Por Maria Eduarda Guimarães
Literatura, brincadeiras e imaginação marcaram a manhã desta terça-feira (14/7) no Hospital do GRAACC, em São Paulo.
Em parceria com o grupo GMG, a instituição promoveu um dia de leitura na brinquedoteca e entregou 100 exemplares do livro “Viagem ao Planeta Poin Poin”, acompanhados de 100 bolinhas inspiradas na história, para crianças em tratamento contra o câncer.
A iniciativa reuniu pacientes, familiares, voluntários e parceiros em um momento de descontração dentro da rotina hospitalar.
Além da distribuição dos presentes, duas palhaças conduziram atividades para entreter as crianças durante o evento.
As artistas foram oferecidas pela presidente da Assistência social da comunidade Taiwanesa no Brasil, Eiko Chin.
Escrito por Hiram Baroli, diretor-geral do Grupo GMG, responsável pelos jornais Gazeta de S.Paulo e Diário do Litoral, o livro nasceu das histórias que o autor costumava contar aos próprios filhos.
Lançada pela Editora Literare Kids no Dia das Crianças de 2025, a obra ganhou um novo significado ao chegar às mãos de pacientes do GRAACC.
Além dos livros, as crianças receberam bolinhas azuis inspiradas na narrativa. Na história, elas funcionam como um intercomunicador capaz de transportar os personagens para o imaginário Planeta Poin Poin, um universo criado para estimular fantasia, coragem e esperança.
Uma história que ganhou um novo significado
Segundo Hiram Baroli, a escolha do GRAACC para receber a ação foi motivada pelo desejo de compartilhar essa experiência com crianças que enfrentam o tratamento oncológico.
“O GRAACC, em especial, é muito importante para mim. A história tem uma magia que, no final, as crianças ganham um intercomunicador, que é uma bolinha. Ela leva para um lugar maravilhoso, que é o Planeta Poin Poin.”
Para o autor, o objeto simbólico pode representar um momento de conforto em meio à rotina hospitalar.
“Eu entendo que pode ajudar muito. Na hora em que a criança estiver triste ou chateada, ela pode pegar aquela bolinha, se concentrar naquele lugar maravilhoso e fazer essa viagem.”
Hiram afirma que a iniciativa também representa a continuidade de uma memória construída dentro da própria família.
“É uma história que eu contava para os meus filhos. Eles cresceram ouvindo essa história e poder compartilhar essa magia, que foi criada para eles, com outras crianças é muito especial.”
Literatura que acolhe
Para famílias que convivem diariamente com o tratamento oncológico infantil, iniciativas como a manhã de leitura vão além do entretenimento.
Segundo Carolina, mãe de Maia, de sete anos, atividades lúdicas ajudam crianças e familiares a enfrentar uma rotina marcada por consultas, exames e internações.
A menina passou por um transplante de medula óssea há pouco mais de um ano e segue em acompanhamento no hospital.
Para Carolina, ações como essa tornam o tratamento menos pesado para pacientes e familiares.
“É o segredo do tratamento, assim, eu diria, porque eles não se sentem como uma criança num tratamento tão sério.”
Ela afirma que projetos que unem literatura, brincadeiras e apresentações artísticas ajudam a transformar a experiência dentro do hospital.
“Ter projetos, ter palhaços, ter livros, ter coisas assim, ajuda muito durante o processo. Isso ajuda a mãe, ajuda as crianças, ajuda a família como um todo. Torna o dia mais leve.”
Um dos momentos mais marcantes do tratamento aconteceu quando Maia precisou colocar uma sonda alimentar.
Segundo Carolina, foi justamente um livro infantil que ajudou a filha a aceitar o procedimento.
“Era o livro de uma menina que luta contra o câncer e falava da sonda como uma forma de vencer a doença. Quando fui falar da sonda para ela, usei o livro e ela conseguiu aceitar.”
O sentimento é compartilhado por Renan, pai de Heitor, de seis anos, que está em tratamento contra um linfoma de Burkitt há seis meses. Para ele, ações como a realizada no GRAACC ajudam as crianças a enfrentar a rotina hospitalar.
“Ajuda muito, porque é uma distração para eles, para sair dessa rotina do tratamento. Então, ajuda bastante.”
Renan também destacou o acolhimento recebido pela família desde o início do tratamento.
“A educação dos médicos, enfermeiros, o tratamento que eles têm com a gente é fora do normal. Nunca vi um hospital que atende o público tão dedicado igual esse hospital. A experiência foi magnífica.”
Brincar também faz parte do cuidado
Na brinquedoteca do GRAACC, atividades como contação de histórias, brincadeiras e apresentações culturais fazem parte da rotina de acolhimento oferecida às crianças e aos familiares durante o tratamento.
Para a voluntária Débora, esses momentos ajudam a transformar o ambiente hospitalar em um espaço onde os pacientes podem continuar sendo crianças.
“O nosso trabalho aqui é proporcionar momentos de alegria para elas. Enquanto estão no hospital, estamos aqui para que sejam felizes, para que sejam crianças, que brinquem e que esse momento seja mais leve na vida delas.”
Segundo ela, ações como a manhã de leitura reforçam esse propósito e contribuem para tornar o tratamento menos difícil.
“O projeto da brinquedoteca, trazendo essas atividades, é muito importante no decorrer do tratamento deles.”
Débora conta que o evento despertou o entusiasmo dos pacientes e proporcionou uma pausa na rotina de consultas e procedimentos.
“O que aconteceu aqui hoje foi muito especial. As crianças ficaram encantadas. Elas até esqueceram, provavelmente, que estavam no hospital, porque é assim que elas vivem aqui com a gente.”
Para a voluntária, iniciativas como essa fortalecem o trabalho desenvolvido diariamente no hospital e mostram que o tratamento também pode ser acompanhado de imaginação, acolhimento e momentos de alegria para crianças e familiares.