Por Afonso Abelhão
O Brasil é grande demais para ser explicado por um único setor. Mas existe um setor que ajuda a explicar a grandeza do Brasil inteiro.
O agronegócio.
Uma força econômica, social, cultural, ambiental e tecnológica que há muito deixou de caber nos limites de uma fazenda, de uma região, de um polo produtivo, ou político, ou mesmo das fronteiras nacionais.
Porque o agro brasileiro não é apenas aquilo que nasce da terra.
É tudo aquilo que se desenvolve a partir dela.
É uma cadeia que começa antes da primeira semente e continua muito depois da última colheita. Passa pela ciência, pela indústria, pela tecnologia, pelo crédito, pela logística, pela comunicação, pelo comércio, pela educação e pelo consumo.
É o Brasil que produz. Mas também é o Brasil que transforma, transporta, empreende, investe, emprega, preserva e consome.
E talvez esteja na hora de compreendermos uma verdade que parece óbvia, mas que ainda escapa a muitos olhares: o agro não é um pedaço do Brasil. É uma das grandes forças que movimentam o Brasil por inteiro.
Muito além da porteira
Experimente acompanhar um dia comum na vida de qualquer brasileiro ou brasileira.
O despertador toca. Antes mesmo de levantar, sua mão alcança o celular. Um aparelho que depende de uma complexa cadeia de minerais, energia, componentes industriais e logística, um universo tecnológico cada vez mais presente também nas propriedades rurais.
Você se levanta. O lençol que o cobria pode ter nascido numa lavoura de algodão. A toalha do banho também. A roupa que escolhe, o jeans, a camiseta, o vestido, o calçado, tudo pode carregar fibras que um dia foram cultivadas sob o sol.
O café que desperta seus sentidos nasceu da terra, mas chegou à xícara graças a uma imensa cadeia de produtores, cooperativas, indústrias, embalagens, transportadores e comerciantes.
O pão vem do trigo. O leite, da pecuária. O açúcar, da cana. O óleo, da soja, do milho ou de outras culturas.
E mal começou o dia.
Você entra no carro. Os pneus contêm borracha natural ou derivados industriais. O combustível pode trazer etanol ou biodiesel. Bancos, revestimentos, lubrificantes e diferentes componentes podem utilizar matérias-primas de origem agroindustrial.
No caminho, passa por lojas de roupas, farmácias, supermercados, restaurantes, indústrias e centros de distribuição.
Todos, de alguma maneira, estão ligados às cadeias do campo.
No escritório, o papel, a madeira, as embalagens e diversos materiais industriais remetem à produção florestal e agrícola.
Na moda, o algodão ganha novas formas, novas marcas e novos desejos. Nos óculos, materiais de origem vegetal podem participar da composição de armações. Nos cosméticos, óleos e extratos vegetais transformam-se em produtos de alto valor agregado.
Até nos games, símbolo de um universo aparentemente distante do campo, há conexões: embalagens, mobiliário, acessórios e cadeias industriais podem utilizar matérias-primas de origem agropecuária ou florestal.
Nem tudo vem diretamente do agro. Os minerais estratégicos, por exemplo, pertencem à mineração. Mas a indústria e a infraestrutura que os transformam também ajudam a impulsionar a tecnologia utilizada no campo.
À noite, de volta para casa, você se senta à mesa. E ali o agro aparece mais uma vez, de maneira explícita.
Mas seria um erro acreditar que sua presença se resume à refeição.
O agro estava com você quando acordou. Acompanhou seu trabalho, suas escolhas, seus deslocamentos e seu consumo. E estará com você quando for dormir.
É por isso que o agronegócio não pode ser compreendido apenas como um mercado de alimentos.
É um gigantesco ecossistema de produção e consumo.
Do pequeno produtor às grandes potências exportadoras
Existe outra simplificação que precisamos abandonar: a tentativa de reduzir o agro a um único perfil de produtor.
O Brasil agrícola é plural.
Nas grandes propriedades de soja, milho, algodão e café, na pecuária de escala, nos complexos agroindustriais e nas cadeias exportadoras, encontramos produtividade, tecnologia, investimentos, geração de divisas e capacidade de competir nos mercados mais exigentes do planeta.
São atividades fundamentais para nossa balança comercial e para a presença brasileira no comércio internacional.
Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente US$ 169 bilhões, respondendo por quase metade de todas as exportações nacionais.
