quarta-feira, fevereiro 25, 2026
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O custo invisível da execução

Por que o elogio “Hands-on” pode ser o teto da sua carreira

Deixa eu te contar uma coisa…

Ao longo da minha trajetória como Advisor de marcas pessoais para o alto escalão, desenvolvi um ouvido clínico para os diagnósticos de imagem e gestão de marca pessoal que realizo. E há uma frase específica, recorrente em quase 80% dos meus diagnósticos iniciais, que me acende um alerta imediato.

Geralmente, ela vem carregada de uma entonação positiva por parte de pares e superiores, exemplo: “O Paulo? Ele é excepcional. É um trator. Coloca a mão na massa como ninguém, desce para a operação e resolve o que ninguém mais consegue.”

Para o(a) executivo(a) que ouve isso, o sentimento costuma ser de validação. Ele(a) acredita que sua resiliência e sua “pegada” operacional são seus maiores diferenciais competitivos. No entanto, no rigor da minha assessoria, meu papel é ser o portador de uma verdade incômoda: esse é o elogio que está impedindo você de sentar à mesa do Conselho ou de alçar voos maiores.

O mercado premium não paga prêmio por esforço, ele paga por visão. Quando você é rotulado(a) como o “executor(a) de elite”, você se torna indispensável na base da pirâmide. E o que é indispensável na operação, torna-se automaticamente invisível na estratégia.

Vamos falar um pouco da psicologia da indispensabilidade, muitos executivos(as) brilhantes se deixam aprisionar pela operação por causa da segurança do resultado imediato, na operação, o feedback é tangível. Você resolve uma crise na planta, bate uma meta trimestral agressiva ou apaga um incêndio no RH e isso gera uma gratificação instantânea que confunde “movimento” com “progresso estratégico”.

O(a) executivo(a) hands-on sofre de uma espécie de miopia de marca: ele(a) acredita que seu equity pessoal é construído pela soma das tarefas entregues. Ele(a) esquece que, no topo das organizações, o valor não reside no fazer, mas no fazer acontecer através da governança.

Quando você se torna o(a) melhor executor(a) da sua área, você cria uma dependência técnica perigosa. O board da companhia olha para você e pensa: “Não podemos promovê-lo(a) agora, porque não temos ninguém para segurar o operacional com a mesma maestria”. Olha a cilada em que você se meteu!

Nesse exato momento, sua competência técnica transformou-se em sua maior carcereira, a gora você construiu uma gaiola de ouro para você cujas grades são seus próprios resultados.

Então é hora de sair da competência real e ir para a autoridade percebida! No Personal Branding estratégico, trabalho o hiato entre a sua capacidade de entrega e como o mercado percebe essa capacidade. O(a) executivo(a) que “coloca a mão na massa” comunica, involuntariamente, urgência e reatividade. Ele(a) é visto como o motor do carro, não como o piloto que olha para o

horizonte e antecipa as curvas do mercado, ouseja, é visto como o(a) executor(a) e não como o cérebro por trás da operação (o(a) estrategista).

Para migrar dessa percepção, é preciso ajustar o que chamo de Arquitetura de Autoridade. Se a sua comunicação, seja no LinkedIn, nas reuniões de diretoria ou no seu networking, foca no “como” os problemas foram resolvidos, você está reforçando seu perfil tático. O(a) líder soberano(a) comunica o “porquê”, ele(a) não relata processos, ele(a) projeta impactos e estabelece novas governanças.

O que estou dizendo, não é que ter seus momentos de “hands on” não é importante, mas que isso não seja o que te define como marca, não seja esse seu diferencial, é preciso é preciso trabalhar o capital social como lastro de valor.

E aqui temos outro ponto crítico que constato em meus diagnósticos, aprender é sempre bom (lifelong learning) porém o acúmulo equivocado de Capital Técnico poderá agir contra a construção desta marca pessoal como um(a) líder estratégico(a). Muitos líderes acreditam que o próximo passo na carreira virá de uma nova certificação ou de um domínio técnico ainda maior sobre a operação, só que no C-Level, isso é um erro estratégico de marca.

O que define o valor de passe de um(a) executivo(a) soberano(a) é o seu Capital Social, ou seja, a soma de suas conexões de alto nível e a confiança que essas conexões depositam no seu julgamento. Se a sua agenda é ocupada 90% do tempo por reuniões com subordinados para discutir tarefas, seu Capital Social está minguando. Preste muita atenção, você está se tornando um(a) especialista em processos internos, enquanto sua marca pessoal perde relevância no ecossistema externo, onde as grandes oportunidades realmente circulam.

Então é hora de sair da trincheira operativa e isso exige uma transição cirúrgica. Não se trata de abandonar a responsabilidade, mas de elevar a natureza da sua entrega, e o primeiro passo é mudar o vocabulário da sua marca pessoal, ao invés de se orgulhar de ser o(a) “resolvedor(a) de problemas”, posicione-se como o(a) “arquiteto(a) de soluções sustentáveis”. Veja, não é marketing pessoal vazio, é posicionamento claro baseado em quem realmente você é como profissional!

A soberania executiva é construída também pelo que você decide não fazer. Delegar a execução não é um ato de “conforto”, é um dever estratégico. Cada hora que um(a) C-Level passa imerso em uma planilha é uma hora que ele(a) deixa de atuar na antecipação de riscos ou na construção de alianças que protegem a reputação da companhia.

Talvez você esteja pensando agora: “Mas Paulo isso de estar presente na operação, analisar planilhas e etc. é parte do meu trabalho!”. E eu te diria, ok compreendo, mas isso não pode ser o core da sua marca pessoal, não pode ser seu diferencial.

E quando há clareza disso, há a construção do ROI da Soberania. Aqui o(a) executivo(a) que rompe o vício da operação e assume o controle da sua marca pessoal colhe dividendos claros: aumento do valor de mercado, maior poder de negociação e, principalmente, blindagem de

reputação. Crises operacionais não mais atingim sua imagem pessoal, porque você passa a ser visto como o líder que corrige o sistema, e não como o operário que falhou.

Se você se identificou com o rótulo de “trator” ou de “hands-on”, este é o momento EXATO de recalibrar sua rota. O mercado está mudando e a execução técnica será cada vez mais comoditizada, e o que permanecerá insubstituível é a capacidade de julgamento, a visão de longo alcance e a força das suas conexões.

Meu papel é simples, te incomodar estrategicamente a pensar no seu maior ativo, é tirar você da execução exaustiva e colocá-lo(a) no lugar que sua competência merece: o da autoridade inquestionável. O primeiro passo para a sua soberania não é fazer mais, é decidir quem você quer ser na sala onde o futuro é decidido.

Você está pronto(a) para deixar de ser o(a) executor(a) e se tornar o(a) arquiteto(a) da sua própria história?

Seja soberano(a). A estratégia não espera por quem está ocupado demais operando.

Bora posicionar essa marca pessoal?

Paulo Moreti Blindagem estratégica de reputação para executivos Personal Branding Specialist

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