A Mostra Comemorativa do Cinema Pernambucano teve abertura oficial na noite desta quinta-feira (6), no Cinema São Luiz, no Recife, com a exibição de “Baile Perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, longa que completa 30 anos. A sessão reuniu quatro nomes responsáveis pelas obras celebradas pela mostra: Lírio Ferreira, diretor de “Baile Perfumado”; Gabriel Mascaro, de “Boi Neon”; e Cláudio Assis e Hilton Lacerda, respectivamente diretor e roteirista de “Baixio das Bestas”.
Realizada pela Imovision, a mostra celebra os aniversários de quatro marcos do cinema pernambucano: além de “Baile Perfumado”, “Baixio das Bestas” e “Cinema, Aspirinas e Urubus” chegam aos 20 anos, e “Boi Neon” completa a primeira década. Depois da abertura no Recife, a mostra ganha uma celebração em São Paulo no dia 11, no Reserva Cultural, com exibição de “Baile Perfumado” e presença de Lírio Ferreira, Gabriel Mascaro, Marcelo Gomes e o produtor João Vieira. E depois segue em circuito nacional entre os dias 13 e 19 de agosto, com sessões dos quatro filmes em cerca de 30 salas por todo o país, incluindo Salvador, Natal, Fortaleza, Maceió, Aracaju, Belém, Manaus, Palmas, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis.
A mostra celebra a força, a identidade e o impacto do cinema pernambucano no cenário nacional e internacional, reunindo filmes que marcaram época e ajudaram a projetar Pernambuco como um dos polos mais inventivos do audiovisual brasileiro. Ao revisitar essas obras, a programação reconhece produções que ampliaram o alcance estético, político e afetivo do cinema nacional, preservando histórias, paisagens e modos de ver que compõem a cultura do país.
Lançado em 1996, “Baile Perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, acompanha Benjamin Abrahão, mascate libanês e amigo íntimo do Padre Cícero, que decide filmar Lampião e seu bando acreditando que o registro poderá transformá-lo em um homem rico. Entre o fascínio pelo cangaço, a ambição do cinema e a repressão da ditadura do Estado Novo, o filme se tornou um marco da retomada do cinema pernambucano e brasileiro, conquistando o prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília e revelando uma nova geração de realizadores.
Em “Baixio das Bestas”, Claudio Assis constrói um retrato duro e provocador sobre violência, exploração e degradação social a partir da história de Auxiliadora, adolescente explorada pelo avô em uma pequena comunidade marcada pela brutalidade. Lançado em 2006, o filme reafirmou a força autoral do diretor pernambucano, que já havia chamado atenção com “Amarelo Manga”, e conquistou o Festival de Brasília.
Também lançado em 2006, “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes, se passa em 1942, no sertão nordestino, e acompanha o encontro entre Johann, alemão que foge da Segunda Guerra Mundial e atravessa o interior vendendo aspirinas, e Ranulpho, homem simples que sempre viveu no sertão e passa a trabalhar como seu ajudante. Viajando de povoado em povoado, os dois exibem filmes promocionais sobre o remédio para pessoas que nunca haviam ido ao cinema. Selecionado para a mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes, o longa também integrou a lista da Abraccine dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
Completando 10 anos, “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, mergulha nos bastidores das vaquejadas para acompanhar Iremar, vaqueiro que vive na estrada com um grupo de trabalhadores enquanto alimenta o sonho de criar roupas no polo de confecção do semiárido nordestino. Entre o universo rural, a industrialização da região e novas possibilidades de identidade e desejo, o filme conquistou reconhecimento internacional, incluindo o Prêmio Especial do Júri da mostra Horizontes, no Festival de Veneza, além de prêmios no Festival do Rio, em Hamburgo e em Toronto.