Mas essa potência não começa nem termina nas grandes propriedades.
Ela também está na pequena fazenda, no sítio, na cooperativa, na agricultura familiar, na propriedade que abastece o comércio regional e sustenta a economia de centenas de municípios.
Está no produtor de hortaliças, nas feiras e supermercados, nas frutas, leite, ovos e tantos outros alimentos que chegam diariamente às mesas brasileiras.
São empreendedores rurais que geram renda, mantêm famílias no campo, movimentam serviços locais e alimentam grandes redes de abastecimento.
A CEAGESP é uma demonstração extraordinária dessa engrenagem. Seu entreposto paulistano conecta produtos vindos de milhares de municípios, diferentes estados brasileiros e do exterior. Diariamente circulam em média 60.000 pessoas comprando e vendendo, fazendo a roda do comércio e do abastecimento acontecer.
Ali, o trabalho de quem planta encontra o de quem transporta, comercializa, distribui e alimenta milhões de pessoas.
Para uma pequena propriedade é mais difícil ocupar manchetes internacionais. Mas sua importância para a economia, para a segurança alimentar e para a vida das cidades é imensa.
O agro brasileiro é grande justamente porque não existe apenas um agro. Existem muitos Brasis produzindo dentro dele.
E essa diversidade é uma das suas maiores riquezas.
A próxima grande safra será de conhecimento
Se o passado do agronegócio brasileiro foi marcado pela conquista de novas fronteiras agrícolas, seu futuro será definido, cada vez mais, pela capacidade de produzir melhor nas áreas que já cultivamos.
E isso significa investir em ciência.
Significa compreender que as próximas grandes revoluções do campo não nascerão apenas de tratores maiores ou propriedades mais extensas.
Nascerão também dentro dos laboratórios, das universidades, dos centros de pesquisa e das empresas de tecnologia.
Nascerão de sementes mais resistentes, de novas variedades adaptadas às mudanças climáticas, de sistemas de produção mais eficientes, de técnicas capazes de preservar a fertilidade do solo e utilizar melhor a água.
É impossível falar dessa transformação sem reconhecer a importância extraordinária da Embrapa.
Ao longo de décadas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ajudou a transformar o conhecimento científico em produtividade, tornando possível desenvolver tecnologias adaptadas às diferentes condições do território brasileiro.
Seu trabalho com melhoramento genético, novas cultivares, sistemas de produção, conservação de recursos naturais e transferência de tecnologia é parte essencial da história da agricultura tropical.
E continua sendo decisivo para o futuro.
Em 2026, por exemplo, a Embrapa apresentou novas cultivares de trigo tropical desenvolvidas para as condições do Cerrado, incluindo uma variedade com elevada resistência à brusone e outra voltada às necessidades da indústria de biscoitos.
Parece apenas uma novidade agrícola.
Mas representa muito mais.
Representa a possibilidade de ampliar alternativas produtivas, reduzir riscos, atender melhor à indústria, diversificar a produção nacional e diminuir vulnerabilidades de abastecimento.
É a ciência criando novas possibilidades econômicas.
Quando um pesquisador desenvolve uma variedade mais adaptada à seca, não está apenas aperfeiçoando uma planta.
Está ajudando a proteger a renda de um produtor.
Quando uma tecnologia permite utilizar menos água, reduzir perdas ou otimizar o uso de insumos, ela não está apenas melhorando um processo.
Está contribuindo para tornar a atividade mais eficiente, competitiva e ambientalmente responsável.
O conhecimento também produz riqueza. E, no agro, pode produzir riqueza preservando os recursos dos quais ela depende.
A sustentabilidade não é o contrário do lucro. É a condição de sua continuidade.
Durante muito tempo, parte do debate público tratou produtividade e preservação ambiental como forças necessariamente opostas.
Como se fosse preciso escolher entre produzir e conservar.
Entre crescer e proteger.
Entre competitividade e responsabilidade.
Essa é uma visão que precisa ser superada.
O futuro do agronegócio exige conciliar essas dimensões, reconhecendo os impactos reais da atividade e enfrentando-os com ciência, investimento, gestão e transparência.
Não existe produção agrícola duradoura sem solo saudável.
Não existe pecuária competitiva no longo prazo sem manejo adequado, eficiência produtiva e atenção aos impactos ambientais.
Não existe prosperidade no campo sem disponibilidade de água, estabilidade climática e preservação dos recursos naturais.
