O fim da miragem e o início do equity
Deixa eu te contar uma coisa…
Pare um pouco e olhe para o cenário que se desenha hoje. Enquanto o Brasil volta lentamente ao ritmo normal, muitos executivos estão cruzando as portas de vidro das grandes corporações com uma sensação estranha de ressaca, e não estou falando da festa, mas da ressaca da realidade. A quarta-feira de Cinzas é o dia em que as fantasias são guardadas no armário e as máscaras perdem o sentido. No mundo corporativo, o fenômeno é idêntico: muitos líderes passam o ano inteiro fantasiados com o poder do cargo, acreditando que a autoridade que emanam pertence a eles, quando, na verdade, ela pertence apenas à cadeira que ocupam temporariamente. Vamos lá, é preciso ter a coragem de encarar as cinzas da própria trajetória e perguntar: o que sobra de mim quando a música para e o título do cargo é removido do meu nome? Para uma grande parte será uma dura reflexão, ou melhor uma dura constatação. Existe um abismo intransponível entre o executivo que gasta a vida inteira batendo metas para validar sua existência e aquele líder soberano que se tornou, ele mesmo, o maior ativo do mercado. Se você voltou para o escritório hoje sentindo que precisa “provar” seu valor novamente em cada reunião, em cada e-mail e em cada decisão de conselho, você está vivendo a miragem do crachá.
Você está operando como um inquilino da sua própria história, pagando um aluguel altíssimo em forma de estresse e insegurança, enquanto o proprietário real da sua carreira, o mercado, assiste à sua desvalorização silenciosa. A soberania executiva exige o fim das fantasias, é prciso entender que o cargo é um empréstimo volátil, uma “fantasia alugada” que em algum momento terá que ser devolvida, mas a sua reputação, essa é o único patrimônio inalienável que você possui. Se você não está gerindo sua marca pessoal com o rigor de um CEO cuidando do fluxo de caixa, você está deixando o seu legado ao sabor das cinzas.
É preciso ter a autoridade moral de admitir: o mercado de elite não paga o prêmio máximo para quem é apenas tecnicamente brilhante e você sabe que o mundo está lotado de “executivos-fantasia” que entregam resultados impecáveis, mas são invisíveis para as esferas de poder. O mercado por sua vez paga pela confiança antecipada e a economia atualmente é movida pelo intangível, pela percepção e pelo rastro de segurança que você projeta antes mesmo de dizer a primeira palavra em uma mesa de negociação.
Quem não governa ou melhor, quem não faz a gestão da própria imagem permite que o mundo o defina por baixo, e no topo da pirâmide, ser definido por baixo é o primeiro passo para a substituição. Muitos profissionais que chegam até mim para um bate papo inicial ou até mesmo no inicio de suas mentorias, acham que uma assessoria é somente trabalhar um Linkedin ou outras redes com um design bonitinho, uma assessoria estratégica de alto nível não tem nada a ver com posts superficiais, estamos tratando de uma engenharia de percepção pura. É aplicar ciência, neurobiologia e rigor para alinhar quem você é aos sinais que o mercado precisa receber para te reconhecer como uma autoridade soberana e inquestionável.
O sucesso no “andar de cima” não é uma obra do acaso e muito menos um prêmio por tempo de serviço, ele é uma construção milimétrica de percepção baseada na neurobiologia da autoridade. O cérebro humano decide em milissegundos se confia ou não em um líder, baseando-se em heurísticas de poder, que nada mais é do que um atalho mental ou regra prática intuitiva utilizada pelo cérebro para simplificar a tomada de decisão e resolver problemas complexos de forma rápida e eficiente, e que a maioria dos executivos ignora solenemente.
Existem líderes brilhantes pagando um pedágio invisível de invisibilidade, parece redundante mas é isso mesmo, simplesmente porque decidiram que ser “discretos” era uma virtude, quando na verdade o mercado exigia presença soberana. Se você gasta energia tentando validar sua senioridade a cada novo projeto, sua marca pessoal falhou com você. O líder soberano não precisa se provar, porque a reputação dele já fez o trabalho pesado de bastidor, eliminando a fricção e preparando o terreno para conquistas que parecem naturais para quem vê de fora, mas que são fruto de uma engenharia precisa.
A autoridade soberana confere ao executivo o que há de mais valioso no século XXI: a antifragilidade. Enquanto o profissional comum treme diante das fusões e das reestruturações que sempre surgem após o carnaval, o executivo com Brand Equity consolidado se beneficia da volatilidade, ou seja, ele não é mais refém de uma folha de pagamento, ele é o detentor de uma tese de valor que o mercado disputa ferozmente.
A escolha é clara e está diante de você nesta quarta-feira: continuar sendo apenas mais um CPF de alto custo, facilmente descartável na próxima janela de cortes, ou se transformar em uma instituição independente e soberana. A soberania executiva exige a coragem de abandonar a máscara da segurança corporativa e adotar o rigor científico de quem entende que cada sinal emitido conta para o seu valor patrimonial.
Muitos acreditam que “o trabalho fala por si” e posso te dizer, por mais estranho que pareças que essa é a maior mentira que já te contaram. O trabalho não fala, ele entrega, quem fala por você é a sua reputação. Quem constrói as pontes para o próximo conselho de administração é a sua marca pessoal. O maior multiplicador de resultados que você possui não está na sua planilha de Excel, mas na força da sua autoridade gerida estrategicamente.
É hora de assumir o controle total e parar de ser um espectador passivo no “desfile corporativo” dos resultados que a sorte decide te entregar. A gestão da reputação é a última fronteira da liderança de alta performance, é o diferencial que separa os que são lembrados na hora das promoções e convites daqueles que são apenas citados na lista de desligamentos.
O seu legado não é o que você deixa escrito no papel timbrado da empresa que te emprega hoje. O seu legado é o impacto da sua autoridade soberana na mente de quem decide os rumos da economia. Se você quer ser respeitado de verdade, comece respeitando a sua própria trajetória e dando a ela o tratamento profissional que você exige dos seus liderados. O patrimônio da sua reputação deve ser construído agora, com intenção, método e ciência, ou o mercado continuará decidindo quanto você vale com base na fantasia que você escolheu usar.
Qual é a narrativa ou seguindo a essência do texto, qual o samba enredo que o mercado conta sobre você quando você sai da sala hoje?
Se você não tem essa resposta na ponta da língua, você já perdeu o controle. A soberania executiva é o ato de retomar as rédeas, é decidir que você não será apenas mais um sobrevivente da quarta-feira de cinzas, mas o protagonista que dita as próprias regras do jogo.
O tempo das máscaras acabou. O tempo da soberania começou. Você está pronto para assumir o seu lugar como autoridade máxima da sua própria história? O mercado está voltando ao ritmo, e ele só tem olhos para quem é soberano.
Bora posicionar essa marca pessoal?
Paulo Moreti Blindagem estratégica de reputação para executivos Personal Branding Specialist
