Com a chegada da Copa do Mundo de 2026, marcas de diferentes setores já começam a olhar para o futebol como uma das principais plataformas de comunicação, entretenimento e conexão com o público. Mas, mais do que um evento esportivo ou uma oportunidade de patrocínio, o Mundial movimenta um ecossistema muito mais amplo, que passa por música, moda, gastronomia, memes, creators, comportamento digital e cultura urbana.
No Brasil, essa relação é ainda mais evidente, já que a Copa ultrapassa o campo e se transforma em um fenômeno social, capaz de mobilizar conversas nas redes, encontros entre amigos, festas, produções audiovisuais, tendências de consumo e narrativas criadas em tempo real. Nesse contexto, o desafio das marcas não é apenas “entrar no clima da Copa”, mas entender como participar de forma relevante das conversas culturais que o futebol provoca.
Para Tico Fernandes, diretor de criação da KondZilla, esse movimento reforça a importância de olhar para o futebol como linguagem cultural. A experiência da companhia na interseção entre audiovisual, música, creators e cultura urbana permite uma leitura sobre como grandes eventos esportivos podem se transformar em plataformas de conteúdo e conexão com comunidades. Segundo ele, marcas que compreendem os códigos culturais do futebol conseguem construir presença de forma mais natural, indo além da exposição publicitária tradicional.
“A Copa não é só um evento esportivo. No Brasil, ela vira moda, música, meme, rua, resenha e identidade. Quem entende essa camada cultural consegue construir campanhas muito mais relevantes”, afirma Tico.
A pauta também pode se conectar ao projeto Casa Cria, desenvolvido pela S4 em parceria com a KondZilla. A iniciativa nasce justamente a partir dessa leitura de que a Copa movimenta muito mais do que o jogo em si. Ao reunir creators, marcas e produção de conteúdo em torno de temas como cultura, música, gastronomia e moda, o projeto funciona como exemplo de como o Mundial pode ser trabalhado a partir de uma lógica social first, em que a narrativa se constrói não apenas pela campanha, mas também pelas conversas, pelos bastidores e pela linguagem das comunidades.
Na visão de Tico, os creators terão um papel central nessa nova dinâmica. Em vez de atuarem apenas como canais de distribuição, eles passam a funcionar como tradutores culturais, capazes de adaptar grandes temas para públicos específicos, com linguagem própria, timing e autenticidade. Em um evento como a Copa, essa capacidade se torna ainda mais relevante, já que a experiência do público não acontece apenas na televisão ou no estádio, mas também nos cortes de vídeo, nos memes, nos reacts, nos grupos de WhatsApp, nas collabs e nos conteúdos que circulam em tempo real.
“A grande mudança é que a Copa não acontece mais só na televisão ou no estádio. Ela acontece no grupo de WhatsApp, no corte de vídeo, no meme, no creator que comenta o jogo, na música que viraliza, na roupa que alguém usa para torcer. É nesse ecossistema que as marcas precisam aprender a se movimentar”, comenta. “O desafio das marcas é não tratar a Copa como uma fantasia pronta. Não adianta só vestir verde e amarelo e entrar na conversa. É preciso entender o que aquele momento representa para as pessoas e como a marca pode contribuir com conteúdo, experiência ou entretenimento”, reforça Tico.