segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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Da experimentação à maturidade: a Fase 2 da IA

Se 2025 foi o ano em que o mundo começou a entender o potencial da Inteligência Artificial, 2026 marca o início de uma nova era de maturidade para o setor. Para Bia Ambrogi, presidente da APRO+SOM, o mercado criativo entra agora em uma “Fase 2” da tecnologia. “Já estamos vendo mudanças profundas na forma, no fluxo, no formato e no encaminhamento das produções. Na nossa área, o impacto reside nos limites de até onde usar a tecnologia sem comprometer a criatividade humana”, afirma.
Um dos pilares desta nova fase é a segurança jurídica. Há uma forte expectativa da conclusão do marco regulatório da IA neste ano, o que permitirá ao mercado estabelecer padrões éticos embasados. Segundo Bia, a cautela da associação foi estratégica: “Algumas entidades buscaram guias práticos baseados no bom senso, mas, a APRO+SOM, por exemplo, optou por aguardar a regulação oficial para, a partir dela, elaborar um guia realmente prático, objetivo e ético sobre a utilização da IA no setor de som”.
Além da tecnologia, o cenário macroeconômico impõe um ritmo atípico. A combinação de um ano eleitoral com a realização da Copa do Mundo cria uma dinâmica de espera e sazonalidade. “O mercado oscila entre marcas e agências que aguardam os resultados das urnas para definir posicionamentos e uma agenda de comunicação que gira intensamente em torno da Copa. É um cenário desafiador que se soma à necessidade de as produtoras e fornecedores se posicionarem sobre como integrarão a IA em seus processos”, explica Bia.
Nesse contexto, a palavra de ordem é flexibilidade. Com a pressão por redução de custos e o surgimento de novas plataformas, as produtoras musicais precisam expandir seu escopo tradicional. Para a presidente da associação, a produção de som para audiovisual de publicidade, entretenimento e games deve evoluir e estar preparada para finalidades que estão apenas começando a surgir. “Precisamos cultivar essa abertura para novas formas de trabalhar sem se prender a um formato único, pois os formatos realmente vão mudar.”

Esse movimento é, também, uma aposta estratégica na exportação de serviços e produtos de áudio. Em um ano em que o Brasil volta a ocupar o protagonismo no audiovisual, no cinema e nas premiações internacionais da música, o setor de som acompanha essa visibilidade ampliada. Ao mesmo tempo em que o país fortalece ainda mais sua imagem cultural no exterior, as produtoras brasileiras têm a oportunidade de fortalecer a exportação de produtos e serviços brasileiros.

As marcas reconhecem o som como um ativo estratégico e de poder imagético, mas o mercado enfrenta um paradoxo: a valorização da identidade sonora versus a busca agressiva pela redução de custos. Para proteger os produtores dessa dinâmica predatória, a APRO+SOM continua mobilizando o setor em torno de mecanismos de defesa, como o Projeto de Lei 1776/2025. A proposta visa corrigir gargalos crônicos, como as condições abusivas de pagamento que fragilizam as pequenas e médias produtoras.
Para Bia, o futuro exige um equilíbrio entre a eficiência técnica e o olhar autoral. “Produções que buscam identidades sonora e emoção em notas dependem de uma visão e execução humana; o fator humano é insubstituível para corporações inteligentes que valorizam o olhar criativo.”, pontua.
Ao olhar para o horizonte de 2026, a presidente da APRO+SOM reforça a importância da resiliência criativa: “No mais, é preciso ter mente aberta e sensibilidade para entender para quem e para onde vamos criar som, considerando as novas mídias e produtos. Descobriremos ao longo do ano, como e para quem produziremos”
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