Muito se fala da grande mudança de comportamento do consumidor nos últimos anos, especialmente em função da evolução dos canais digitais, nessa Copa do Mundo esse fenômeno está mais evidente do que nunca em nosso país.
Grande parte do foco das notícias da Copa aqui no Brasil, desde seu início, deixou de ser vencedores X perdedores, grandes “zebras” ou jogadores que se destacaram nas partidas e em grande número se concentrou em comparar o incomparável: “tradicional X digital”. As emissoras de TV, abertas ou assinadas, com grades estruturadas e altos custos versus um canal digital com estrutura simplificada e menores custos que tem como único objetivo explorar ao máximo esse conteúdo, atraindo o maior número possível de consumidores interessados e disponíveis.
É uma grande oportunidade de comunicação ter essas opções e para as agencias e anunciantes é um terreno fértil que está sendo muito bem explorado.
Como vivemos praticamente 100% do tempo online e a sensação é de que o mundo acaba se ficarmos cinco minutos off (parece que ficamos à margem do mundo), aliado a vida corrida que todos nós experimentamos no dia a dia, nada é mais conveniente do que acompanhar os jogos, os resultados, notícias e tudo o que envolve o evento via internet e celular.
Por outro lado a competição com 48 nações participantes divide opiniões, mas independentemente da qualidade de alguns jogos e da questão financeira que envolve a FIFA e os países sede, a possibilidade de mais países participarem (desde as eliminatórias) é uma das atividades humanas mais democráticas dos últimos tempos, utilizando o esporte mais popular do mundo como alavanca, além de envolver orgulho, patriotismo e sentimento de pertencimento, mobiliza a audiência, gera ainda mais conteúdo e aumenta a capacidade de engajar, entreter e emocionar todas as camadas sociais, especialmente em um país com a nossa diversidade.
No caso da Casé TV, tornou-se um fenômeno maior do que se poderia esperar, batendo recordes tanto em termos de audiência como de inscritos, atingindo marcas históricas até no âmbito mundial do Youtube.
O que a maioria da mídia tem explorado é a suposta rivalidade com a Globo, além dos demais canais que tem parte dos direitos de transmissão, mas claramente esse evento tem mais afinidade com a estrutura de um canal digital, que é muito menos rígido, mais disponível e ágil do que o formato convencional de um canal de TV.
A Casé TV além de transmitir todos os jogos, exibir compactos e viver praticamente 100% do tempo dentro desse conteúdo, acertou na linguagem, ajustou o exagero das brincadeiras da copa anterior e manteve a maneira informal, bem humorada e descontraída de interagir com a audiência.
É compreensível que emissoras tradicionais com grades estruturadas, compromissos com a fidelidade de audiência dos programas e patrocinadores fixos não possam simplesmente “parar tudo” e viver de um único conteúdo – ainda que temporário. Não é razoável comprometer toda a programação com transmissões diárias (entre três e quatro jogos por dia) bloqueando as grades, porém essa decisão tem um preço, que é conviver com o enorme sucesso das transmissões esportivas digitais.
Não é o objetivo aqui detalhar números expostos na mídia o tempo todo, sobre o sucesso de um em detrimento ao outro, considero incomparável pois o propósito não é o mesmo. A produção de uma grade variada com conteúdos próprios, com alto nível de complexidade X transmissões de um único conteúdo já pronto. O fato é que definitivamente, as transmissões esportivas online se tornaram uma concorrência indigesta para as emissoras de TV que durante anos dominaram esse cenário.
Mesmo com a flexibilidade que as emissoras de TV vem experimentando nos últimos anos, nada se compara à interatividade que o ambiente digital proporciona, facilitando negócios, ampliando possibilidades criativas, produzindo promoções em tempo real e transformando a experiência do consumidor em algo mais próximo, sedutor e atraente.
A prova do sucesso desse modelo são os resultados espetaculares que estamos testemunhando, que em um passado recente pareciam não apenas improváveis, mas impossíveis.
Luiz Gini
VP de Mídia e Sócio da GPS Comunicação e Projetos
