terça-feira, abril 14, 2026
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“Malês” é o vencedor do 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris

O 28º Festival de Cinema Brasileiro de Paris chegou ao fim hoje, nesta terça-feira, 14 de abril, e consagrou “Malês”, de Antônio Pitanga, como o grande vencedor do Troféu Jangada de Melhor Filme (júri popular). O Prêmio do Júri Jovem, concedido pelos estudantes parisienses que participaram das sessões escolares, foi para “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado. Realizado pela Jangada, com curadoria de Katia Adler, no tradicional cinema de rua L’Arlequin, em Saint-Germain-des-Prés, o evento reuniu mais de 30 longas-metragens ao longo de oito dias de programação e atraiu um público de 7.751 mil pessoas, mais de 10% superior que em 2025.
Além de dirigir, Antônio Pitanga está no elenco do longa “Malês”.
Lançado no Brasil no ano passado, “Malês” marcou o retorno de Antônio Pitanga à direção 46 anos após seu primeiro longa, “Na Boca do Mundo” (1978). Rodado em Cachoeira e Salvador, na Bahia, e em Maricá, no Rio de Janeiro, o filme produzido por Flavio R. Tambellini retrata a Revolta dos Malês, o maior levante organizado por pessoas escravizadas da história do Brasil, ocorrido em Salvador em 1835. A narrativa acompanha as condições de vida da população negra no século XIX e o enfrentamento ao racismo, à pobreza e à intolerância religiosa. No elenco, estão Rocco e Camila Pitanga, Bukassa Kabengele, Samira Carvalho, Rodrigo de Odé, Heraldo de Deus, Wilson Rabelo, Edvana Carvalho, Indira Nascimento, Thiago Justino e Patrícia Pillar, além do próprio diretor. O roteiro é de Manuela Dias e a direção de fotografia, de Pedro Farkas. O longa tem produção da Tambellini Filmes e coprodução da Globo Filmes, Obá Cacauê Produções, Gangazumba Produções e RioFilme, e distribuição da Imovision.

“Esse filme é um feito histórico. A gente não tem filmado muito no Brasil acontecimentos históricos como é feito na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, então esse é o caminho”, afirma Antônio Pitanga. “’Malês’ mostra outra visão, uma que os livros de história não contam; pouco se sabe sobre os malês através dos livros de história mais tradicionais”, complementa o diretor, ao destacar a importância do longa.

“Acho que esse é um filme muito representativo para os tempos atuais, porque é sobre retratar o ponto de vista africano, não português, contando a história de um viés diferente do que estamos acostumados. É um filme que fala sobre negritude, mas é, ao mesmo tempo, um filme para todos conhecerem a história do Brasil”, destaca Pitanga.

A mostra competitiva contou com outros sete longas de ficção que concorreram ao Troféu Jangada de Melhor Filme, escolhido pelo público:  “Velhos Bandidos”, de Cláudio Torres, que traz no elenco principal Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta, Bruna Marquezine e Lázaro Ramos; “Perto do Sol é Mais Claro”, de Régis Faria; “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini, vencedor do Kikito de Melhor Filme no Festival de Cinema de Gramado de 2025; “#SalveRosa”, de Susanna Lira; “Precisamos Falar”, de Rebeca Diniz e Pedro Waddington; “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte; e “Câncer com Ascendente em Virgem”, de Rosane Svartman.

