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Setor publicitário se une em apoio a pequenos negócios

O crescimento do mercado publicitário brasileiro tem exposto um desafio comum entre donos de pequenas e médias agências: como transformar uma operação ainda centralizada no fundador em uma empresa estruturada, rentável e capaz de crescer sem depender de uma única pessoa?
Para apoiar empresários que chegaram a esse estágio, quatro profissionais com experiência na criação, gestão e expansão de agências se uniram para lançar a OBST, um programa de conselho consultivo, formação e acompanhamento voltado inicialmente para empresas com faturamento mensal a partir de R$ 100 mil.
A iniciativa será conduzida por Brunna Casagrande, fundadora e CEO da 6B Partners; David V. Bydlowski, fundador e CEO da Rosh; Georgia Aliperti, sócia e Chief Creative & Operations Officer da Rosh; e Rodrigo Báez, fundador e CEO da Brand Lock. São mais de 62 anos de experiência somadas.
A proposta é permitir que agências que ainda não possuem estrutura financeira para contratar individualmente executivos seniores tenham acesso contínuo a especialistas em estratégia de negócios, operações, posicionamento de marca e questões jurídicas.
Mais do que responder às dúvidas apresentadas pelos participantes, o programa deverá provocar novas reflexões, apresentar possibilidades de modelos de negócio e ajudar os empresários a identificar oportunidades e riscos que nem sempre são percebidos por quem está envolvido diariamente na operação.
A primeira apresentação pública da iniciativa será realizada em 2 de setembro de 2026, durante uma aula online e gratuita com o tema “É surto ou é o mercado?” onde os mentores irão tratar das dores mais comuns dos empreendedores do segmento e compartilhar aprendizados de sua jornada, além de abrir espaço para dúvidas. O encontro será conduzido pelos quatro fundadores, terá duração aproximada de uma hora e meia e contará com 30 vagas. As inscrições poderão ser realizadas pelo endereço obstboard.com.br
Crescimento do mercado amplia desafios de gestão – A criação do programa ocorre em um momento de expansão do setor. Em 2025, o investimento publicitário realizado por meio de agências alcançou R$ 28,9 bilhões no Brasil, alta de 10% em relação ao ano anterior. O levantamento do Cenp-Meios reuniu informações de 330 agências e indicou que o crescimento do mercado publicitário foi aproximadamente quatro vezes superior à variação de 2,3% do Produto Interno Bruto no mesmo período.
O tamanho do mercado, entretanto, convive com uma estrutura bastante pulverizada. Dados do Observatório do Sebrae apontavam a existência de 32,9 mil estabelecimentos ativos classificados como agências de publicidade até fevereiro de 2026.
Esse universo inclui desde grandes grupos até operações enxutas, nas quais o fundador ainda participa diretamente do atendimento aos clientes, da criação, da gestão de pessoas, das vendas e das decisões financeiras.
É justamente no estágio intermediário que muitos empresários encontram as maiores dificuldades. A agência já possui clientes, funcionários e uma operação complexa, mas ainda não dispõe de recursos para manter uma diretoria completa. Como consequência, decisões sobre contratação, precificação, capacidade produtiva, contratos, posicionamento, sociedade e expansão continuam concentradas no proprietário.
“Existe um momento em que a centralização deixa de proteger a agência e começa a limitar o seu crescimento. Quando todas as decisões, aprovações e negociações dependem do fundador, ele deixa de ser apenas o motor do negócio e pode se transformar, sem perceber, em seu principal gargalo”, afirma David V. Bydlowski, fundador e CEO da Rosh, agência full service integrante do Grupo Duo.
Estrutura antes acessível apenas às grandes empresas – O modelo da OBST foi inspirado nos conselhos consultivos mantidos por empresas de maior porte. Esses grupos são compostos por profissionais experientes que auxiliam os empresários a avaliar cenários, questionar decisões, identificar riscos e antecipar problemas.
Nas pequenas e médias agências, esse acesso costuma ser limitado pelo custo de contratação de executivos e conselheiros experientes. A OBST pretende ampliar esse alcance por meio de uma estrutura que reúne quatro especialidades complementares.
