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O mito do networking pronto

Por que a rede não responde ao executivo fora do crachá

Por Paulo Moreti

Bom dia! Deixa eu te contar uma coisa…

Durante vinte ou trinta anos, a engrenagem do dia a dia operou com precisão cirúrgica, não é?

A vaga na garagem G2 trazia uma placa de acrílico com seu nome e a diretoria gravados, a catraca da recepção subia antes mesmo de você alcançar o bolso, todos sabiam seu nome e davam bom dia, no 14º andar, as reuniões de comitê aconteciam em sequência, fornecedores disputavam semanas de antecedência por uma brecha na sua agenda e o telefone tocava sem qualquer esforço ativo da sua parte, seja para um convite de almoço, um happy hour, um evento ou um podcast.

E é nesse ambiente de alta demanda institucional, consolida-se uma crença defensiva e compreensível: “Com o meu currículo, a minha folha de entregas e esse nível hierárquico, meu networking já está consolidado, basta acionar os nomes certos quando eu quiser mudar de ciclo”.

Eu diria que essa convicção é confortável e que muitos profissionais de diversas áreas possuem enquanto a caneta corporativa está cheia, já fora dela, revela-se como uma das armadilhas mais caras e silenciosas da alta liderança.

Muitas já passaram e tantos outros sabem que o desligamento no alto escalão costuma seguir um rito formal e asséptico: assinam-se os termos de encerramento, recolhe-se o notebook e entrega-se o smartphone corporativo junto com o crachá, apresentam-se os benefícios pós desligamento e por aí vai.

Leva-se para o carro o que entre aspas restou como fotos de inauguração de fábricas e placas de homenagem, fotos pessoais. Chegando em casa tudo isso vai para uma caixa que por sua vez vai para o fundo do armário. Mas a ficha só cai de madrugada ou no amanhecer do dia seguinte, e o(a) executivo(a) olha para a tela do celular pessoal e percebe:

Dentro daquele aparelho devolvido ficaram todos ou a maioria dos contatos estratégicos acumulados ao longo de décadas que nunca migraram para a sua agenda particular. A constatação é fria: o mercado não ligava para a sua pessoa física, o ecossistema atendia à capacidade de contratação, ao poder de compra e ao orçamento multimilionário que a sua assinatura mobilizava.

Quando o vínculo cessa, o(a) profissional descobre que construiu anos de relações sob o logotipo de terceiros e então cai a ficha de que a rede pertencia ao crachá, não ao seu nome próprio.

É nesse momento que digo que 3 sintomas do isolamento fora do organograma aparecem. Ao perder a chancela da multinacional, o(a) executivo(a) não enfrenta portas batidas na cara com hostilidade, enfrenta algo muito mais desconcertante: A INVISIBILIDADE.

Esse vácuo manifesta-se através de três sintomas imediatos:

1. O isolamento do celular pessoal: Aquele telefone que recebia dezenas de mensagens por hora silencia por completo. Você envia uma mensagem para interlocutores com quem almoçava com frequência e recebe respostas protocolares dias depois, ou um silêncio educado que pesa muito mais do que um “não” explícito. A rede que parecia sólida evaporou junto com o domínio do e-mail corporativo.

2. A esteira dos cafés protocolares: Para romper a inércia, o executivo aceita a cartilha tradicional: marca onze cafés em três meses com headhunters, pares do setor e antigos fornecedores. O café é de alto nível, os elogios ao passado são sinceros, mas a conversa termina invariavelmente na mesma frase ensaiada: “Vou manter o seu nome no radar”. Na prática, são reuniões que não geram tração e muitas vezes se transformam em almoços nostálgicos, nada estratégicos, somente para lamentar as decisões da antiga empresa.

