Baco Exu do Blues une-se a Coala Festival, AKQA e Stink Films para uma ode à cultura negra

O projeto de lançamento do disco Bluesman foi desenvolvido por uma parceria entre o Coala Festival e a agência AKQA de São Paulo. O Coala está no processo de transição para deixar de ser apenas um festival de música e se tornar uma marca de música, expandindo suas atuações para projetos que ainda permeiam o universo musical mas que extrapolam o evento em si. A ideia é ser um viabilizador de projetos de artistas e também ser uma ponte criativa entre esses artistas e marcas que querem fazer parte do universo da música.

Já a AKQA São Paulo, estúdio brasileiro de uma das mais importantes agências globais de inovação, tem associado a sua criatividade ao entretenimento e cultura. Internacionalmente, através de projetos para artistas renomados como Usher, Yo-Yo Ma, Elton John e Lady Gaga. Localmente, seu estúdio denominado AKQA Casa, é um espaço onde artistas e coletivos interagem com os talentos in-house, na criação de soluções que amplificam as possibilidades da arte e da ciência.

As duas empresas se juntaram nesse projeto para desenvolver a identidade visual do disco e a estratégia de lançamento do Bluesman que conta, como peça principal, não um simples videoclipe, mas um curta de mais de 7 minutos que busca a quebra de estereótipo imposto aos negros pela sociedade.

O fio condutor da narrativa é pautado na corrida de um jovem negro pelas ruas de São Paulo. Sem dar nenhum indício da razão dessa corrida, o espectador deve assumir, inicialmente, um motivo por conta própria. Enquanto o protagonista corre, entramos em cenas que variam entre memórias reais e pensamentos mais lúdicos sobre a sua vivência. A dúvida pode existir até o ponto em que é revelado o real motivo: ele simplesmente estava atrasado para sua aula de música. Nesse sentido, o filme busca trazer reflexão sobre uma realidade vivida pela população negra no Brasil. O filme tem também como objetivo tentar quebrar um estereótipo do negro em produções audiovisuais brasileiras, colocando o protagonista em um papel pacífico, feliz e esperançoso.

Nada na produção foi feita ao acaso. A produção áudio é da responsabilidade da Satélite, uma das produtoras de som nacionais mais premiadas internacionalmente. Já a direção, ficou a cargo do diretor gaúcho Douglas Bernardt, da Stink, grupo internacional com foco em criatividade, posicionado entre as produtoras líderes da indústria ao redor do mundo.

O protagonista do filme, Kelson Succi, 24 anos, é morador do Complexo do Alemão e idealizador do projeto “Cuidado com Neguin”. Uma potência criativa artística que tem como base a vivência e deslocamento de um jovem negro, que sobe e desce o Complexo do Alemão diariamente para ocupar a cidade, o mundo. Ele como pessoa, já é a quebra de estereótipo que o seu papel no filme “Bluesman” busca retratar. Uma das principais locações do filme é a Ocupação 9 de Julho, no antigo Hotel Cambridge.

A escolha do local foi feita com base no que aquele ambiente representa também em termos de quebra de estereótipo. Muitos que nunca entraram em uma ocupação como essa tendem a ter uma visão preconceituosa do que acontece lá dentro. Diferente do que se pensa, a Ocupação 9 de Julho é um ambiente organizado, que oferece moradia digna para quem não tem ajuda do governo. São mais de 150 famílias vivendo no prédio que oferece bazar de roupas, biblioteca comunitária, brinquedoteca, marcenaria e espaço para exposições. Boa parte da escolha do casting do filme também foi feita com os moradores da Ocupação, interpretando a si mesmos e retratando suas histórias reais.

Se até agora, Baco se mostrava sem a barreira das palavras, a sua música oferece-se agora com a riqueza visual que merece. Por inteiro, com todos os ângulos cobertos, com todas as entradas e saídas bem assinaladas. É uma clara mensagem de que ele não vai se enquadrar ou se limitar ao que os outros querem.