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Apro+Som quer transformar o reconhecimento do som

O audiovisual brasileiro vive uma contradição: embora o som seja parte indissociável de qualquer obra audiovisual, sua produção ainda não ocupa o mesmo lugar institucional, econômico e criativo atribuído à imagem.

É justamente para mudar essa lógica que a presidente Bia Ambrogi da Apro+Som (Associação Brasileira das Produtoras de Som) vem ampliando sua atuação com o desafio de transformar o reconhecimento do áudio como parte fundamental do audiovisual em novas possibilidades de remuneração, negócios e projeção internacional para o setor.

À frente da entidade desde 2022, Ambrogi articula uma agenda que combina reconhecimento institucional e defesa de pautas regulatórias, priorizando iniciativas que podem gerar impactos mais concretos para produtoras, autores e profissionais da produção sonora. Uma das frentes que avançaram nesse percurso é a arrecadação de direitos pela execução pública de obras sonoras na publicidade. A possibilidade, historicamente pouco explorada pelo setor, passou a ser discutida pela Apro+Som a partir de uma articulação conduzida por Bia junto à Secretaria de Direito Autoral e Intelectual. O diálogo identificou que não há impedimento legal para a arrecadação e abriu uma nova frente de trabalho para estruturar, junto às entidades de gestão coletiva e aos demais elos da cadeia, os caminhos para sua implementação.

“A possibilidade de arrecadação pode criar uma nova fonte de remuneração para autores e profissionais envolvidos na produção sonora e, ao mesmo tempo, reforçar o reconhecimento do valor econômico do áudio dentro da cadeia audiovisual. Durante muito tempo, ele foi tratado como complemento da imagem, quando, na verdade, são duas linguagens que se unem para formar uma obra. Nosso trabalho é fazer o mercado reconhecer, valorizar e remunerar essa metade”, afirma Bia Ambrogi, presidente da Apro+Som.

Outra frente que ganha força como resultado dessa agenda é o Áudio Brasil, iniciativa que Bia vem articulando para organizar e ampliar a presença da produção sonora brasileira no mercado internacional. A proposta aproxima produtoras e profissionais de oportunidades comerciais fora do país e conecta a Apro+Som a instituições como ApexBrasil e Sebrae, entidades de gestão coletiva e organizações do audiovisual, além de buscar presença estratégica em mercados e eventos internacionais.  “O talento brasileiro já é reconhecido lá fora. O que falta é transformar essa excelência em uma articulação comercial mais estruturada e uma estratégia de exportação, criando caminhos para que mais produtoras de som possam acessar mercados internacionais e fazer do áudio brasileiro um produto de exportação”, afirma.

Em paralelo ao Áudio Brasil, a Apro+Som também integra o Brasil para o Mundo (BPOM), movimento do qual Bia Ambrogi é uma das fundadoras e que reúne artistas, empresários, profissionais da cultura e lideranças da sociedade civil com o objetivo de fortalecer o soft power brasileiro, valorizando a cultura, a criatividade e outros ativos nacionais. A parceria também insere a produção sonora em uma agenda mais ampla de internacionalização da criatividade brasileira, possibilitando sua exportação para novos mercados e a geração de negócios efetivos para o setor. A proposta é estabelecer metas concretas e resultados que vão além da participação em eventos e do networking, incluindo a abertura de mercados e a assinatura de contratos internacionais.

A busca por reconhecimento não se restringe à legislação ou à remuneração. Nesse movimento, a presidente também vê como positivo o fato de o El Ojo de Iberoamérica ter incluído, em 2026, o reconhecimento para Melhor Produtora de Áudio e Som da Ibero-América, ampliando a visibilidade das empresas responsáveis pela criação sonora.

As pautas regulatórias continuam como parte de uma agenda maior. Entre os projetos acompanhados pela entidade está o PL 1.776/2025 em tramitação, o “Pague em 15”, que propõe prazo máximo de 15 dias corridos para pagamentos de contratos de até R$ 200 mil firmados com empresas do setor criativo. A pauta foi uma das frentes levadas pessoalmente por Bia Ambrogi a Brasília, em articulações com parlamentares e representantes do poder público em defesa de condições mais equilibradas para a cadeia.

Também esteve diretamente envolvida na articulação em torno do  PL 2.338/2023, que regulamenta a inteligência artificial por meio da Frente IA Responsável, que reúne mais de 50 associações da economia criativa. Já foi aprovado pelo Senado e acompanha a tramitação do projeto na Câmara  dos deputados, defendendo a transparência sobre os dados utilizados no treinamento das ferramentas, mecanismos de consentimento e oposição, remuneração pelo uso comercial de obras e proteção dos direitos autorais.

Para 2027, a trajetória conduzida por Bia Ambrogi à frente da Apro+Som aponta para uma mudança de posição do áudio dentro do audiovisual para consolidar essa nova etapa com iniciativas permanentes de fortalecimento do setor, incluindo uma base de dados da produção sonora brasileira, novas fontes de receita, formação e boas práticas, ampliação da representação institucional e a realização do primeiro Fórum de Produção Sonora, em articulação com o Sebrae.

“A lógica que conecta essas iniciativas é a mesma: se o som é uma das duas metades do audiovisual, ele precisa ter o mesmo reconhecimento em termos de autoria, direitos e valor econômico. É isso que estamos construindo: condições para que a produção sonora tenha mais espaço, novas oportunidades de mercado e capacidade de exportação”, completa Ambrogi.

https://www.apromaissom.org/

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