No agro, tudo tem seu tempo.
Arar.
Semear.
Cuidar.
Frutificar.
Colher.
Transportar.
E, por fim, disputar espaço na gôndola, onde alguém escolhe entre muitas opções.
Mas o agro não termina no campo.
Ele está na roupa, no óculos, no celular,
no carro, no combustível e em um ecossistema enorme.
Quase tudo tem agro.
E se tem algo que o setor começou a entender é que o que trouxe as empresas até aqui não é suficiente para levá-las adiante.
Nem dentro, nem fora da porteira.
Da porteira pra dentro,
a revolução já aconteceu.
Drone, dado, precisão, tecnologia.
O campo ficou inteligente.
Pra fora, nem sempre.
A comunicação, muitas vezes, não acompanha e reflete essa evolução.
E é aí que surge uma oportunidade real.
Porque se os custos de produção sobem, os riscos climáticos apertam e o investimento é alto. Construir marca deixa de ser discurso e vira alavanca de valor.
Marca não compete com insumo.
Marca multiplica resultado.
Foi assim que a Norte Frut, grande produtora de mamão formosa e papaya,
no norte do Espírito Santo e oeste da Bahia, chegou à BigBee.
O pedido inicial era simples:
“alguns posts pra aparecer mais”.
Mas aparecer não é o mesmo que existir.
Ao analisar o logo, o mercado, a categoria, quem consome e quem passa direto pelo mamão, ficou claro: antes de falar, a marca precisava se enxergar.
O logo havia nascido num mundo off-line, sem redes sociais.
Não funcionava no avatar.
Não tinha leitura no digital.
Não conversava com a caixa,
com o caminhão,
com a presença nos eventos.
Então demos um passo atrás para avançar vários à frente.
Redesenhamos o logo pensando no agora
e no futuro.
No pequeno.
No digital.
No movimento.
Mas quem acha que branding se resolve somente com logo está redondamente enganado.
Marca vive nos valores.
Na linguagem.
Na experiência.
No tempo.
Presença gera alcance.
Alcance gera impacto.
Mas só consistência gera confiança.
E só confiança gera fidelidade.
No agro, nada é imediato.
Mas o mundo lá fora é.
Enquanto a terra pede tempo,
o mercado pede sentido.
E é exatamente nesse choque, entre o ritmo da natureza e a velocidade da percepção que nasce o papel da marca.
Porque produzir bem sempre foi obrigatório.
Mas ser lembrado virou diferencial.
A tecnologia entrou na porteira com força.
Drone, dado, precisão, algoritmo.
O campo ficou mais inteligente.
Mas, muitas vezes, a marca continuou analógica.
E aí surge a pergunta incômoda: como um setor tão tecnológico muitas vezes fala como se estivesse parado no tempo?
Branding no agro não é enfeite.
É tradução.
É pegar complexidade e transformar em narrativa.
É pegar dado e transformar em valor percebido.
É pegar eficiência e transformar em confiança.
E é aqui que a IA entra, não como substituta, mas como amplificadora.
A IA não cria propósito, mas ajuda a enxergar padrões.
A IA não sente o campo, mas cruza informações que o humano não alcança sozinho com tanta rapidez.
Ela lê comportamento.
Mapeia consumo.
Antecipa tendências.
Simula cenários.
Enquanto o talento humano decide o que importa, a IA ajuda a entender para quem importa e por quê.
No branding do agro, isso muda tudo.
Porque marca forte não nasce só da história que se conta, mas da história que faz sentido para quem escuta.
IA ajuda a responder perguntas
que antes eram sentimentos:
– Quem consome?
– Quem decide?
– Quem influencia?
– O que gera confiança?
– O que gera rejeição?
O humano entra com repertório, sensibilidade e ética.
A IA entra com escala, precisão e velocidade.
Um sente o clima.
O outro lê os sinais.
Juntos, eles permitem algo raro no agro:
previsibilidade de percepção.
E isso é ouro.
Porque no futuro próximo,
não será só o consumidor
que escolherá a marca.
Será o algoritmo.
E o algoritmo escolhe com base em
consistência, clareza, reputação e verdade.
Não em post isolado.
Não em campanha vazia.
Marca forte será aquela que entrega o que promete, comunica o que faz, e sustenta o que diz dentro e fora da porteira.
A IA vai ajudar a otimizar.
Mas só o humano pode dar alma.
No fim, o agro continua sendo sobre tempo.
Mas branding virou sobre direção.
E a pergunta que fica não é tecnológica.
É filosófica: se a terra ensina paciência,
o que a sua marca está ensinando ao mercado?
Afonso Abelhão é sócio e CEO da agência BigBee, e presidente da APP Brasil.