E não haverá acesso irrestrito aos mercados internacionais para quem não conseguir demonstrar origem, rastreabilidade, conformidade e responsabilidade em suas cadeias produtivas.
A sustentabilidade deixou de ser apenas um atributo reputacional.
É uma questão estratégica.
É gestão de riscos.
É redução de desperdícios.
É eficiência energética.
É capacidade de adaptação.
É segurança de abastecimento.
É continuidade do negócio.
E, acima de tudo, é também sustentabilidade econômica.
Porque não basta exigir que o produtor seja ambientalmente responsável se a atividade não oferece condições econômicas para que ele permaneça produzindo.
Um pequeno agricultor precisa ter acesso à tecnologia, ao crédito, à assistência técnica, à infraestrutura e a mercados que remunerem adequadamente seu trabalho.
Uma propriedade precisa gerar resultado para continuar investindo em práticas melhores.
Uma família precisa encontrar perspectivas de renda para permanecer no campo.
Uma cooperativa precisa ser competitiva para ampliar oportunidades aos seus associados.
E uma grande operação precisa ter produtividade, governança e capacidade de investimento para sustentar sua atividade ao longo das décadas.
A sustentabilidade econômica não dispensa as responsabilidades ambientais e sociais. Ao contrário: cria condições para que elas sejam incorporadas de forma permanente, sem depender apenas de iniciativas pontuais.
Não existe sustentabilidade verdadeira quando o meio ambiente perde. Mas também não existe sustentabilidade duradoura quando o produtor não consegue sobreviver.
O grande desafio brasileiro é transformar responsabilidade em competitividade, tecnologia em eficiência e preservação em oportunidade.
Produzir mais valor, com menor desperdício, menor impacto e maior capacidade de distribuir prosperidade.
Esse é um compromisso com o presente.
E uma responsabilidade com as próximas gerações.
ESALQ/USP: o futuro do agro também precisa de um endereço para a inovação
Nesse cenário, é impossível ignorar a importância da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a ESALQ/USP.
Uma instituição centenária que ajudou a formar gerações de profissionais, pesquisadores, empreendedores e lideranças responsáveis por transformar a agricultura brasileira.
A ESALQ representa uma das expressões mais importantes de uma ideia que deveria orientar o desenvolvimento do país: nenhuma potência produtiva se sustenta sem uma potência científica.
Mas seu papel não se limita à formação acadêmica ou à produção de conhecimento.
A ESALQ também busca aproximar, cada vez mais, a pesquisa do mercado, a universidade das empresas e as descobertas científicas dos desafios concretos da sociedade.
Essa ambição ganha uma dimensão especial com o Esalq Science Park, o Parque Científico e Tecnológico A3 — Agricultura, Alimentos e Ambiente.
Uma iniciativa em desenvolvimento, concebida para reunir pesquisadores, startups, empresas, instituições e empreendedores em um ambiente voltado à criação e à aplicação de novas tecnologias.
O parque ainda está em processo de implantação, mas sua visão é extraordinariamente relevante.
É a busca por um ambiente em que uma descoberta acadêmica possa encontrar investidores.
Em que uma solução desenvolvida por pesquisadores possa se transformar em produto.
Em que startups possam crescer próximas de laboratórios, especialistas e empresas.
Em que jovens talentos encontrem oportunidades para empreender sem precisar abandonar o ambiente onde o conhecimento é produzido.
E em que a agricultura do futuro seja pensada a partir de três dimensões inseparáveis: produção, alimentação e meio ambiente.
Piracicaba, com sua tradição científica e seu ecossistema de inovação, simboliza essa possibilidade de integração.
O que está em construção não é apenas um espaço físico.
É uma ponte entre conhecimento e desenvolvimento.
Entre pesquisa e mercado.
Entre sustentabilidade e competitividade.
Entre a universidade que investiga os problemas e o setor produtivo que precisa encontrar soluções.
Se o campo é um dos grandes motores da economia brasileira, a ciência é parte essencial da energia que mantém esse motor em movimento.
E iniciativas como o Esalq Science Park apontam para um futuro em que a vantagem competitiva do Brasil poderá ser medida não apenas pelo que conseguimos produzir, mas também pelo conhecimento que somos capazes de criar, transformar e exportar.
Nenhuma porteira internacional pode permanecer fechada
Vivemos um momento em que o mundo redesenha suas alianças econômicas, seus acordos comerciais e suas cadeias de suprimento.
