Um dado que chama atenção: até 2030, segundo revela a Pesquisa Global de 2025, da Deloitte, 74% da força de trabalho global será formada por Millennials e pela Geração Z. Isso significa que as relações do trabalho estão em mudança e reconfigurando a forma como as empresas precisam engajar seus times de vendas, considerando propósito, saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho passaram a dividir espaço com o salário.
Jornadas longas, ambientes tóxicos e falta de reconhecimento estão entre os fatores apontados como gatilhos desse estresse — colocando o reconhecimento no centro da conversa sobre bem-estar corporativo, e não à margem dela. E é justamente nesse ponto que o novo Report Gerações & Incentivo, elaborado pelo time da Cashin, techfin de incentivos e pagamentos corporativos, traz ao cruzar os dados e insights trazidos pela Deloitte, maior consultoria global em serviços empresariais.
O levantamento aponta um recorte comportamental: como as gerações usam, na prática, o reconhecimento que recebem, e por que incentivá-los da mesma forma já não funciona. Além disso, o que a geração Gen Z, grupo de pessoas nascidas entre 1997 e 2012 e os Millennials, nascidos a partir do início da década de 1980 até meados de 1990, esperam do trabalho; e o que acontece quando uma recompensa chega às mãos desses profissionais.
Na pesquisa, identificou-se uma geração ambiciosa, e cada vez menos presa à ideia tradicional de sucesso: apenas 6% da Geração Z afirmam que seu principal objetivo de carreira é alcançar uma posição de liderança, enquanto 70% da Gen Z e 59% dos Millennials desenvolvem habilidades para avançar na carreira pelo menos uma vez por semana.
O dinheiro continua no topo das preocupações para 48% da Gen Z e 46% dos Millennials, que dizem não se sentir financeiramente seguros, e o custo de vida aparece pelo quarto ano consecutivo como a principal preocupação de ambas as gerações.
Para 89% da Gen Z e 92% dos Millennials o propósito é importante para a satisfação no trabalho e bem-estar. Dinheiro, propósito e bem-estar dividem espaço e a expectativa é conseguir equilibrar os três. O impacto na saúde mental é mensurável: apenas 52% da Gen Z e 58% dos Millennials classificam seu bem-estar mental como bom ou muito bom, enquanto 40% da Gen Z e 34% dos Millennials dizem sentir estresse ou ansiedade o tempo todo ou na maior parte do tempo.
Essa constatação, de certa forma, já é visível no orçamento: o investimento das empresas em incentivos corporativos cresceu 66% no último ano, segundo o Relatório de Tendências de Incentivos 2026, da própria Cashin. Mas, quanto se investe em reconhecimento é só metade da equação. A outra metade é o que a pessoa premiada faz com o que recebe.
O que os dados mostram
Se o relatório da Deloitte aponta que essas gerações dizem valorizar, os dados da Cashin mostram o que elas fazem quando o incentivo chega. O levantamento analisou mais de 170 mil premiações, de janeiro a agosto deste ano, pagas a profissionais às gerações de Gen Z e Millennials — sendo 55 mil destinadas à Geração Z e 116 mil a Millennials que, juntas, movimentaram R$ 89,4 milhões em prêmios: R$ 16,7 milhões para a Gen Z e R$ 72,7 milhões para os Millennials.
A diferença aparece também no valor médio de cada prêmio: R$ 301 entre a Gen Z contra R$ 626 entre os Millennials — uma recompensa média mais de duas vezes maior. Os números mostram que o reconhecimento assume proporções diferentes entre as gerações, tanto em frequência quanto em valor.
Quando o assunto é como cada geração usa a recompensa, transferências bancárias (TED e PIX) lideram entre as duas — 51,1% entre a Gen Z e 57,6% entre os Millennials. A diferença mais expressiva aparece nos cupons: a Gen Z tem participação quase duas vezes maior que os Millennials nesse formato (27,7% contra 14,4%) — 1 em cada 4 profissionais da Gen Z escolhe um cupom como formato favorito de prêmio. Já entre compras com cartão, a proporção se inverte e os Millennials aparecem à frente (14,2% contra 9,5%).
Prêmio também paga conta
A insegurança financeira identificada pela Deloitte aparece de forma concreta nos dados da Cashin: R$ 853 mil em prêmios da Gen Z e R$ 2,6 milhões em prêmios de Millennials foram usados diretamente para o pagamento de dívidas. “O futuro dos incentivos não está em prever a recompensa perfeita para cada geração, mas em construir flexibilidade para reconhecer pessoas diferentes. Os dados mostram que, dentro de uma mesma geração, existe muita diversidade de comportamento, por isso mesmo a escolha pela forma de resgate do incentivo deveria ser uma escolha individual e não uma recompensa padronizada “, afirma Nani Gordon, VP e cofundadora da Cashin.