O programa, no entanto, vai além da atuação tradicional de um conselho consultivo. Além das reuniões estratégicas, os participantes terão acesso a aulas, mentorias individuais, sessões coletivas de hot seat, encontros presenciais, comunidade exclusiva e acompanhamento de indicadores definidos de acordo com os desafios de cada empresa.
“Uma pequena agência não precisa apenas de conselhos genéricos sobre crescimento. Ela pode ter um problema de margem, outro de capacidade produtiva, outro de posicionamento ou ainda uma fragilidade contratual e societária. Por isso, reunimos especialistas que conseguem analisar o negócio por diferentes perspectivas e construir soluções conectadas à realidade de cada participante”, afirma Bydlowski.
A proposta parte da constatação de que uma agência pode aumentar suas vendas sem necessariamente ampliar sua rentabilidade ou sua capacidade de entrega. Em algumas empresas, o crescimento da carteira de clientes eleva o retrabalho, sobrecarrega as equipes e aumenta a dependência do fundador.
Um negócio pode, por exemplo, faturar R$ 200 mil por mês e ainda enfrentar dificuldades de caixa porque opera com margem próxima de 5%. Nesse caso, o objetivo do acompanhamento não seria simplesmente vender mais, mas rever preços, produtos, custos, capacidade produtiva e rentabilidade por cliente.
Em outra situação, uma agência que fatura R$ 100 mil pode estabelecer como objetivo chegar a R$ 200 mil. O trabalho poderá envolver o desenvolvimento de novos produtos, a revisão do tíquete médio, a criação de referências de preço e a diversificação das fontes de receita.
As metas, portanto, serão definidas individualmente. Dependendo do estágio da agência, o principal indicador poderá ser crescimento de faturamento, aumento de margem, redução de retrabalho, menor concentração de clientes ou diminuição da dependência do fundador.
Quatro especialidades dentro do mesmo programa – O conteúdo da OBST será organizado em quatro pilares: negócios, operações, posicionamento e jurídico. Entre os assuntos previstos estão diversificação de receitas, formação de lideranças, capacidade produtiva, indicadores de desempenho, redução de retrabalho, construção de metodologias proprietárias, precificação, contratos, modelos societários e proteção de marcas.
Na frente de negócios, David V. Bydlowski trabalhará a transformação do proprietário em líder estratégico, a redução da dependência de clientes ou produtos específicos, a expansão de receitas e a construção de equipes e modelos de sociedade.
A área de operações será conduzida por Georgia Aliperti, responsável pela integração das áreas de Conteúdo, Estratégia, Criação e Atendimento da Rosh. Entre os temas previstos estão estruturação de processos, capacidade produtiva, indicadores de desempenho, rentabilidade operacional, formação de sucessores e redução da dependência do fundador.
Brunna Casagrande ficará responsável pela frente de posicionamento. O conteúdo discutirá como as agências podem deixar de competir apenas por preço, transformar conhecimento em metodologia proprietária, construir uma esteira de produtos e tornar a própria marca um ativo do negócio.
A área jurídica será liderada por Rodrigo Báez e abordará contratos, proteção da propriedade intelectual, registro de marcas, estruturação societária e modelos de partnership.
“É comum vermos agências dedicando toda a sua capacidade criativa à construção das marcas dos clientes enquanto deixam a própria marca, o posicionamento comercial e os produtos em segundo plano. Sem uma proposta clara de valor e uma metodologia reconhecível, a empresa tende a competir por preço e encontra mais dificuldade para crescer com rentabilidade”, afirma Brunna Casagrande.
Acompanhamento coletivo e individual – O programa terá encontros online mensais, mentorias individuais, sessões coletivas de hot seat, reuniões trimestrais de conselho e uma comunidade exclusiva para a troca de experiências entre os empresários.
A cada mês, dois dos quatro especialistas conduzirão uma aula online para todos os participantes. Os conteúdos serão organizados de maneira integrada, relacionando temas como modelo de negócio, gestão, cultura, agilidade, posicionamento, contratos e capacidade de execução.
