Bruno Höera, fundador da agência Portland
Após oito anos de trajetória, a Temporada da Portland reafirma seu papel como um dos encontros mais pulsantes do mercado criativo. O que começou nos bastidores, com bancas de lideranças do setor responsáveis por avaliar e mentorar talentos em tempo real, hoje ganha ainda mais escala e projeção. Na 8ª edição, o projeto ocupa o MaxiSpace, na Barra Funda (SP), reafirmando-se como um espaço de oxigenação de ideias e construção de futuros que o mercado ainda não foi capaz de prever.
Mais do que um evento, a Temporada é a expressão anual do modelo da Portland. Desde 2017, a agência opera sob uma lógica própria: conectar cultura e estratégia, tensionar estruturas tradicionais e usar a diversidade como ferramenta concreta de inovação. Ao longo desse período, mais de 300 jovens passaram pela experiência, muitos hoje em posições de liderança, multiplicando a perspectiva vivenciada no projeto. “Não são mais 300 – são mais de 1000”, afirma Bruno Höera, ao considerar o efeito em cadeia dos profissionais que hoje contratam e formam novos times.
A banca avaliadora da 8ª Temporada reforça a relevância e a amplitude do projeto. Representantes de organizações como CazéTV, Itaú, The Walt Disney Company, Droga5, Edelman, VML, Holding Clube, Repense, Oficina e Brain Company compõem o grupo responsável por avaliar os candidatos, ampliando o diálogo entre diferentes setores da economia criativa.
As inscrições para a 8ª Temporada já estão abertas e seguem até 25 de março. O processo funciona como um radar de repertório e propósito, uma oportunidade para que profissionais compartilhem suas ideias, inquietações e visões sobre o mercado criativo para quem faz a roda girar. Os interessados podem se inscrever pelo link e participar da experiência que, a cada edição, mapeia em tempo real as narrativas que estão moldando o futuro do setor.
Além da dinâmica principal, a programação inclui o Portland Club, espaço dedicado a pitches de até 10 minutos, em que profissionais compartilham vivências, aprendizados e visões de forma aberta e inspiradora. A proposta é ampliar repertórios e estimular novas conexões, mantendo a essência do projeto: criar fricção produtiva entre trajetórias distintas.
A edição também contará com os Portland Talks, conversas de 30 minutos que conectam convidados e patrocinadores em diálogos mais direcionados ao business. O objetivo é aprofundar temas estratégicos para o mercado criativo e fortalecer conexões entre diferentes frentes da indústria. Entre os eixos desta edição estão discussões sobre negócios independentes no encontro entre agências de produção; reflexões sobre a comunidade do futuro, e conversas sobre formação profissional, explorando caminhos de aprendizado que vão além da graduação e da pós-graduação tradicionais.
A curadoria segue uma metodologia baseada em “ideias com propósito”. “Acreditamos que ideias diferentes vêm de pessoas com vivências diferentes. Por isso, fugimos dos line-ups óbvios de eventos corporativos. O que pesa é a mistura: cruzamos gerações e trajetórias distintas porque o aprendizado real acontece no atrito, na ‘bagunça organizada’ ”, explica Bruno. A seleção não considera apenas tempo de carreira, mas densidade de repertório e capacidade de provocar novas narrativas.
Essa lógica se conecta diretamente ao modelo da agência. Como define o fundador, “A Portland é a agência que não existe”: para cada desafio, monta-se uma estrutura dedicada e fluida, conectando lideranças da casa a especialistas conforme a necessidade do cliente. Adaptabilidade, escuta ativa e leitura de contexto são pilares dessa construção.
Estar em constante transformação também significa ouvir as novas gerações. É a partir das inscrições que o projeto identifica o espírito do tempo. “Ao analisar as ideias e propósitos nas inscrições, conseguimos mapear o zeitgeist em tempo real. Nosso papel é traduzir esse pulso da juventude para o que as marcas buscam – ou para o que elas ainda nem sabem que precisam. É uma ponte constante entre o frescor da rua e a estratégia do board “, resume.
Em um momento em que parte do mercado revisa seus compromissos com diversidade, a Portland reforça seu posicionamento: para a agência, interculturalidade não é um “check” de ESG, é vantagem competitiva. “se você quer contratar um time homogêneo para entregar o de sempre, use um prompt de IA. Se quer inovação real, precisa de gente. E é importante reforçar: não somos uma ONG. Somos uma empresa que opera sob a lógica do capitalismo social. Provamos que é possível gerar valor econômico através do impacto estrutural”.
