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Chefe é coisa de cozinha e tribo

Liderança tem sido um tema recorrente para mim nos últimos tempos. Passei por uma experiência profissional que me apresentou modelos de gestão muito diferentes daqueles aos quais eu estava habituada e isso me levou a uma reflexão profunda sobre o que realmente significa liderar, gerir ou simplesmente chefiar pessoas. Hoje percebo como essa distinção ainda é pouco discutida em muitas empresas brasileiras. Afinal, conduzir equipes é, antes de tudo, assumir a responsabilidade de formar, desenvolver, inspirar e caminhar junto.

Minha avó tinha um ditado que dizia “Sabe mandar, quem sabe fazer” e sempre me relembrava que não existia a possibilidade de ser um bom chefe (ela chamava assim) sem saber o que e como seu chefiado faz. É claro que saber fazer não quer dizer ser expert ou capaz de operar com a maestria do seu liderado, é sobre ter ciência dos processos, tempos, dificuldades e, acima de qualquer coisa, respeitar que aquela pessoa é parte fundamental da engrenagem. Além de garantir que você entenda o que seu time está fazendo, é só tendo conhecimento do que é feito que nos comprometemos a formar mais e melhor nossos liderados. É responsabilidade do líder garantir o aprendizado contínuo de sua equipe e sua formação ética e técnica.

As nomenclaturas variam, mas poucos de nós percebem a diferença entre cada um dos nomes que um gestor pode ter. Chefe é aquele que minha avó conhecia, o que poderia mandar em quem deveria obedecer, esse cara grita hierarquia, mas sussurra pertencimento e cultura. Gestor é o senhor dos processos e resultados, bastante formalidade e muito rigor técnico. Gestor de um time é o que executa, cobra com conhecimento e transforma entregas em resultados. Já o Líder enxerga as pessoas. Processos e entregas são parte do seu trabalho, mas as pessoas – responsáveis pela execução efetiva do negócio – são foco central da sua estratégia. Cultivar cultura, ensinar, ser exemplo e influenciar são pilares para a atuação de um líder. E hoje é esse papel que muda o jogo e ensina pessoas que cultura e motivação são primordiais para a evolução pessoal e profissional.

A crise silenciosa das empresas não é operacional. É relacional.

Um líder é referência e parceria. Através das alianças de confiança, pertencimento e influência, o líder mostra pelo exemplo, que são as pessoas que constroem o negócio e, sem elas, não existe progresso e crescimento. Não se trata da insubstituibilidade de ninguém, mas sim do reconhecimento da importância de cada papel dentro da companhia. A liderança deixa de ser um cargo para se tornar uma competência e se engana quem pensa que ela elimina a exigência, nesse caso o que sai da mesa é o medo e a desconfiança.

Em um mercado onde a tecnologia está cada vez mais acessível e os processos podem ser replicados, o verdadeiro diferencial competitivo continua sendo humano. Chefes garantem obediência. Gestores garantem organização. Líderes despertam comprometimento. E são eles que transformam grupos de profissionais em times capazes de construir resultados extraordinários. O fato é que o futuro pertence às lideranças humanizadas.

Ligia Kallas

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