“Cuidando das Perdas Evitáveis”
Em economia e finanças, as perdas representam vazamentos de valor — explícitos ou ocultos — que reduzem eficiência, competitividade e a geração de riqueza. No Brasil, estima-se que elas somem algo entre R$ 1,5 e R$ 2,5 trilhões por ano.
Especialistas defendem que o nível de perdas de uma organização — e, por consequência, de uma nação — é proporcional ao preparo das pessoas e à maturidade das lideranças. Na maioria dos casos, o problema é educacional antes de ser técnico.
Em uma matriz simples de classificação, as perdas se dividem em dois eixos:
Visibilidade: visíveis × invisíveis
Controlabilidade: evitáveis × inevitáveis
Por que isso importa?
Gerenciar as perdas evitáveis é uma das alavancas mais poderosas de uma organização. Ela permite capturar valor que já existe, sem depender de aumento de receita ou grandes investimentos externos.
É uma das formas mais rápidas, inteligentes e rentáveis de elevar o lucro: vender melhor e perder menos.
Panorama no Setor Elétrico Brasileiro
O Brasil é signatário dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O ODS 7 tem como meta “assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos” até 2030.
Embora o país tenha avançado em diversas frentes da matriz energética, nossa maior fragilidade continua sendo a baixa eficiência energética, agravada por deficiências em tecnologia, infraestrutura e gestão operacional.
Dados recentes da ANEEL mostram que, em 2024, as perdas totais no sistema de distribuição de energia somaram aproximadamente R$ 21,5 bilhões. Desse total, cerca de R$ 11,2 bilhões referem-se a perdas técnicas (inerentes ao sistema) e R$ 10,3 bilhões a perdas não técnicas — conhecidas como “gatos”, fraudes, contratos mal estruturados, demandas desalinhadas, ineficiência operacional, qualidade precária da energia e perdas invisíveis ligadas à maturidade gerencial e à cultura de desperdício.
A energia impacta todos os setores, mas define o sucesso principalmente daqueles em que custo, continuidade e intensidade operacional são críticos. O pódio dos mais afetados costuma ser: indústria de manufatura, logística e saúde, seguidos por comércio/varejo e serviços/escritórios.
Felizmente, cresce o movimento de governantes, empresários e executivos em busca de soluções definitivas para esse problema crônico. Desperdiçar energia é deixar de entregar à sociedade os benefícios que o ODS 7 se propõe a proporcionar.
Moral da História
Crescimento sustentável não vem apenas de vender mais.
Vem de vender melhor e perder menos.
As empresas que dedicam tempo e atenção sistemática à redução de perdas evitáveis criam um diferencial competitivo real. O impacto aparece diretamente no bottom line e gera riqueza que beneficia toda a cadeia produtiva e a sociedade.
“Empresas não reduzem perdas apenas com tecnologia.
Elas reduzem quando educam suas pessoas para pensar, decidir e executar com consciência de valor.”
Se ainda não colocou esse tema na agenda estratégica da sua empresa, este é o momento ideal. Tratar as perdas evitáveis com seriedade é uma das formas mais concretas e rentáveis de promover sustentabilidade nos resultados.
Em específico, o mercado de soluções para mitigação e recuperação de perdas energéticas está dinâmico e promissor. Embora ainda fragmentado, já existem players confiáveis entregando resultados expressivos. Vale a pena conhecer as opções disponíveis para acelerar suas ações nessa direção.
Abraços e uma ótima semana!
Raimundo Sousa
