quinta-feira, março 26, 2026
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O Brasil que exporta muito além de frutas, exporta valor 

A Fruit Attraction São Paulo não é apenas uma feira. É um mapa.

Um mapa onde frutas, legumes e verduras deixam de ser alimentos e passam a ser estratégia. Onde a maçã conversa com a geopolítica, e a manga começa a entender de acordos internacionais.

Pode parecer exagero.
Mas não é.

Durante muito tempo, exportar FLV (frutas, legumes e verduras) era quase um exercício de destino: produzia-se bem, vendia-se para onde sempre se vendeu, e a roda girava.

Mas o mundo mudou.

E mudou rápido.

Guerras reposicionaram rotas.
Cadeias logísticas ficaram frágeis.
Mercados antes previsíveis começaram a oscilar.
E, no meio disso tudo, surge uma palavra que nunca foi tão importante: diversificação.

O acordo Mercosul-União Europeia, por exemplo, não é apenas um documento diplomático.
É uma oportunidade, e também um desafio.

Porque abrir portas não significa automaticamente saber entrar.

Significa adaptar padrões.
Elevar exigências.
Entender novas culturas de consumo.
E, principalmente, competir em um nível onde qualidade já não é diferencial, é premissa.

Mas existe algo ainda mais determinante nesse novo cenário: valor de marca.

Na Fruit Attraction São Paulo, isso deixa de ser teoria e vira prática.

Empresas como a Gold Fruit mostram exatamente esse movimento de transição para marca global.

Segundo Claudia Medeiros, Gerente de Exportação da Gold Fruit:

“A Fruit Attraction é importante para o fortalecimento de parcerias, novas oportunidades e networking, e uma empresa como a Gold Fruit não pode deixar de participar.”

Mas por trás dessa presença existe estratégia.

A empresa está ampliando sua atuação internacional:

“A Gold, a partir do segundo semestre, vai entrar com mais força na América do Sul, na África do Sul e na Coreia do Sul. Também estamos construindo um novo Packing House moderno, que atende aos critérios mais exigentes para exportar para esses mercados.”

Ou seja, não se trata apenas de vender mais.

Trata-se de se preparar melhor para competir globalmente.

Hoje, a Gold já exporta para 16 países, e esse número deve chegar rapidamente a 21 mercados.

E existe um dado que revela muito:

“90% das exportações são da nossa manga Gold.”

Não é só uma fruta.

É um produto com identidade.
Com padrão.
Com valor agregado.

Umajoia rara do agro brasileiro.

Mas vender para o mundo exige mais do que qualidade.

Exige tradução.

Segundo Eliária Reis, gerente de Marketing da Gold:

“O papel da construção de marca, apresentação da qualidade das mangas e os valores da empresa precisam de um trabalho de diagnóstico e estratégia muito elaborados para a entrada nesses países com cultura e hábitos tão diferentes.”

Essa frase talvez resuma o maior desafio do agro brasileiro hoje. Não basta produzir bem, é preciso se posicionar bem.

Porque quem não constrói marca vira commodity.

E commodity disputa preço.
Enquanto marca disputa valor.

Comunicação, nesse cenário, deixa de ser apoio, e passa a ser estratégia central.

É ela que traduz o campo para o mundo.
Que transforma qualidade em percepção.
Que conecta o Brasil a consumidores que nunca pisaram aqui.

Sem comunicação, o produto chega.
Mas não permanece.

Sem storytelling, há venda.
Mas não há preferência.

E, no meio disso tudo, existe também uma filosofia de crescimento.

Segundo Mario Otsuka, CEO da Gold:

“Sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho. É preciso levantar todos os dias com o mesmo entusiasmo e foco nos objetivos traçados.”

Talvez essa seja a síntese da Fruit Attraction.

Não é sobre volume.
É sobre visão.

Porque, no fim, a feira nos lembra de algo essencial:

O agro brasileiro não precisa apenas exportar mais.

Precisa exportar melhor.
Com estratégia.
Com marca.
Com narrativa.

O Brasil tem algo raro.

Escala.
Diversidade climática.
Capacidade produtiva.

Mas, cada vez mais, isso não basta.

O jogo agora é outro.

É sobre:

  • inteligência de mercado
  • construção de marca
  • estratégia
  • comunicação
  • e identidade global

No meio dos corredores da feira, entre estandes e degustações, existe uma pergunta silenciosa:

o Brasil quer apenas exportar frutas…
ou quer exportar valor?

Porque, no fim, não estamos falando só de FLV.

Estamos falando de como um país se posiciona no mundo.

E de algo ainda mais importante:

de como ele decide ser lembrado.

Afonso Abelhão é sócio e CEO da agência BigBee, especialista em marketing agro e presidente da APP Brasil.

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