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Fest’In 2026 debate criatividade e rumos da comunicação

Foto Grupo Luz
A 25ª edição do Fest’In – Festival de Inovação e Criatividade reuniu, no último sábado, 30 de maio, em Ribeirão Preto, estudantes, professores e profissionais da comunicação em uma programação dedicada à publicidade, marketing, inovação, produção de conteúdo e aos desafios do mercado criativo.

Realizado pela APCM – Associação dos Profissionais de Comunicação e Marketing, o evento promoveu um dia de imersão com painéis, palestras e troca de experiências entre profissionais atuantes no mercado e jovens em formação. A edição também evidenciou o papel do festival como espaço de aproximação entre universidade, mercado de trabalho e causas de impacto social.

Na abertura, o presidente da APCM, Eduardo Soares, destacou a trajetória do Fest’In e a relevância do Concurso Social Fest’In, que neste ano trouxe como tema “Se for jogar, jogue de forma consciente”, estimulando reflexões sobre os impactos das apostas online na sociedade.

“Além de premiar as melhores campanhas, o Fest’In quer que os participantes saiam da zona de conforto, desafiem a própria criatividade e coloquem suas ideias à prova”, afirmou Soares. Ao lado de Marília Costa Mattos, 2ª vice-presidente da APCM, o presidente também ressaltou o caráter formativo do festival. “Hoje, o aluno tem a oportunidade de estar frente a frente com profissionais que fazem a diferença no mercado, entendendo como a comunicação está se transformando e quais são os desafios da profissão”, destacou.

Criatividade, tecnologia e bastidores da publicidade

O primeiro painel do dia, “Manual de Sobrevivência do Publicitário Moderno”, reuniu Sandro Nascimento, diretor de criação da Mottor Propaganda, e Daniel Labanca, diretor de cena da Sanfona Filmes.

Sandro abordou o impacto da inteligência artificial no mercado criativo e defendeu a coexistência entre tecnologia e criatividade humana. Para ele, a questão central já não está mais na adoção ou não das novas ferramentas, mas na forma como os profissionais vão se adaptar a elas. “O novo jeito de pensar passa necessariamente pela inteligência artificial. A discussão já não é mais se vamos usar ou não, mas como vamos nos adaptar. No meio desse cenário existem muitas oportunidades para que o humano se destaque”.

O publicitário também incentivou os estudantes a desenvolverem repertório próprio e a utilizarem a tecnologia como ferramenta de apoio, sem abrir mão da autoria, da sensibilidade e da criatividade individual.

Na sequência, Daniel Labanca compartilhou experiências dos bastidores de produções audiovisuais e apresentou etapas do processo criativo que antecedem a entrega final de campanhas e filmes publicitários. “O que as pessoas normalmente não veem são os bastidores. Mostrar os acertos, mas também os erros do processo, é uma forma importante de aprendizado para quem está começando na profissão”, explicou.

Conteúdo, marcas e representatividade

Encerrando a programação da manhã, a head de conteúdo da África, Marcela Calura, apresentou a palestra master “Conteúdo que constrói marcas e gera conexão real”. Natural de Ribeirão Preto, a profissional compartilhou sua trajetória desde os tempos de faculdade até chegar a uma das principais agências de publicidade do país.

Marcela falou sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira e a importância da persistência para alcançar objetivos profissionais. “Eu não planejei chegar até aqui. Sou uma menina do interior, bolsista, que saiu da periferia e conseguiu construir uma carreira dentro da publicidade. Poder voltar a Ribeirão e compartilhar essa história com estudantes me emocionou muito”, afirmou.

A profissional também abordou temas como diversidade, inclusão e representatividade no mercado publicitário, incentivando os estudantes a acreditarem em seus projetos profissionais, independentemente das dificuldades encontradas ao longo do caminho.

Marketing sem filtro

No período da tarde, o painel “Marketing sem filtro” reuniu profissionais de empresas e agências para discutir os desafios da relação entre marketing e comunicação. A roda de conversa foi conduzida pelo presidente da APCM, Eduardo Soares, com a participação de Daniel Andreolli, diretor de marketing da Cory; Rodrigo Benetti, sócio-diretor da Ideatore América; Camila Bianchezi, gerente de marketing do Grupo Passalacqua; e Silvia Bianchi, sócia e CPO da 6P Marketing & Propaganda.

Os participantes defenderam que o marketing deve liderar estrategicamente as ações das organizações, enquanto as agências atuam como parceiras na execução e amplificação das iniciativas. Para Camila Bianchezi, “o marketing tem que ter clareza estratégica” para orientar o trabalho conjunto. Silvia Bianchi destacou que “a agência que recebe um comando claro entrega muito melhor”.

A evolução dos modelos de trabalho e a importância da colaboração também estiveram em pauta. Segundo os palestrantes, o mercado exige estruturas mais flexíveis e a participação de diferentes especialistas na construção de soluções. Nesse contexto, o diálogo foi apontado como essencial para o sucesso das campanhas.

“Não existe briefing perfeito. Existe a necessidade perfeita e a busca pela melhor solução”, afirmou Silvia. Rodrigo Benetti reforçou que “nada substitui uma boa conversa no telefone ou presencial” para garantir o alinhamento entre cliente e agência.

Ao abordar os resultados das campanhas, os convidados defenderam o equilíbrio entre metas de curto prazo e construção de marca. Camila observou que empresas em estágios mais maduros de marketing passam a valorizar ações que fortalecem a lembrança e a reputação ao longo prazo. Os participantes também ressaltaram que criatividade, estratégia e consistência são elementos indispensáveis para gerar impacto nos negócios.

