Passado e futuro não precisam ser territórios separados. É a partir dessa ideia que a Talent apresenta “Todos os Futuros Possíveis”, conceito criado para a campanha da 34ª edição do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, que acontece entre 11 e 22 de novembro, em São Paulo. Inspirada pelo tema do festival neste ano, Queerfuturismo, a criação propõe pensar o tempo como múltiplo e fluido, e explora como projetar novos futuros também transforma a maneira de enxergar o passado.
O conceito ganha forma em um manifesto construído a partir de pensamentos como “Hoje já foi sonho um dia” e “Hoje, eu sou todas as possibilidades”. A partir deles, a campanha sugere que imaginar o amanhã não significa romper com o que veio antes, mas abrir espaço para novos pontos de vista, tanto do futuro quanto do passado, até chegar à provocação de que “o tempo é queer”.
Novas formas de existir criam novas visões que reorganizam e ampliam a memória coletiva. Segundo Rodrigo Casanovas, Associate Creative Director (ACD) da Talent, o conceito traz o olhar de que existem inúmeras possibilidades do que vem pela frente, criadas a partir de tantas vivências, identidades e formas de expressão que tivemos até hoje.
“O Queerfuturismo não apaga o passado, mas cria versões do futuro a partir das lutas, enaltecendo quem batalhou pra que o sonho de ontem virasse a realidade de hoje. Um exemplo é Danilo Janjacomo, que assina a campanha in memorian como ECD da Talent. Danilo era uma pessoa generosa e iluminada, que sempre lutou pela representatividade e pela ampliação da presença da comunidade LGBTQIA. Ele é parte da realização de um futuro e a inspiração para ainda mais futuros”, complementa Casanovas.
Essa relação entre tempo e memória também orienta a linguagem visual das peças. A campanha utiliza o datamoshing, técnica que produz efeitos de glitch ao tentar prever o próximo frame utilizando a memória da imagem anterior. Para além de uma referência estética ao imaginário futurista, o recurso materializa o momento de transição entre o passado conhecido e o futuro que ainda está sendo criado.
“Queríamos representar o Queerfuturismo sem cair nos estereótipos de futuro. Foi daí que surgiu a ideia do datamoshing, uma distorção digital da imagem que recontextualizamos para representar essa transição fluida, em que entre uma cena e outra, tudo se mistura. O resultado é essa relação entre o humano e o digital, entre o passado e o futuro”, explica José Pedro Bortolini, Diretor de Criação da Talent.
Realizado pela Associação Cultural Mix Brasil, o festival reúne cinema, teatro, exposições, literatura, games e experiências imersivas de realidade estendida.


