quarta-feira, janeiro 14, 2026
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A reputação como seguro

O único ativo que protege você quando o crachá some

Deixa eu te contar uma coisa…

O texto de hoje é um pouco mais longo, mas se fosse você, investiria um tempinho em ler e ler com muita atenção.

Existe um momento na vida corporativa em que a ficha cai e pela minha experiência com diversos(as) executivos que já mentoreei, quase sempre cai tarde. Não é quando você assume um cargo grande, não é quando você fecha um projeto enorme e não é quando o seu bônus vem acima do esperado, a ficha cai quando o crachá some.

Pode ser por diversos motivos, reestruturação, mudança de acionista, política interna, corte “estratégico”, que não tem nada de pessoal, mas te atinge do mesmo jeito.

E aí acontece um fenômeno silencioso (e humilhante, pra quem sempre entregou resultado): Você descobre que muita gente te respeitava… mais pelo cargo do que por você.

Essa é a parte que ninguém fala na mesa do board, mas todo mundo sente no estômago: Cargo é aluguel. Reputação é patrimônio.

O problema é que a maioria dos executivos trata reputação como se fosse “imagem”, “mídia”, “LinkedIn”, “vaidade”, por isso deixam o ativo mais valioso da carreira largado numa gaveta, sem manutenção, sem governança, sem estratégia e pior, muitas vezes deixa nas mãos de terceiros.

Só que reputação não é perfumaria, reputação é segurança é estratégia. E executivo(a) sem estratégia vive de sorte. O grande erro é achar que reputação é só comunicação

Vamos lá! Deixa-me separar as coisas com clareza, porque aqui mora a confusão que custa caro para muitos executivos(as).

· Comunicação é o que você diz.

· Marca é o que você promete.

· Reputação é o que o mercado acredita sobre você quando você não está na sala.

E o que o mercado acredita tem consequências objetivas:

· influencia convites,

· define portas de acesso,

· acelera decisões,

· reduz fricção,

· aumenta tolerância ao erro,

· e protege você em crise.

Reputação é o ativo que encurta o caminho até o topo ou te mantém preso no meio do caminho, mesmo sendo bom.

E é aqui que entra uma verdade que incômoda e dói: O mercado não paga “honorários de líder de pensamento” para quem ele percebe como “prestador de serviço”.

Você pode ter 30 anos de estrada, pode ter cases, pode ter currículo, pode ter competência real e muito mais, mas se a percepção te coloca na prateleira errada, você vai disputar preço com gente que não tem metade do seu lastro.

A pergunta é: quem está gerindo essa percepção?

Se a resposta for “ninguém”, você está deixando a coisa mais valiosa da sua carreira operar no automático. E automático, em reputação, significa o mercado decide por você.

Hoje a gestão de marca pessoal se tornou risk management. Se você ainda associa marca pessoal a autopromoção, eu te entendo. O mercado ajudou a contaminar o termo, tem muito “barulho travestido de estratégia”, mas o ponto aqui não é estética, é proteção.

Reputações, nos dias de hoje, são formadas e destruídas em velocidade absurda, e o comportamento do executivo virou componente direto de risco corporativo.

Você já percebeu como:

· uma fala mal colocada,

· um silêncio na hora errada,

· uma reação emocional,

· um print fora de contexto,

· uma entrevista truncada,

· uma decisão sem narrativa…

…vira munição?

E aí não é só “a sua imagem” que apanha, nesse bolo entram a empresa, o time, a cultura, o valuation e a confiança. É por isso que as organizações mais maduras já entenderam:

A reputação da empresa começa na reputação do líder. Só que tem um detalhe, quando a empresa percebe isso tarde, ela coloca “media training” em cima do problema e chama de solução. Media training é importante, mas é curativo, não protocolo de saúde, entedeu?

Blindagem de reputação é outra conversa, é:

· diagnóstico,

· estratégia,

· narrativa,

· prova,

· consistência,

· governança.

Blindagem é gestão.

 

“Marca pessoal não é “ser famoso”. É ser inevitável.” – Paulo Moreti

 

Quando eu falo de marca pessoal no universo executivo, não estou falando de “influencer”, estou tratando de autoridade inevitável, de blindagem de reputação.

Aquele tipo de autoridade que não depende do cargo, não depende de likes, não depende de tendência e não desmancha na primeira crise.

Autoridade inevitável nasce quando você junta 3 coisas:

1. tese (o que você defende com clareza),

2. provas (o que sustenta essa tese no mundo real),

3. narrativa (como você traduz isso para o mercado).

Sem tese, você vira “mais um competente”. Sem provas, você vira “bom de papo”. Sem narrativa, você vira “invisível”.

E invisibilidade, hoje, é risco. E aqui entra um outro ponto importantíssimo que separa amador de profissional: Opinião é o que você acha, tese é o que você sustenta.

A internet está cheia de executivos(as) opinando, porém o mercado, na verdade, está faminto por teses. É por isso que “dicas rápidas” podem até gerar engajamento, mas não constroem blindagem, porque a blindagem nasce de profundidade.

Quero aqui fazer uma provocação útil para você que está lendo:

Você quer ser percebido como “quem faz” ou como “quem entende”?

Só pra deixar registrado, “quem faz” é substituível, já “quem entende” vira referência.

E é aqui, nesse momento estratégico de reflexão, que surge o famoso sabotador, te fazendo pensar:

“Mas eu não quero parecer egóico”

Esse é o argumento mais comum de executivos(as) competentes, e juro que eu ouço muito e respeito. Só que aqui mora uma confusão: mostrar competência não é ego, é responsabilidade.

Se você ocupa cadeira de liderança, a sua reputação não é só sua, ela afeta também a sua equipe, seu time, sua empresa e todos que apostaram em você.

Bom, eu disse que valeria investir nessa leitura. Agora depois de te fazer refletir um pouco eu queria deixar claro o que muda quando você blinda estrategicamente sua reputação e a trata como ativo.

Vamos ao ponto prático: o que muda quando você gere marca pessoal do jeito certo?

1) Você para de “mendigar” oportunidade: O mercado te procura porque entende seu valor com antecedência.

2) Você reduz risco de interpretação: A narrativa já está construída, o mercado não precisa preencher lacunas com suposições.

3) Você acelera ciclos de decisão: Confiança diminui burocracia.

4) Você cobra mais (sem pedir desculpas): Porque você não vende “hora”, você vende “patrimônio”.

 

Um lembrete duro e necessário!

A maior parte dos profissionais só lembra de reputação quando está em transição, está em crise ou perdeu o crachá. Só que reputação não se constrói em sprint, reputação é composto, é juros sobre juros e como todo ativo ela pode valorizar ou depreciar.

A pergunta para fechar é simples:

Se a sua carreira fosse uma empresa, você estaria investindo nela ou só operando o caixa do mês?

 

Paulo Moreti

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