A recente vitória democrata nas eleições legislativas americanas de 2026, com a conquista do controle da Câmara e do Senado, introduz uma nova configuração de forças na política dos Estados Unidos.
Isso não significa uma mudança automática nas tarifas, nem o desaparecimento das disputas comerciais. Significa um novo ambiente de negociação, fiscalização e disputa de prioridades, cujos efeitos dependerão das decisões políticas que virão.
Para o Brasil, a lição é clara.
Não podemos permitir que o futuro do agronegócio dependa de uma única potência, de um único bloco econômico, de uma única orientação política ou de uma única rota comercial.
Precisamos vender para os Estados Unidos, para a China, para a Europa, para a Ásia, para a África, para o Oriente Médio e para todos os mercados em que nossos produtos possam competir.
O agro brasileiro é um dos nossos maiores embaixadores comerciais.
Ele leva a marca do Brasil ao mundo muito antes de muitos consumidores estrangeiros conhecerem nossas cidades, nossa cultura ou nossas empresas.
Mas esse papel exige diplomacia, inteligência, competitividade, sustentabilidade e capacidade permanente de negociação.
Exige também compreender que a nova geopolítica não envolve apenas alimentos.
O Brasil dispõe de importantes reservas de terras raras, minerais fundamentais para setores como eletrônica, energia e tecnologias avançadas. Embora pertençam à cadeia mineral, e não à agropecuária, elas revelam uma oportunidade estratégica semelhante: deixar de ser apenas fornecedor de matérias-primas e ampliar nossa participação nas etapas de processamento, transformação tecnológica e geração de valor.
O mesmo raciocínio deve valer para o campo.
Precisamos continuar exportando commodities, mas também agregar conhecimento, tecnologia, marcas, serviços e produtos industrializados.
Precisamos exportar soja, café, milho, algodão e proteínas, mas também ampliar nossa capacidade de exportar inovação, genética, inteligência, tecnologia e soluções sustentáveis.
Porque o mundo não estará interessado apenas em saber quanto conseguimos produzir.
Estará cada vez mais interessado em saber como produzimos, que impactos geramos e que segurança oferecemos às cadeias globais de abastecimento.
Um país que produz para o mundo não pode pensar pequeno. E um país que deseja liderar não pode fechar suas próprias portas.
As cidades do agro são o Brasil que já descobriu o futuro
Há outro fenômeno que merece atenção.
O desenvolvimento do agronegócio não transforma apenas o campo.
Transforma cidades inteiras.
Em importantes centros do interior brasileiro, o dinamismo das cadeias agropecuárias movimenta a construção civil, o comércio, os serviços, a educação, a saúde, o mercado imobiliário e o consumo de produtos de alto valor agregado.
São cidades onde a riqueza gerada pela produção circula por diferentes atividades econômicas.
Cidades que combinam tradição empreendedora e modernidade.
Cidades onde convivem grandes produtores, empresários, profissionais especializados, trabalhadores, famílias e novas gerações que desejam investir, consumir e construir seu futuro.
Poucos anos atrás, tive uma vivência que ilustra muito bem esse fenômeno.
A BigBee desenvolveu, para a Perplan, a estratégia de comunicação para o lançamento imobiliário Master Place Grandverse, em Uberlândia.
O empreendimento, com unidades de aproximadamente 70 metros quadrados, foi objeto de um planejamento criterioso.
Estudamos o mercado, aprofundamos o entendimento das personas, desenvolvemos um conceito de performance criativa consistente e construímos uma estratégia de comunicação alinhada ao perfil e às aspirações dos potenciais compradores, com técnica e encantamento.
O resultado foi extraordinário.
Em apenas cinco horas após a abertura das vendas, 100% das 250 unidades haviam sido comercializadas.
Naturalmente, esse desempenho foi resultado de muitos fatores: a qualidade do empreendimento, localização, o trabalho da incorporadora, o planejamento comercial e toda a estratégia desenvolvida pela agência.
Mas havia um elemento que não poderia ser ignorado.
Uberlândia está inserida em uma região profundamente conectada às cadeias econômicas do agronegócio.
E isso diz muito.
Diz que o agro não movimenta apenas máquinas agrícolas, fertilizantes, sementes, frigoríficos ou silos.