O debate ainda destacou competências valorizadas no mercado, como curiosidade, proatividade, capacidade analítica e disposição para aprender. Benetti afirmou que profissionais questionadores e com vontade de evoluir tendem a se destacar. Ao final, os palestrantes reforçaram que marketing e agência devem atuar de forma complementar. “A marca está no comando, mas a agência existe para ampliar o mundo da empresa”, concluiu Silvia.

Criatividade que move marcas e resultados

A palestra “Criatividade que impacta e move resultados”, apresentada por Gus Souza, sênior creative art director da AlmapBBDO trouxe cases premiados, O publicitário defendeu que a comunicação mais eficaz é aquela capaz de criar conexões emocionais e simbólicas com os consumidores. Como exemplo, apresentou uma campanha da Pedigree que associou a marca ao cachorro Caramelo, vira-lata símbolo da cultura popular brasileira. Segundo ele, a iniciativa fortaleceu a identificação do público com a marca, contribuiu para o crescimento das vendas e dialogou com a superação da chamada “síndrome de vira-lata”.

Souza também abordou a importância de desafiar o senso comum e apostar em ideias que, à primeira vista, parecem improváveis. Essa lógica foi aplicada em uma campanha da Doritos inspirada no famoso corte de cabelo de Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo de 2002. A ação criou uma narrativa fictícia sugerindo que o visual do ex-jogador teria surgido em uma campanha da marca, mobilizando conversas espontâneas antes da revelação oficial.

“Precisávamos fazer as pessoas acreditarem na história antes de revelar que aquilo fazia parte de uma ação de comunicação, e conseguimos”, explicou. Para o palestrante, consumidores raramente escolhem produtos apenas por características funcionais, mas pelos significados, valores e ideias associados às marcas. “O nosso papel é construir símbolos e significados para que as pessoas escolham uma marca e não a outra”, concluiu.

Concurso Social premia campanhas sobre jogo consciente

A programação também contou com a premiação do Concurso Social Fest’In 2026, que reconheceu campanhas desenvolvidas por estudantes de comunicação e marketing voltadas à conscientização sobre jogos de azar online, a partir do tema “Jogar Consciente”.

O primeiro lugar ficou com a campanha “Animais não querem caçar seu dinheiro”, da Unaerp. A campanha “Até que ponto o risco é uma escolha”, da Barão de Mauá, conquistou a segunda colocação. Em terceiro lugar ficou “O problema nunca é a última”, da Uni-Facef.

Representando a equipe vencedora da Unaerp, o estudante de Publicidade e Propaganda, Arthur Reis, destacou que a conquista foi resultado da dedicação coletiva de um grupo formado majoritariamente por bolsistas do ProUni. Segundo ele, o trabalho foi desenvolvido em meio à rotina intensa de aulas, TCCs e projetos acadêmicos, mas contou com o comprometimento de todos os integrantes. “Foi a primeira vez que fiz um trabalho em que posso dizer que todo mundo participou. Ganhar esse prêmio é ganhar com meus amigos”, afirmou.

O universitário também ressaltou o papel inspirador do festival para estudantes que estão ingressando no mercado de comunicação. Após não conquistar uma vaga entre os finalistas na edição passada, a equipe utilizou a experiência como motivação para retornar ao concurso.

“Não é porque perde-se hoje que vai perder toda vez. Nós não desanimamos e voltamos para tentar novamente”, disse. Para ele, o prêmio simboliza não apenas o reconhecimento de um projeto criativo, mas também a confirmação de que dedicação, persistência e trabalho em equipe podem transformar desafios em resultados.

Balanço da edição

Ao todo, foram mais de 26 campanhas inscritas no Concurso Social Fest’In 2026. Nove chegaram ao shortlist e três foram premiadas. Para o presidente da APCM, Eduardo Soares, os trabalhos demonstraram sensibilidade ao abordar um tema atual e complexo. “As campanhas refletiram bastante essa realidade. Trouxeram uma reflexão sobre um assunto pesado para a sociedade, mas de uma forma leve e impactante”, afirmou.

Soares acrescentou que as campanhas vencedoras se destacaram pela capacidade de transformar um problema social em mensagens acessíveis e relevantes para o público. “Tivemos três universidades diferentes no pódio, jovens em situações de vida e jornadas distintas, mas com um olhar muito criterioso sobre o tema”, destacou.

O professor da Unaerp, Cesar Cauê de Lima Luz, ressaltou a evolução do festival e o engajamento dos participantes ao longo dos anos. “É muito gratificante perceber a evolução do evento e dos alunos. Hoje, vivemos um momento cada vez mais tecnológico, mas ver esses jovens preocupados em apresentar ideias com conteúdo e valores nos confirma que estamos no caminho certo”, destacou.

O professor também avaliou que o nível das campanhas tornou a disputa equilibrada. “Todos poderiam ter conquistado o primeiro lugar. Foram trabalhos muito bem desenvolvidos e que representaram muito bem suas faculdades”, concluiu.

Crédito das fotos:

Foto 1: Sandro Nascimento (Foto Grupo Luz)

Foto 2: Daniel Labanca (Foto Grupo Luz)

Foto 3: Marcela Calura (Foto Grupo Luz)

Crédito das fotos:

Foto 4: Marcela Calura (Foto Grupo Luz)

Foto 5: Eduardo Soares, Camila Bianchezi e SIlvia Bianchi (Foto Grupo Luz)

Foto 6: Daniel Andreolli e Rodrigo Benetti (Foto Grupo Luz)

Crédito das fotos:

Foto 7: Gus Souza (Foto Grupo Luz)

Foto 8: Vencedores 1º lugar Concurso Social (Foto Grupo Luz)

Foto 9: Vencedores 1º lugar Concurso Social (Foto Grupo Luz)

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