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Governo de Minas e PM criam ação “Cemitério de Mulheres” contra violência doméstica

Em uma ação de comunicação totalmente inovadora para enfrentar o crime mais extremo de gênero, o Estado de Minas Gerais, em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), lança uma nova campanha de utilidade pública para combater a violência doméstica e o feminicídio.
A campanha nasce de um dado alarmante: 4 em cada 5 mulheres assassinadas nunca haviam denunciado abusos anteriores. Isso porque a mulher não se reconhece dentro de um ciclo de violência e não acredita que as agressões do companheiro vão chegar ao feminicídio.
A abordagem tem três pilares: criar um senso de urgência para despertar a sociedade, educar sobre o ciclo da violência doméstica e direcionar para soluções práticas de proteção à vida.
Cemitério de Mulheres: feminicídio cresceu 14,5% desde 2021
O dado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública não provoca a indignação que merece: apenas em 2025, foram 1568 vítimas de feminicídio, 4,7% a mais que o ano anterior. Para aumentar a revolta sobre esse fato, a campanha começou com o lançamento de um “cemitério de mulheres” fictício, um local apresentado sob a premissa de ser “um espaço pensado para as mulheres encontrarem a paz”.
A iniciativa gerou uma onda imediata de choque e repulsa nas redes sociais, amplificada por personalidades e influenciadores como as atrizes Viviane Araújo e Érika Januza, o ator Rafael Zulu, além da influenciadora e professora Cíntia Chagas, que já compartilhou publicamente sua própria história como sobrevivente de violência doméstica.
Educação para romper o ciclo da violência doméstica
Após capturar a atenção coletiva pelo espanto, a campanha conclui: o cemitério é fictício, mas a tragédia que ele representa é real. Essa revelação educa a população a reconhecer o ciclo das agressões de um relacionamento abusivo, que nem sempre começa com a violência física, mas sempre termina nela:
• violência psicológica (humilhações e controle)
• financeira (controle do dinheiro, cartões)
• moral (calúnias)
• atos não consensuais
• digital (perseguição virtual e invasão de redes)
Ação concreta
“A comunicação é mais uma ferramenta importante no combate ao feminicídio. Para buscar ajuda e denunciar, a mulher precisa reconhecer a violência. Queremos transformar o incômodo que a campanha trouxe em informação que salva vidas”, diz Cássia Ximenes, Secretária de Comunicação do Governo de Minas Gerais.

Carol Penido, Diretora Executiva de Criação da Filadélfia, agência responsável pela campanha, comenta: “hoje em dia a competição pela atenção do público é enorme. Precisávamos de uma campanha que não passasse despercebida, e que ao mesmo tempo orientasse as mulheres a reconhecer o ciclo da violência e diminuir os índices de feminicídio”.

Para a Major Débora Santos Perpétuo, Chefe da Divisão de Prevenção à Violência Doméstica da PMMG, ações com esse perfil são cruciais para abrir portas de saída. “Campanhas que impactam de verdade despertam a reação do medo de chegar a um caminho sem volta. As mulheres precisam acreditar que há solução. Nosso papel é mostrar que o ciclo começa de forma sutil, com desrespeito e privação para gerar dependência, mas que o Estado oferece alternativas reais para garantir a segurança delas”, pontua.
Como respostas práticas e imediatas para interromper essa escalada, a Cabine Rosa (190) oferece um canal de escuta qualificada de mulher para mulher dentro do Centro de Operações da Polícia Militar, garantindo atendimento humanizado desde o primeiro segundo.
Na mesma linha de frente, a Patrulha de Proteção à Mulher atua com guarnições dedicadas a acompanhar os casos de maior vulnerabilidade, realizando visitas preventivas e fiscalizando medidas protetivas de urgência para romper o ciclo antes de um ponto sem volta.
A mensagem final da campanha é clara: o choque provocado com o “Cemitério de Mulheres” serve para despertar a sociedade, desarmar os ciclos de abuso e reescrever o futuro de milhares de mulheres. É a prova de que a conscientização ativa é a ferramenta mais poderosa para interromper a escalada do feminicídio, transformando indignação em engajamento coletivo para reverter, de uma vez por todas, esses dados alarmantes.
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