Movimenta também apartamentos, automóveis, escolas, restaurantes, luxo, viagens, moda, tecnologia, entretenimento e investimentos.
Movimenta sonhos. E isso não passou despercebido pelo nosso trabalho de planejamento.
O sucesso de um lançamento imobiliário não prova, isoladamente, quanto dessa demanda veio do campo. Mas demonstra a força de um ambiente econômico no qual o agronegócio participa de uma rede ampla de geração e circulação de riqueza.
É uma economia que transborda.
E o que acontece em Uberlândia encontra paralelos em diferentes regiões do Brasil.
O campo prospera. A cidade se transforma. O consumo se expande.
E há algo ainda mais importante.
Quando o desenvolvimento econômico é acompanhado por educação, pesquisa, infraestrutura, responsabilidade socioambiental e oportunidades para pequenos e grandes empreendedores, ele deixa de representar apenas crescimento.
Passa a representar desenvolvimento.
O agro não termina onde acaba a propriedade rural. Muitas vezes, é ali que começam novos mercados.
E saber comunicar todo esse virtuosismo econômico é essêncial.
O Canal Rural, por exemplo, não representa apenas um setor. Representa um Brasil inteiro neste contexto.
E é justamente aqui que chegamos a um ponto fundamental.
Se o agronegócio brasileiro ultrapassa fronteiras geográficas, econômicas, culturais e sociais, sua comunicação também precisa ultrapassá-las.
Não basta falar com quem produz.
É preciso compreender quem transforma, quem transporta, quem financia, quem comercializa, quem trabalha, quem investe e quem consome a riqueza gerada por essa cadeia.
É preciso falar com o Brasil que vive do agro, trabalha com o agro, investe no agro e cresce com o agro.
Mas também é preciso falar sobre o Brasil que pesquisa.
Sobre quem desenvolve novas variedades, cria tecnologias, conserva recursos naturais, testa soluções, empreende e prepara as próximas gerações para os desafios do campo.
É preciso abrir espaço para o grande e para o pequeno produtor.
Para o empresário e para o pesquisador.
Para a indústria e para a universidade.
Para o negócio que já é uma potência e para a ideia que ainda está nascendo em um laboratório.
E poucas marcas de comunicação construíram uma relação tão profunda com esse universo quanto o Canal Rural.
Ao longo de três décadas, o Canal Rural se tornou uma das grandes referências de informação, credibilidade e relacionamento do agronegócio brasileiro.
Uma marca que entende a linguagem de quem está no campo, acompanha os desafios de quem produz e interpreta os acontecimentos que influenciam o presente e o futuro do setor.
Mas seu patrimônio mais valioso talvez não esteja apenas no conteúdo que transmite.
Está na confiança que construiu.
Porque audiência se conquista. Mas confiança se cultiva.
E confiança, como uma boa safra, exige tempo, consistência, conhecimento e compromisso.
O Canal Rural reúne um público que não é homogêneo e nem pode ser tratado como tal.
Há pequenos e grandes produtores. Executivos e empresários. Jovens empreendedores e famílias com gerações de tradição rural. Profissionais, técnicos, investidores e formadores de opinião.
Há quem compre um trator e quem compre um apartamento.
Quem invista em tecnologia e quem esteja escolhendo seu próximo automóvel.
Quem busque equipamentos para a produção e quem tenha poder de consumo para marcas de luxo.
Quem precise de crédito, educação, saúde, viagens, serviços ou produtos básicos para a família.
Há também quem esteja procurando uma solução de agricultura de precisão, uma variedade mais resistente, uma tecnologia de irrigação, uma alternativa energética ou uma forma de tornar seu negócio mais sustentável e rentável.
É uma audiência que produz riqueza. Mas, igualmente importante para as marcas, é uma comunidade que consome, investe, pesquisa, inova e influencia decisões.
E aqui reside uma oportunidade extraordinária para a publicidade brasileira.
Durante muito tempo, alguns anunciantes olharam para os veículos especializados em agronegócio como espaços destinados exclusivamente à venda de produtos e serviços rurais.
É uma visão pequena para um mercado tão grande.
O Canal Rural também pode ser um ambiente estratégico para marcas de automóveis, mercado imobiliário, instituições financeiras, seguradoras, turismo, educação, tecnologia, moda, saúde, entretenimento e bens de consumo.
E pode ampliar ainda mais sua relevância como ambiente de conexão entre a pesquisa científica, o empreendedorismo tecnológico, os negócios e as novas exigências de sustentabilidade.