Homenageado da edição do festival, Lázaro Ramos protagoniza  “Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado. FOTOS
Vencedor do Prêmio do Júri Jovem, “Tudo que Aprendemos Juntos”, dirigido em 2015 por Sérgio Machado, acompanha a história de Laerte, violinista interpretado por Lázaro Ramos (homenageado nessa edição), que passa a dar aulas de música na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, após não ser aprovado em uma audição para a Osesp. Inspirado na criação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, o filme explora a relação entre ensino, transformação social e acesso à cultura a partir da experiência do protagonista com seus alunos. O longa é uma produção Gullane em coprodução com Fox Internacional Productions.
O Troféu Jangada, assinado pelo artista plástico Jaildo Marinho. FOTOS: Daniela Ometto
O Troféu Jangada, símbolo maior do festival e entregue às obras premiadas na programação, além dos homenageados da edição, é assinado pelo escultor e pintor Jaildo Marinho, nascido em Santa Maria da Boa Vista, no sertão de Pernambuco, e radicado em Paris há mais de trinta anos.
Christian Malheiros; Katia Adler, Fabiana Karla, Clelia Bessa e Rosane Svartman; Fernanda Abreu e o embaixador Ricardo Neiva Tavares. FOTOS: Daniela Ometto
Além das sessões, o festival contou com a presença de realizadores e convidados ao longo da programação, com debates após as exibições. Estiveram presentes Fernanda Abreu e Paulo Severo em “Da Lata – 30 Anos”, filme de abertura; o produtor Júlio Uchoa em “Querido Mundo”; o diretor Saullo Farias Vasconcelos e o produtor Victor Magrath em “Oní Sáà Wúre – Lavagem da Sapucaí”; a produtora Clélia Bessa, a diretora Rosane Svartman e a atriz Fabiana Karla em “Câncer com Ascendente em Virgem”; o diretor José Eduardo Belmonte e o ator Christian Malheiros em “Assalto à Brasileira”; o produtor e diretor Pedro Dumans em “Rei da Noite”; o pianista Moisés Mattos em “3 Atos de Moisés”; o diretor Bruno Bini em “Cinco Tipos de Medo”; o produtor Leonardo M. Barros em “Velhos Bandidos”; os produtores Diogo Dahl e Maria Fernanda Miguel em “Para Vigo Me Voy!”; o diretor Antonio Pitanga em “Malês”; a diretora Karen Harley em “Ritas”; o diretor Régis Faria e o ator Reginaldo Faria em “Perto do Sol é Mais Claro”; a diretora Susanna Lira e a produtora Mara Melo em “#SalveRosa”; o ator Emílio de Mello e o produtor Leonardo M. Barros em “Precisamos Falar”; a diretora Liliane Mutti e a cantora Alaíde Costa em “A Noite de Alaíde”; e o diretor Sérgio Machado em “3 Obás de Xangô”.
Lázaro Ramos e Aïssa Maïga; Thales Bretas e Ingrid Guimarães. FOTOS: Daniela Ometto
Um dos momentos centrais da edição foi o dia 12 de abril, que reuniu as grandes homenagens do festival. Na ocasião, Lázaro Ramos esteve em Paris para receber, em nome dele e de Taís Araujo, o prêmio dedicado aos homenageados da edição — pela primeira vez concedido a um casal — em uma cerimônia conduzida pela atriz e diretora franco-senegalesa Aïssa Maïga (“A Espuma dos Dias”, “Paris, Te Amo”, “O Menino que Descobriu o Vento”), que celebrou a trajetória dos dois artistas no audiovisual brasileiro. Na mesma noite, o Tributo a Paulo Gustavo contou com a presença de Thales Bretas, viúvo do ator, e de Ingrid Guimarães, grande amiga e parceira de trabalho do humorista, em uma sessão que incluiu a exibição de “Minha Mãe é uma Peça 3”, um vídeo-homenagem inédito e a apresentação de um trecho de “Minha Melhor Amiga”, nova comédia inédita de Susana Garcia estrelada por Ingrid e Mônica Martelli, que estreia nos cinemas brasileiros em setembro.

O crescimento desta edição também foi destacado pela diretora e curadora do festival, Katia Adler: “Estamos muito felizes com o resultado desta edição, que teve um crescimento de mais de 10%. Para um festival dedicado ao cinema brasileiro na França, isso é muito significativo. Tivemos salas cheias ao longo de toda a programação, o que reforça a importância de investir e apoiar iniciativas como essa no exterior. É um trabalho que fortalece a imagem do país, cria pontes culturais e abre caminhos concretos para os filmes, os realizadores e a indústria brasileira no cenário internacional”, afirma.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
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