticar, mas na real e não apenas no papel ou em um checklist de contratação. Isso não é o suficiente, quem lidera, comanda, orienta e inspira precisa fazer o seu papel, é fundamental dar o exemplo, assumindo responsabilidades, neutralizando conflitos, amenizando tensões, corrigindo, orientando em tom construtivo, e, acima de tudo estar constantemente atento à equação: carga de trabalho x capacidade x desempenho. É comum vermos jovens profissionais com pouco ou nenhum treinamento “sendo jogados” em cargos de vários níveis de complexidade, aprendendo na base da “tentativa e erro”, potencializando a tendência ao burnout.
Concluindo, não é justo, tampouco correto, atribuir a jovens em formação 100% dessa carga sem o devido suporte.
É claro que as circunstâncias como um todo ajudam a levar a esse cenário: a natureza do trabalho com prazos curtos, exigências técnicas e criativas constantes e todos os fatores que já elencamos acima, mas temos sim parte da responsabilidade, temos que aprender com os erros do passado, com o que sofremos e não havia a quem recorrer.
O trabalho não pode se tornar uma pena – uma prisão – uma tortura, pois com essa natureza aparecem as “doenças internas” nas empresas, tentativas bem e mau sucedidas de fuga (turnover acelerado), e a formação de profissionais desestimulados, por fim empresas com uma tendência de anestesiar as equipes, valorizando apenas quem suporta ambientes desgastantes ou tóxicos sem acusar o golpe – pelo menos de forma visível.
É isso que queremos das nossas empresas, das áreas que comandamos?, sabemos que não, mas para mudar precisamos fazer a nossa parte e ter essa visão na agenda, ter a clareza de que se não tivemos essa atenção no passado, e também fomos vítimas, temos a obrigação de mudar essa realidade hoje, para o bem das pessoas e do negócio, para manter os talentos, e quem sabe em breve ver o termo “Burnout” ser banido do vocabulário “gringo” das agencias e anunciantes.
Luiz Gini
VP de Mídia e Sócio da GPS Comunicação e Projetos
