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Fórum APCM debate humanidades, gestão e desafios da comunicação

Os impactos da inteligência artificial na comunicação, a relação entre marcas e consumidores e os desafios da gestão empresarial pautaram a segunda edição do Fórum APCM. Realizado no Wyndham Garden Ribeirão Preto Convention, o encontro reuniu profissionais de comunicação, marketing e empresários para discutir mudanças no mercado e compartilhar experiências de negócios da região.
Na abertura, o gerente regional do Sebrae-SP, Paulo Arruda, anunciou a criação de uma trilha de capacitação e gestão voltada a profissionais de comunicação e marketing. A iniciativa será subsidiada pelo Sebrae-SP e pela APMC, com soluções direcionadas às necessidades do setor. “Se falar de empreendedorismo, criatividade, inovação, hoje estamos recebendo uma nuvem de invocação”, afirmou.
Arruda convidou os participantes a utilizar os casos apresentados como referência para avaliar suas empresas. Para ele, “a comparação entre diferentes modelos de comportamento empreendedor, gestão e inovação pode contribuir para identificar oportunidades de melhoria e ampliar a competitividade dos negócios”.
Curadora do Fórum pelo segundo ano consecutivo, Silvia Bianchi Machado destacou o associativismo e a participação dos profissionais na construção do mercado de comunicação, marketing e criatividade de Ribeirão Preto. Segundo ela, a programação reuniu histórias e legados da região, conectando resultados, inteligência artificial e novas tecnologias a questões de comportamento e relações humanas. “O mercado depende da gente. A gente faz o mercado”, afirmou.
Inteligência artificial e construção de marcas
Na palestra de abertura, “Tecnologia e Humanidades para empreender”, Márcia Esteves, sócia-fundadora da FELINA e presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP), abordou a economia da atenção, a fragmentação do consumo de conteúdo e os efeitos da inteligência artificial na criação de campanhas e na construção de marcas. “Precisamos começar a olhar o que isso vai gerar na comunicação que nós fazemos”, afirmou.
Márcia defendeu o uso da IA para ampliar a capacidade de produção, preservando a criatividade, o repertório e a observação humana. “A gente precisa voltar a ir para na rua, conversar com as pessoas, observar além da tela. O mundo não está dentro das planilhas. O mundo está na rua, nos supermercados, nas conversas, nas trocas, nos eventos”, disse.
Ao tratar da narrativa em um ambiente orientado por dados e algoritmos, reforçou a necessidade de conectar os recursos tecnológicos à experiência pessoais. “Utilizemos a tecnologia e o instinto que a gente tem para nos ajudarem a trazer a humanidade de volta para o mundo”.
Gestão e trajetória empresarial
O painel “Legados e ideias de grandes líderes empresariais”, mediado pela jornalista e fundadora da Focco Comunicação, Grace Kelly Cano, recebeu o diretor-presidente da Zinho Indústria de Alimentos, João Pantuzi Jr. O empresário contou como um erro deu origem ao pão de alho da marca e, segundo seu relato, à primeira empresa do Brasil a comercializar o alimento.
A experiência abriu espaço para discutir identificação de oportunidades, testes de ideias e adaptação às mudanças do mercado. “As coisas ruins vão acontecer todos os dias. Os problemas vão acontecer. Agora, a diferença é o que nós vamos fazer com isso”, afirmou.
Sobre os desafios de empreender, Pantuzi acrescentou: “Não desistam. Vai ter uma dificuldade, duas, três. Acreditem, insistam, teimem, reformulem, mudem, ajustem, refaçam a rota e você vai chegar lá”.
Comunicação e imagem do agronegócio
A relação do agronegócio com a sociedade foi o foco do painel “Agro, nosso maior produto. Nossa melhor imagem?”, mediado pelo jornalista Gustavo Junqueira Jr. Participaram a conselheira de administração do Grupo Santa Clara, Talita Cury, e a diretora de RH do Grupo Viralcool, Claudia Tonielo.
Talita destacou a necessidade de ampliar o diálogo com públicos que não atuam no setor. “Por muito tempo, nós não nos propusemos a vir até aqui e fazer esse debate com o público de fora da porteira”, relatou.
O painel também abordou sucessão, governança, sustentabilidade e presença feminina no agro. Ao discutir a aproximação com as novas gerações, Claudia apontou a importância da informação. “Eu acho que falta informação. As pessoas são mal-informadas e acreditam em informações que são passadas sem serem checadas”, disse.
Para Talita, esse diálogo contribui para rever percepções sobre a atividade. “É levando informação que nós descontruímos esses paradigmas”, completou.
Perspectivas para o trabalho e os negócios
Na palestra de encerramento, “Futuros Possíveis”, o futurista Augusto Carminati discutiu como as organizações podem se preparar para novos cenários sem restringir suas decisões a dados e referências do passado.
“Quando a gente tem toda uma programação que é desenvolvida a partir de um histórico, eu acabei de encerrar ali minha capacidade de futuro, porque eu estou trabalhando com o passado”, afirmou.
Carminati destacou a diversidade de perspectivas como forma de reduzir pontos cegos nos processos de decisão. Em sua avaliação, grupos semelhantes decidem mais rapidamente, enquanto equipes diversas incorporam visões que ampliam a análise. “O que enriquece uma decisão é diminuir a quantidade de pontos cegos que ela tem. Diminuir a quantidade destes pontos é incluir outras visões, que não são as nossas”, disse.
Ao abordar os efeitos da IA no mercado de trabalho, o futurista defendeu a valorização da criatividade, da subjetividade, do repertório e da capacidade de gerar confiança. Apresentou quatro perfis profissionais que, em sua avaliação, ganharão espaço: aqueles capazes de produzir em escala com IA, integrar sistemas, gerar confiança e assumir responsabilidades pelas decisões.
No encerramento, relacionou essas competências ao potencial brasileiro. “A gente também tem potencial para alimentar o mundo com as coisas subjetivas e intersubjetivas. A próxima escassez será da inteligência subjetiva e nós somos a última reserva subjetiva do mundo, a última e a maior. Porque o mundo está sucumbindo a se comoditizar e somos a última resistência a isso”, completou.
Nesta edição, o Fórum APCM promoveu uma ação de responsabilidade social por meio do ingresso solidário, que resultou na arrecadação de 45 kg de alimentos, doados à APAE de Ribeirão Preto.
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