3. O travamento dos três segundos: Ocorre no reencontro casual no embarque do aeroporto ou no saguão de um hotel executivo ou eventos do setor ao qual pertencia. Alguém toca o seu ombro e pergunta: “E aí, você ainda está lá? O que está fazendo agora?”. O travamento dura 3 segundos, os 3 segundos mais caros do seu ano. Faltando o cargo institucional para dizer antes do nome, a explicação sai truncada, cheia de rodeios sobre “novos projetos e transição ou período sabático”. O interlocutor não sabe onde alocar a sua competência no tabuleiro e você sai da conversa com a sensação incômoda de ter encolhido.

E é aqui onde eu queria chegar e trazer um a reflexão potente: O ecossistema sênior não negocia com o passado!

Existe uma lei não dita no mercado executivo: relações profissionais no topo não sobrevivem por gratidão ao histórico pretérito, sustentam-se pela clareza do valor presente. Nenhum conselho de administração abre uma cadeira consultiva por consideração a uma meta que você superou em 2017, nenhum comitê de acionistas convida um executivo para liderar uma virada estratégica porque ele foi um gestor dedicado durante vinte anos.

O mercado busca respostas imediatas para dores agudas de governança, gestão de risco, posicionamento de mercado e capacidade decisória sob incerteza. Ele quer a sua mente estratégica. Se você não consegue articular em uma única sentença qual é a sua tese de liderança sem citar o nome da empresa onde passou as últimas duas décadas, o seu networking continuará inerte. Não porque falte competência técnica, isso os seus vinte anos de bastidor já comprovaram, mas porque falta método e estratégia para transformar aquilo que é interno em patrimônio visível e contratável.

 

É hora de sair do improviso e utilizar a ciência a seu favor, medindo o Sinal Relacional. Construir autoridade independente não significa virar influenciador digital, disputar curtidas com postagens diárias ou expor a vida pessoal em redes sociais. Essa abordagem genérica rebaixa o valor fiduciário de quem tem histórico de comando real.

No método Personal Branding Step by Step, validado em mestrado acadêmico nos Estados Unidos, a reputação executiva sai do terreno da opinião subjetiva e entra no campo do diagnóstico por dados. Antes de qualquer iniciativa de comunicação pública ou contato com a rede, realizamos a auditoria através do Reputation Scanner, avaliando a intensidade de três sinais específicos:

· O Sinal Reputacional: mede a clareza com que a sua área de domínio técnico e os seus diferenciais aparecem para quem não trabalhou com você.

· O Sinal Emocional: analisa a percepção de maturidade, previsibilidade e firmeza ética que você projeta perante investidores e conselhos.

· O Sinal Relacional: audita a força orgânica das suas conexões.

O objetivo não é disparar mensagens impessoais ou colecionar conexões frias. É extrair os seus ativos intangíveis, a maturidade, a musculatura ética forjada em crises e o discernimento sob pressão e consolidá-los numa plataforma de posicionamento própria.

Afinal, quem é você quando o logotipo sai de cena?

A cada mês que passa consumindo o pacote de saída sem um posicionamento soberano, o risco financeiro e reputacional aumenta. A hesitação cobra um preço alto: aceitar um degrau abaixo numa empresa menor, com 40% a menos de remuneração, tendo que justificar para o time novo que você já foi diretor corporativo.

O maior temor de um líder experiente nunca foi a falta de preparo, é descobrir em praça pública que o seu prestígio pertencia ao crachá alheio, e não ao seu nome próprio. A competência técnica construída em duas ou três décadas de operação é um patrimônio seu não da empresa, ela não pertence ao balanço contábil da empresa onde você trabalhou e não ficou fechada na caixa de papelão da rescisão.

A decisão que você tem que tomar agora é direta:

Você vai continuar dependendo da lembrança nostálgica de um crachá que já devolveu, ou vai aplicar método para fazer do seu próprio nome um ativo permanente de Capital de Influência?

Bora trabalhar essa marca?

 

Paulo Moreti | Blindagem estratégica de reputação para executivos | Personal Branding Advisor

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