segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Estudo revela como o Novo Agro redefine consumo

O agronegócio brasileiro atravessa uma revolução que transcende a produção rural e se consolida como uma das principais forças culturais, econômicas e de consumo do país. É o que revela o estudo Novo Agro, desenvolvido pela Estúdio Eixo,  Consumer Behavior & Culture Consulting do ecossistema Biosphera.ntwk em parceria com a Zygon Digital – Adtech baiana focada em mídia e estratégia digital, que traça uma fotografia inédita do setor que mais cresce no Brasil.

Com uma metodologia que combina desk research, análise semiótica, netnografia de mais de 100 mil comentários em redes sociais e entrevistas com especialistas dos setores de agro, tech, moda e música, a pesquisa decodifica como o agronegócio vem moldando novos estilos de vida, valores e práticas culturais. O agro não se restringe ao Centro-Oeste: seus códigos culturais se espalham por todo o Brasil, alcançando também o Nordeste e o Sul.

O agro como motor econômico e cultural

Responsável por R$ 2,72 trilhões (⅓ do PIB brasileiro) e mais de 28 milhões de empregos (26% dos postos de trabalho do país), o agronegócio transformou cidades do interior em polos de desenvolvimento. Municípios como Sorriso (MT), São Desidério (BA) e Rio Verde (GO) lideram o ranking nacional de produção agrícola, enquanto Goiânia emerge como a “Dubai brasileira” o epicentro de luxo, com crescimento de 80% em lançamentos imobiliários de alto padrão e porta de entrada prioritária para grifes como Chanel, Tiffany e Christian Louboutin.

Balneário Camboriú (SC) consolida-se como a “Riviera do Agro”, destino preferencial da nova elite rural, com o metro quadrado mais valorizado do Brasil (R$ 14,3 mil) e crescimento de 11,16% em 12 meses.

A pesquisa mapeia a evolução dos códigos culturais do agro em três camadas:

  • Códigos Residuais (#AgroRaiz): valores fundadores como fé, família, trabalho e masculinidade rústica
  • Códigos Dominantes (#AgroStyles): AgroTech, AgroPop e AgroLuxo — fusão de tradição, tecnologia e cosmopolitismo
  • Códigos Emergentes (#AgroFuture): sustentabilidade (GreenTech) e protagonismo feminino (FeminAgro)

“O agro brasileiro não é mais homogêneo. Existem múltiplas identidades do produtor tech que pilota drones ao ‘vaqueiro pop’ que mescla botas texanas com grifes internacionais. É um remix cultural que combina raízes locais com referências globais”, destaca o estudo.

Para Lucas Reis, presidente e sócio da Zygon, entender essa transformação é decisivo para marcas que desejam atuar de forma relevante nesse universo:

“O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos. Quando analisamos consumo, mídia e performance, fica claro que as marcas que prosperam são aquelas que traduzem esses códigos em estratégias consistentes de comunicação, experiência e relacionamento — e não em ações pontuais”, afirma o executivo.

O Novo Agro impulsiona uma cadeia multibilionária que conecta lifestyle e entretenimento:

  • Música sertaneja: 7 em cada 10 brasileiros ouvem o gênero; 9 dos 10 álbuns mais ouvidos no Brasil são sertanejos
  • Rodeios: mais de 1.000 eventos/ano movimentam R$ 9 bilhões e reúnem 9 milhões de pessoas. A Festa do Peão de Barretos sozinha gerou R$ 600 milhões em 2025
  • Feiras: Agrishow 2025 movimentou R$ 14,6 bilhões em negócios e recebeu 197 mil visitantes
  • Automóveis: crescimento de 74% nas vendas de picapes premium, com a RAM consolidada como “carro oficial do agro de luxo”
  • Moda: aumento de 379% nas buscas por botas western e 265% por camisas com franja

O estudo destaca duas tendências estruturais:

FeminAgro: mais de 1 milhão de produtoras rurais, crescimento de 109% no emprego formal e 30 milhões de hectares geridos por mulheres. Perfis como “AgroPaty” (herdeiras conectadas, com formação em agronomia e visão ESG) e “AgroPeoa” (mulheres que disputam a arena com competência técnica) ganham protagonismo.

Sucessão jovem: idade média dos produtores é 46 anos, 21% têm curso superior e lideram a adoção de tecnologias como IoT, IA e agricultura 5.0.

“O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade. É um universo cultural potente, que influencia tendências, linguagem e comportamento muito além do campo. Mas não basta patrocinar eventos. As marcas precisam entender os códigos culturais, construir passion points autênticos e entregar valor que reforce identidade e pertencimento. O Novo Agro exige estratégia, não oportunismo.”, aponta Kika Brandão, CEO da Eixo. 

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