Africa cria “Árvore Refugiada”, que expõe drama de espécies nativas ameaçadas na Amazônia

A Amazônia está próxima ao seu “ponto de não-retorno” e, em apenas algumas décadas, pode ter 40% de suas florestas tropicais transformadas em savana – com aspectos semelhantes ao Cerrado-, de acordo com estudo publicado pelo jornal Nature Communications.

A mudança será irreversível, uma constatação que se torna ainda mais preocupante já que as florestas tropicais constituem um ambiente muito mais rico em biodiversidade, responsável por uma maior absorção de quantidade de CO2 em comparação à cobertura vegetal de gramíneas e árvores esparsas da savana. A vida de todos está em risco, especialmente daqueles que habitam o ecossistema ameaçado.

Para denunciar o risco de vida diante da devastação e exploração descontrolada das florestas no Brasil, com a intensificação do desmatamento e queimadas responsáveis pela destruição de biomas inteiros, um jatobá, uma das muitas espécies ameaçadas de extinção na região, decidiu pedir refúgio em embaixadas de países estrangeiros por estar correndo perigo em seu território de origem.

Criado pela Africa, o insólito pedido foi apresentado inicialmente durante o evento 24 horas de Realidade: Contagem Regressiva para o Futuro, do Climate Reality Project, em filme produzido pela Hungry Man, além de ter sido enviado para mais de cinquenta embaixadas no Brasil.

As árvores da Amazônia, e também de outros biomas brasileiros, estão sob ameaça. A comparação ao termo refugiado que, segundo o Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), abarca todos os seres vivos que estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição e à grave e generalizada violação de direitos e conflitos visa mobilizar a opinião pública mundial sobre a aceleração das agressões a maior floresta tropical do mundo, assim como a necessidade de fortalecer o manejo sustentável na região.

Produzido pela Hungry Man e dirigido por JC Feyer, o filme conta a jornada de uma árvore refugiada – o Jatobá – e também convida as pessoas a assinarem uma petição pela suspensão de todo o desmatamento durante os próximos cinco anos, meta baseada nas “5 Medidas Emergenciais para Combater a Crise do Desmatamento da Amazônia” presentes em documento formulado por cientistas e entidades que atuam no território.

Além do Climate Reality Brasil, organização com o objetivo de informar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas no planeta, a ação tem apoio do GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental, grupo de trabalho formado por 40 organizações socioambientais que atuam em conjunto a organizações locais, e do Engajamundo, rede de jovens que promove o engajamento político como meio de transformação da realidade.

“Nosso meio ambiente está sob ataque de pessoas e estruturas que deveriam protegê-lo. Precisamos chamar a atenção para essa tragédia em curso e mobilizar muito além da comunidade internacional para reverter esse cenário”, disse Renata Moraes, gerente do Climate Reality Brasil.

A organização de jovens Engajamundo salientou a importância da ação: “A Amazônia pede socorro há anos. O pedido de refúgio desta árvore ameaçada de extinção simboliza não somente a sobrevivência deste e outros seres vivos que são essenciais para a vida no planeta, mas também dos muitos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, entre tantos outros que vivem na Amazônia e que lutam para proteger a floresta e seus territórios. Esta ação traz a necessidade e a urgência da mobilização em prol da preservação das nossas florestas, a nível nacional e internacional, e do fortalecimento da luta de seus povos originários e tradicionais que mantêm uma relação sustentável com a Amazônia”.

“Árvores são seres vivos e essa é uma ação dramática para chamar a atenção do mundo para o extermínio sistemático das nossas espécies. Precisamos avançar para uma política de desmatamento zero a curto prazo e sermos intransigentes na luta contra a depredação dos nossos biomas”, enfatizou Edson Vidal, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ).

“Esse inusitado pedido de refúgio mostra a gravidade da situação de milhões de árvores e outras formas de vida que estão sendo exterminadas sem ter a quem recorrer no Brasil, onde autoridades responsáveis por sua proteção muitas vezes estão aliadas aos destruidores. Cabe a nós, cidadãos, nos posicionarmos em defesa desta e de milhões de árvores em busca de uma solução que começa pela implementação das  “5 Medidas Emergenciais para Combater a Crise do Desmatamento da Amazônia”; o que permitirá que milhões de árvores, nossas florestas e seus habitantes possam viver em paz no Brasil, prestando seus relevantes serviços climáticos para nós e a todo o planeta”, afirmou Sérgio Guimarães, Secretário Executivo do GT Infraestrutura.

Saiba mais em: https://www.arvorerefugiada.com.br/pt-br/

Veja: