terça-feira, janeiro 20, 2026
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Google lança UCP

Novo protocolo open‑source cria uma linguagem comum para descoberta, checkout e pós‑compra por agentes de IA, reduzindo o “N×N” de integrações e preparando varejistas para a era do comércio conversacional em superfícies como AI Mode e Gemini

O Google anunciou o Universal Commerce Protocol (UCP), um padrão aberto e open-source projetado para viabilizar a próxima geração de agentic commerce — cenário em que agentes de IA não apenas recomendam produtos, mas também conseguem executar etapas do processo de compra de ponta a ponta. O UCP estabelece uma “linguagem comum” e primitivas funcionais para conectar superfícies de consumo (como experiências conversacionais), negócios (varejistas/marketplaces) e provedores de pagamento, mantendo compatibilidade com a infraestrutura de varejo já existente.

O protocolo foi desenvolvido em colaboração com líderes do ecossistema — com menções a Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart, além de um conjunto amplo de parceiros como Adyen, American Express, Mastercard, Stripe, Visa, Zalando e outros.

O UCP padroniza capabilities (capacidades) essenciais do comércio digital — como checkout, descontos e fulfillment — de modo que agentes e plataformas possam descobrir e acionar essas capacidades de forma consistente, sem integrações “sob medida” para cada nova interface/agent.

Segundo o Google, o objetivo é reduzir o gargalo clássico de integrações “N×N” (cada varejista integrando com cada superfície/agente separadamente) para um modelo com um ponto padronizado de integração.

O Google afirma que o UCP irá suportar um novo fluxo de checkout em listagens elegíveis no AI Mode (Search) e no app Gemini, permitindo que o usuário conclua compras durante a pesquisa (reduzindo atrito e abandono). O pagamento deve ocorrer via Google Pay, utilizando informações já salvas no Google Wallet, com menção de suporte futuro a PayPal.

O UCP foi desenhado para ser interoperável com padrões e protocolos ligados à camada de agentes — incluindo AP2 (Agent Payments Protocol), A2A (Agent2Agent) e MCP (Model Context Protocol) — além de suportar múltiplos “transportes” (APIs, MCP e A2A). Na prática, isso reduz lock-in e acelera adoção por diferentes plataformas e stacks.

A documentação do Google aponta o Merchant Center como caminho para participar da implementação no ecossistema Google, com opções de integração como:

  • Native checkout (padrão)
  • Embedded checkout (opcional e para casos aprovados com necessidade de alta personalização)

Análise de mercado (Marketing & Negócios) — Wilson Silva

Para Wilson Silva — Professor da ESPM – SP, Coordenador do MBA em Marketing e IA da Impacta, palestrante na área de IA e CEO da WS Labs — o UCP representa uma mudança estrutural no marketing de performance e no e-commerce:

“O UCP reposiciona o e-commerce: sai do modelo ‘clique → site → carrinho → checkout’ e entra no modelo ‘intenção → conversa → ação’. Quem dominar essa transição primeiro vai capturar mais conversões com menos atrito — e vai reduzir custo de aquisição ao encurtar o caminho entre descoberta e compra.”
— Wilson Silva

Na visão de Wilson, a nova vantagem competitiva deixa de ser apenas mídia e criativo e passa a ser “prontidão de compra por agentes”, em três frentes:

  1. Dados e oferta estruturados para IA (ser “compreensível por agentes”)
    Varejistas precisarão enriquecer atributos e contexto de produto (incluindo respostas a dúvidas comuns, compatibilidades, substitutos, etc.), pois a descoberta em superfícies conversacionais deixa de ser só keyword e passa a ser semântica + intenção. Source

  2. Conversão como produto (não como etapa final)
    Checkout dentro do contexto reduz fricção. Isso muda o papel do e-commerce: a página de produto perde exclusividade como “lugar da decisão”, e a decisão pode ocorrer dentro da interface de IA, desde que o varejista esteja pronto tecnicamente. Source

  3. Pós-compra como diferencial (retenção e LTV)
    Se a IA torna “mais fácil comprar”, a guerra migra para experiência: entrega, trocas, suporte e fidelização. O varejista que tratar pós-compra como motor de crescimento (e não como custo) tende a ganhar LTV e reduzir CAC efetivo.


Como empresas brasileiras devem se preparar em 90 dias (checklist completo)

0–15 dias — Diagnóstico e base de dados

  • Auditoria de feed/catalogo: identificar lacunas de atributos (descrições, variações, políticas, estoque).
  • Padronizar taxonomia de produtos (categorias, atributos críticos, compatibilidades).
  • Mapear as 30 perguntas mais frequentes do cliente por categoria (para virar “conteúdo de decisão”).
  • Definir governança: quem aprova preço, política, promo, substituições e regras de desconto.

15–45 dias — Preparar a operação para “compras por IA”

  • Revisar checkout e políticas (prazo, frete, devolução, chargeback) para reduzir fricções que agentes não conseguem “negociar”.
  • Definir regras comerciais (ex.: quando permitir substituto, quando oferecer bundle, quando dar desconto).
  • Conectar inventário em tempo real (onde for possível) para evitar ruptura e frustração.

45–90 dias — Pilotos, métricas e escala

  • Rodar piloto por categoria (ex.: 1–2 categorias com melhor margem e logística simples).
  • Criar métrica de “Agentic Readiness” (ex.: completude de dados, SLA de estoque, taxa de devolução, tempo de entrega).
  • Rever estratégia de mídia: do “clique” para “intenção” — campanhas e criativos passam a alimentar conversa e decisão, não só tráfego.
  • Treinar atendimento para pós-compra (troca, dúvidas, atrasos) com foco em reputação e retenção.

Sobre Wilson Silva

Wilson Silva é Professor da ESPM – SP, Coordenador do MBA em Marketing e IA da Impacta, palestrante na área de Inteligência Artificial e CEO da WS Labs.

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