Um novo estudo sobre comportamento de consumo no Brasil, realizado pela Tunad I inteligência de mídia e engajamento de marcas, mostra que os sinais coletivos de intenção de compra por automóveis, especialmente as buscas no Google, se consolidaram como um dos principais indicadores preditivos de vendas e participação de mercado, com impacto direto no setor automotivo. “A busca é hoje o sinal mais claro e imediato de intenção de consumo. Quando milhares de pessoas pesquisam ao mesmo tempo, estamos diante de um movimento coletivo que antecipa o que vai acontecer no mercado”, afirma Cesar Sponchiado, fundador e CEO da Tunad.
A análise, baseada na metodologia de Share of Search(SoS) para antecipar movimentos de mercado a partir do comportamento de busca no Google, identifica uma correlação de pelo menos 83% entre o volume de buscas e as vendas reais, podendo chegar a 99% em determinadas categorias. O indicador captura movimentos coletivos gerados por estímulos de massa, como campanhas publicitárias e grandes eventos, que levam milhares de consumidores a pesquisar simultaneamente por produtos e marcas. “No ambiente digital, intenção virou dado mensurável. E quando essa intenção escala, ela se transforma em previsão de receita com alto grau de precisão”, complementa Ricardo Monteiro, Chief Operating Officer.
No caso de bens de consumo imediato, como serviços de internet, essa intenção se converte rapidamente em compra. Já no setor automotivo, o ciclo é mais longo. O interesse registrado hoje tende a se refletir em vendas entre 6 e 12 meses à frente, permitindo antecipar tendências de market share com alto grau de precisão.
Os dados do primeiro trimestre de 2026 apontam para um ponto de inflexão no mercado brasileiro, impulsionado pela entrada e expansão de montadoras chinesas, especialmente no segmento de veículos elétricos e híbridos. “O consumidor brasileiro deixou de olhar apenas preço. Hoje ele busca tecnologia, economia operacional e percepção de inovação, e as marcas chinesas entenderam isso muito rápido”, diz Sponchiado.
O destaque é o avanço de marcas como BYD e GWM, que vêm alterando o comportamento do consumidor ao combinar tecnologia, garantia estendida (de 5 a 8 anos) e menor custo operacional.
Entre os principais movimentos identificados está a explosão de interesse por modelos acessíveis. O BYD Dolphin Mini, por exemplo, registrou crescimento de 115% nas buscas em seis meses, alcançando cerca de 173 mil pesquisas semanais e superando modelos tradicionais em diversos estados. “A gente observa um fenômeno claro de substituição: o consumidor que antes pesquisava modelos a combustão agora migra para elétricos na mesma faixa de preço, mas com maior percepção de valor”, explica Monteiro.
A consolidação dos híbridos também é um fator importante. O Haval H6 mantém cerca de 63 mil buscas semanais, sendo comparado diretamente a SUVs consolidados do mercado. Já em relação ao efeito antecipação, o estudo verificou que o pico de buscas em março foi impulsionado pela tentativa de consumidores de antecipar compras antes do aumento de impostos previsto para julho de 2026.
A pesquisa da Tunad constatou que o interesse por veículos eletrificados deixou de ser concentrado em grandes centros e passou a ter alcance nacional, com características distintas por região. “O que antes era um nicho se transformou em comportamento de massa. Hoje, o interesse por elétricos e híbridos está distribuído pelo país, com motivações diferentes em cada região”, afirma Monteiro.
O Sudeste lidera em volume de buscas, com foco em veículos 100% elétricos para uso urbano. No Nordeste, o maior crescimento (+78%) foi impulsionado pela busca por economia de combustível. Os consumidores do Distrito Federal apresentam um perfil mais premium, com alta taxa de conversão. Já no Centro-Oeste e Sul, a demanda por SUVs híbridos e veículos adaptados a longas distâncias e condições climáticas se destaca.
Estados como São Paulo já mostram mudança clara de preferência. O Dolphin Mini supera modelos tradicionais em volume de busca, indicando reposicionamento no desejo da classe média. No Nordeste, a região se consolida como o segundo maior mercado da BYD no país.
Com base na correlação entre buscas e vendas, o estudo projeta mudanças relevantes no market share até o fim do primeiro semestre de 2026. “Hoje conseguimos afirmar com mais de 90% de confiança que o que está acontecendo nas buscas agora vai se refletir diretamente em participação de mercado e receita nos próximos meses”, destaca Sponchiado.
Para o BYD Dolphin Mini, a tendência é de alta com ganho estimado de +2,1%, consolidando liderança no varejo. O crescimento projetado para o Volkswagen Tera é de +1,8%. A pesquisa ainda mostra avanço de +1,2% nas compras do Haval H6. Em contrapartida, modelos tradicionais apresentam retração, como o Jeep Compass(-1,5%), o Toyota Corolla Cross (-1,1%) e o Volkswagen Polo (-0,9%).
A Tunad também analisou os impactos diretos desse cenário nas principais fabricantes, revelando um redesenho competitivo com perdas e ganhos bem definidos. A Stellantis registra retração relevante, com perda estimada de 1,5 ponto percentual no segmento de SUVs, pressionada sobretudo pelo avanço dos híbridos chineses. A Volkswagen apresenta desempenho mais equilibrado, com crescimento de 1,8% impulsionado pelo VW Tera, que compensa parcialmente a queda de 0,9% do Polo. Já a Toyota enfrenta uma das maiores retrações do período, com recuo de 27,1% no início de 2026. A Hyundai também perde tração em faixas estratégicas, especialmente no segmento entre R$ 115 mil e R$ 130 mil, diante da migração para elétricos. Mitsubishi e Nissan, por sua vez, chegam ao fim de 2025 sob forte pressão competitiva, com perda de relevância relativa à medida que novos entrantes igualam seus volumes de busca. “O grande diferencial hoje é transformar dados de comportamento em vantagem competitiva. Quem entende antes o movimento do consumidor, sai na frente na disputa por mercado”, conclui Sponchiado.
O estudo reforça que o monitoramento contínuo de sinais coletivos de intenção de compra permite não apenas acompanhar o mercado, mas antecipar movimentos competitivos com até 10 meses de antecedência,consolidando o comportamento de busca como um dos principais ativos estratégicos da indústria automotiva.