Não porque todos os seus espectadores tenham o mesmo poder aquisitivo.
Mas porque sua audiência reúne diferentes perfis de consumo, conectados por interesses econômicos, profissionais e culturais que merecem ser compreendidos com profundidade.
O desafio das marcas não é apenas alcançar esse público.
É saber conversar com ele.
E, nesse aspecto, a reputação do Canal Rural representa um diferencial que vai muito além da cobertura de mídia.
O agro não cabe num polo. Mas pode se encontrar em um canal.
Em um país de dimensões continentais, já não faz sentido imaginar que a força do agronegócio esteja confinada a determinadas regiões, a um conjunto restrito de setores ou a poucas fronteiras comerciais.
O agro está no Centro-Oeste e no Sudeste. Está no Sul, no Norte e no Nordeste.
Está nos grandes centros produtores e nos pequenos municípios.
Está no comércio exterior e no abastecimento interno.
Está na fazenda e no supermercado.
Está na indústria, na ciência, no crédito, na infraestrutura e na tecnologia.
Está na pesquisa da Embrapa.
Nos laboratórios da ESALQ.
Nas cadeias de distribuição da CEAGESP/SP.
Nas startups que desenvolvem soluções para problemas que ainda nem entraram na agenda dos grandes mercados.
Está em quase tudo aquilo que consumimos, direta ou indiretamente.
É uma potência que não cabe mais nas velhas definições.
E o Canal Rural tem a oportunidade de traduzir essa grandeza para um universo ainda maior de anunciantes.
Porque seu valor não está apenas em entregar espectadores, visualizações ou cobertura geográfica.
Está em conectar marcas a pessoas que participam ativamente da construção econômica do Brasil.
Pessoas que produzem, empregam, decidem, investem, compram, pesquisam, preservam e sonham.
Comunidades que fazem a riqueza circular.
E que ajudam a transformar o interior brasileiro em um território de inovação, oportunidades e consumo, e está nos centros urbanos, nas novas gerações, na Faria Lima e na favela de Heliópolis.
O futuro do agro não será definido apenas pelo volume da próxima safra.
Será definido também pela capacidade de transformar produtividade em prosperidade, exportações em desenvolvimento, ciência em soluções, tecnologia em competitividade e crescimento em oportunidades para toda a sociedade.
Será definido pela inteligência de compreender que o solo não é inesgotável, a água não é infinita e o conhecimento será cada vez mais decisivo.
Será definido por nossa capacidade de conciliar rentabilidade e responsabilidade, preservação e produtividade, desenvolvimento econômico e justiça social.
Para isso, precisaremos de mais mercados abertos.
Mais pontes.
Mais ciência.
Mais inovação.
Mais sustentabilidade.
Mais confiança.
Mais comunicação.
E de veículos capazes de compreender que a grandeza do agronegócio não se mede apenas por hectares, toneladas ou dólares exportados.
Mede-se também pelo conhecimento que produz, pelos recursos que preserva, pelas vidas que transforma e pelo futuro que ajuda a construir.
O agro brasileiro é grande demais para caber em um polo. Grande demais para depender de poucas fronteiras. Grande demais para ser reduzido a um único perfil de consumidor.
É uma força que atravessa o Brasil e alcança o mundo.
Uma força que precisa da grandeza dos nossos produtores, da inteligência dos nossos pesquisadores, da visão dos nossos empreendedores e da responsabilidade de quem sabe que nenhuma prosperidade pode ser construída destruindo as condições que a tornam possível.
E, se toda essa potência não cabe nos polos, nas porteiras ou nas fronteiras, ela pode se encontrar no Canal Rural.
Porque o Canal Rural entrega muito mais do que audiência. Entrega comunidades.
Entrega um Brasil que planta, pesquisa, cria, produz, preserva, transforma e consome.
Entrega conexão com quem produz a riqueza do Brasil. E com quem transforma essa riqueza em futuro. Porque sabe que o que trouxe o mercado até aqui, não necessariamente o levará ao futuro da mesma forma, e essa é a chave para abrir das porteiras às novas fronteiras que o futuro nos reserva.
Afonso Abelhão é sócio e CEO da agência BigBee, especialista em marketing agro, presidente da APP BRASIL, conselheiro no IVC e no CONAR. https://www.linkedin.com/in/afonsoabelhao/


