InícioMercadoO preço de gerir aparências em vez de gerir riscos.

O preço de gerir aparências em vez de gerir riscos.

Bom dia! Deixa eu te contar uma coisa…

Houve uma época recente em que o ambiente corporativo se deixou seduzir pela ideia de que liderar no topo era sinônimo de performar. Multiplicaram-se figuras que dominavam palcos de eventos, replicavam à exaustão os jargões da moda e transformavam o feed das redes sociais em um confessionário público de virtudes intocáveis, e cá entre nós ainda há!

Durante anos, criou-se a perigosa ilusão de que somar dezenas de milhares de seguidores, colecionar curtidas fáceis e marcar presença semanal em podcasts conferia, por si só, autoridade executiva e isso gerou algo preocupante, a confusão entre uma notoriedade passageira com o peso institucional que sustenta uma organização.

E isso, de certa forma, tornou-se desconfortável para o mercado, o qual demorou a se questionar: “O que sobra de todo esse magnetismo quando a porta da sala de reuniões se fecha e a pressão real do dia a dia se instala?”

A volatilidade econômica, o custo elevado do capital e as crises operacionais têm o hábito implacável de expor as fundações de cada profissional, não adiante vender uma imagem perfeita e no primeiro banho de lama se descobrir a verdadeira identidade deste profissional. Quando a margem do negócio encolhe, quando o investidor hesita antes de assinar o aporte e quando as decisões acarretam perdas e desgastes severos, o carisma ensaiado simplesmente para de funcionar e DESAPARECE!. A plateia digital aplaude o discurso inspirador, mas a mesa de um conselho de administração analisa o silêncio, a compostura sob confronto e o rastro ético de quem está à frente da tomada de decisão.

O(a) líder puramente performático(a) opera em um estado crônico de dependência da validação externa, pois como a sua autoridade é construída de fora para dentro, ele(a) gasta uma quantidade desproporcional de tempo e energia gerenciando impressões em vez de gerenciar riscos e tomadas de decisão. Quando isso tudo é apenas performático, ele(a) teme a discordância na sala, foge dos atritos necessários para corrigir a rota do negócio e modula sua opinião ao sabor da tendência do momento para não desagradar à massa.

Só que nas empresas, quem tenta agradar a todos revela a ausência de um eixo estratégico próprio. A busca incessante por aprovação fácil não é sinal de empatia, mostra um sintoma mais claro que é o da insegurança executiva.

Essa fragilidade cobra um preço altíssimo quando a companhia entra em rota de colisão. Líderes habituados ao aplauso costumam paralisar diante da necessidade de bancar escolhas impopulares, eles(as) hesitam em cortar custos, adiam reestruturações dolorosas e evitam

conversas francas com acionistas porque temem arranhar a própria imagem pública, de uma forma mais popular, “empurram com a barriga” situações e decisões que precisariam ser tomadas de bate pronto. E a consequência disso é que enquanto a liderança hesita para proteger a sua persona, a operação sangra e o valor de mercado desidrata.

Agora, em contrapartida, a verdadeira autoridade de governança é silenciosa, densa e sóbria. Ela não disputa espaço com influenciadores corporativos nem precisa justificar a própria competência a cada minuto, pois ela já é um(a) líder de pensamento. O seu valor reside no Capital de Influência acumulado com método ao longo dos anos: na coerência visceral entre o que se defende publicamente e o que se banca na solidão do bastidor.

Um(a) executivo(a) com lastro compreende que a sua marca pessoal não é uma peça publicitária de vaidade, mas um ativo financeiro e estratégico de redução de risco para a empresa e para el(a). O conselho aposta na sua serenidade porque reconhece cicatrizes reais de quem já navegou tempestades anteriores sem perder o leme nem negociar princípios fundamentais. Quando esse(a) líder fala em uma mesa diretiva, ele(a) não busca aplausos, busca precisão. A sua presença acalma os stakeholders, ancora a equipe em momentos de incerteza e transmite ao mercado a previsibilidade de que a companhia está sob controle firme.

Ter lastro institucional significa possuir um patrimônio que independe da aprovação efêmera dos algoritmos. Significa que, se o crachá corporativo for recolhido hoje, o mercado continuará atendendo ao seu chamado amanhã, não pela audiência acumulada em uma rede, mas pelo respeito conquistado nas decisões mais duras da carreira.

A era da encenação executiva esgotou o seu crédito. O mercado cansou de figuras que prometem nos auditórios aquilo que a operação do negócio é incapaz de sustentar no balanço. Quem depende do volume dos holofotes para parecer relevante desaparece no exato momento em que a realidade exige firmeza moral e consistência técnica.

E aqui temos um ponto importantíssimo a ser levantado. Construir essa solidez institucional, contudo, raramente é um exercício solitário, por exemplo, nenhum cirurgião opera a si próprio, e nenhum líder no topo consegue auditar com total isenção os próprios pontos cegos. Quando se está imerso na intensidade da operação, a tendência natural é confundir o esforço imediato com relevância de longo prazo, permitindo que a imagem corporativa se desgaste por omissão ou se disperse em iniciativas superficiais.

Dar o salto da mera execução técnica para a autoridade inquestionável exige método, distanciamento crítico e uma arquitetura deliberada de reputação. Exige sentar à mesa com quem compreende as engrenagens ocultas da governança de reputação e estratégias de marca e sabe depurar o ruído para extrair a verdadeira essência da sua liderança.

O valor supremo do seu percurso profissional não reside nas tarefas que cumpre diariamente, mas na autoridade que o seu nome evoca quando já não está na sala. Assumir a gestão estratégica desse patrimônio não é um capricho estético, é a decisão mais lúcida e determinante

para assegurar que a sua voz continue indispensável nas decisões que moldam o futuro do mercado.

Bora trabalhar essa marca?

Paulo Moreti | Blindagem estratégica de reputação para executivos | Personal Branding Advisor

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