O Manifesto da Soberania: Por que o “Hands-on” está a travar o seu Equity
Deixa eu te contar uma coisa…
No exercício da minha assessoria de Personal Branding para o C-Level, me deparo frequentemente com um fenómeno curioso e, admito, algo até trágico. Realizo diagnósticos profundos, o que chamo de Personal Branding Audit, onde cruzo a autopercepção do executivo com a percepção real do mercado e dos seus pares.
Recentemente, num destes diagnósticos para uma líder do mercado de uma grande empresa, ouvi dela a seguinte frase dita por um superior: “A fulana é fantástica. É um trator. Põe a mão na massa como ninguém, resolve o detalhe técnico e não tem medo de descer à operação para fazer acontecer.”
Para muitos, isto seria o ápice do reconhecimento, para mim, foi o som de um alarme de incêndio ecoando muito alto.
Se você, que me lê agora, costuma ser elogiado pela sua capacidade “hands-on”, este manifesto é para você. Porque, no mercado de elite, o elogio da execução é, muitas vezes, a sentença de morte da sua relevância estratégica.
Você já parou para pensar na armadilha da indispensabilidade operacional?
Existe uma glória viciante na operação, resolver um problema complexo de supply chain, fechar um gap financeiro de última hora, desenhar o processo técnico de um novo produto ou alinhar uma nova estratégia de marketing que irá alavancar a empresa ainda mais gera uma descarga imediata de dopamina. O feedback é instantâneo: o problema existia, você interveio, o problema desapareceu. Pronto!!
No entanto, há um custo invisível nesta dinâmica, ao tornar-se o/a “melhor executor(a)” da sala, você se torna, simultaneamente, o(a) mais difícil de promover. Parece contraditório, mas já explico!
As organizações são sistemas pragmáticos, se você é a peça que faz a engrenagem operacional girar com perfeição, o sistema lutará para o(a) manter exatamente onde está. Porque promovê-lo(la) para o Conselho ou para a Estratégia, onde os resultados são de longo prazo e incertos, se você é indispensável na operação hoje?
Por isso eu me preocupo muito em, com meus assessorados, identificar onde reside o seu valor. Será que está no capital técnico ou no capital social?
Para entendermos a Soberania Executiva, precisamos nos aprofundar em dois conceitos fundamentais que regem a carreira de qualquer líder de topo:
1. Capital Técnico: É o somatório do seu conhecimento, das suas certificações e da sua capacidade de entrega. É o que o faz ser um excelente profissional.
2. Capital Social (e Reputacional): É a percepção que o mercado tem sobre a sua capacidade de influência, o seu poder de julgamento e a força da sua rede. É o que o faz ser um líder soberano.
Geralmente a tragédia do executivo “mão na massa” é que ele investe 90% do seu tempo acumulando Capital Técnico. Ele(a) quer dominar a nova ferramenta, o novo framework, o detalhe do projeto, mas, no C-Level e nos Conselhos, o capital técnico é dado como adquirido (é commodity), algo que falo muito. O que realmente o mercado compra é o seu capital cocial.
Não pense que o seu Equity Reputacional aumenta quando você resolve um problema técnico, na verdade ele aumenta quando você é visto(a) como a pessoa que arquitetou a solução através de outros, preservando a sua energia para a visão de futuro, ou seja, o cérebro estratégico por detrás do processo.
Um dos perfis com o qual eu mais me deparo é o do(a) executivo(a) que quer ser dono de um conceito, líder de pensamento, mas como ser visto(a) como tal se você está sempre suado(a), cansado(a) e submerso(a) em planilhas? Ou seja, o(a) famoso(a) “hands-on”!
A liderança de pensamento exige um certo distanciamento do “hands on”, exige o que chamo de Pausa Estratégica.
O(a) executivo(a) que está sempre “na trincheira” comunica ao mercado que não confia na sua equipe ou que não sabe construir sistemas de governança. Comunica urgência, e a urgência é o oposto da soberania.
“Quem governa não corre, quem governa decide.” Paulo Moreti
E como então mudar essa balança de “hands-on” para líder de pensamento ou líder soberano? Como descer da operação e subir na autoridade?
Se você se sente preso(a) neste ciclo, a mudança não virá de um novo MBA, de um novo curso, virá de um ajuste cirúrgico na sua Marca Pessoal, virá de uma Governança de Reputação e Gestão Estratégica do seu maior ativo, sua marca pessoal.
E isso nos leva ao ROI da Soberania Executiva
Quando você finalmente decide largar a ferramenta e assumir a estratégia, o retorno sobre o investimento (ROI) da sua carreira transforma-se em:
· Poder de escolha: Você deixa de aceitar o que lhe dão para escolher onde quer estar.
· Prêmio de confiança: O mercado passa a pagar pela sua assinatura, não pelas suas horas.
· Blindagem de reputação: Crises operacionais param de atingir você, porque a sua marca está acima da linha de fogo da execução diária.
Eu queria concluir a reflexão de hoje pensando no desafio que temos na próxima década. Estamos entrando, ou já estamos, numa era onde a Inteligência Artificial e a automação vão devorar a execução técnica. O “hands-on” será, cada vez mais, uma tarefa de máquinas. O que restará para o ser humano e especificamente para o(a) líder de elite, é a capacidade de julgamento, a ética, a visão estratégica e, a meu ver, o principal de tudo, a força das relações humanas. Em suma: a Soberania Executiva.
Se você quer ser o(a) arquiteto(a) do seu próprio futuro, pare de se orgulhar de ter” as mãos sujas de graxa” operacional, comece a orgulhar-se da clareza da sua visão e da força da sua marca.
O mundo já tem executivos(as) suficientes que “fazem”, o que o mundo precisa desesperadamente é de líderes que pensem e governem.
Qual deles quer ser você?
Bora posicionar essa marca pessoal Soberana?
Paulo Moreti
Blindagem estratégica de reputação para executivos Personal Branding Specialist