Os encontros terão duração aproximada de uma hora a uma hora e meia. A cada edição, os dois especialistas responsáveis deverão conectar suas respectivas áreas, permitindo que os participantes compreendam como uma decisão comercial pode afetar a operação, a marca, os contratos e a rentabilidade.
As mentorias individuais serão realizadas por agendamento. A cada semana, dois especialistas reservarão uma tarde para os atendimentos, e cada sessão terá duração de 30 minutos.
A estrutura foi planejada para oferecer até 64 sessões individuais por mês. Considerando uma turma inicial de aproximadamente 30 participantes, a expectativa é permitir que cada integrante tenha acesso a até duas mentorias individuais mensais, de acordo com a disponibilidade de horários.
Nesses encontros, os empresários poderão apresentar informações específicas sobre faturamento, margem, carteira de clientes, produtos, capacidade produtiva ou estrutura de equipe. A abertura dos dados será opcional e dependerá do interesse de cada participante.
Além das sessões formais, os integrantes terão acesso aos especialistas por meio de um grupo de WhatsApp, no qual poderão compartilhar dúvidas, conteúdos e situações enfrentadas no dia a dia da agência.
O programa contará ainda com uma sessão mensal de hot seat. Nesse formato, um dos especialistas ficará disponível para responder às perguntas dos participantes em uma reunião coletiva. Todos poderão acompanhar as dúvidas e as orientações apresentadas, transformando os desafios individuais em aprendizado para o grupo.
Reuniões trimestrais com os quatro conselheiros – E para dar aos membros a experiência completa de um conselho consultivo, a cada trimestre, cada participante terá uma reunião de Board Room com os quatro integrantes do conselho simultaneamente.
O encontro será dedicado à apresentação de resultados, dúvidas, decisões estratégicas e desafios da agência. A proposta é reproduzir a dinâmica de um conselho empresarial, permitindo que os quatro profissionais complementem, questionem ou até discordem das recomendações apresentadas.
A reunião trimestral deverá funcionar como o principal momento de avaliação estratégica do ciclo. Nela, os participantes poderão revisar os objetivos estabelecidos, analisar os indicadores acompanhados e decidir quais mudanças deverão ser implementadas no trimestre seguinte.
Também estão previstos dois encontros presenciais por ano no escritório do grupo, em São Paulo, além da participação no Agency Day by Agency Club, evento voltado a empresários do setor publicitário.
Os participantes terão ainda acesso à plataforma Agency Club, que reúne conteúdos especializados em gestão e crescimento de agências. O número atual de integrantes da comunidade, a quantidade de horas de conteúdo disponíveis e os benefícios incluídos na plataforma ainda serão confirmados.
Resultados definidos de acordo com cada agência – A metodologia será organizada em quatro etapas representadas pelas iniciais da OBST: objetivar, buscar, superar e tentar novamente.
A proposta é fazer com que os empresários estabeleçam objetivos concretos, implementem as decisões, avaliem os obstáculos encontrados e retornem à operação com novos aprendizados.
Não haverá uma única meta obrigatória para todas as empresas. Os indicadores serão definidos de acordo com o diagnóstico e as prioridades de cada participante.
Entre as métricas que poderão ser acompanhadas estão margem operacional, percentual de retrabalho, receita recorrente, concentração de clientes, capacidade produtiva, rotatividade de profissionais e quantidade de horas que o fundador dedica à operação.
Também poderão ser estabelecidos objetivos relacionados a crescimento de faturamento, formação de lideranças, revisão de preços, lançamento de produtos, ampliação do tíquete médio, redução da dependência de um cliente específico e aumento da autonomia da equipe.
“O resultado concreto dependerá do ponto de partida de cada empresa. Para uma agência, o avanço poderá ser dobrar o faturamento. Para outra, será transformar vendas em margem, reduzir o retrabalho ou fazer com que a operação deixe de depender diariamente do fundador. O importante é estabelecer uma meta mensurável e acompanhar sua evolução”, afirma David.
Poderão participar fundadores, sócios e gestores das empresas selecionadas. A presença não será limitada exclusivamente aos fundadores, desde que o profissional tenha participação efetiva nas decisões e na gestão da agência.
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