Energia e Engajamento
A angústia sobre a brevidade da vida e o desejo de não desperdiçar tempo com futilidades atravessam séculos de filosofia e espiritualidade. No primeiro século, Sêneca, em sua obra Sobre a Brevidade da Vida, já alertava: não é que a vida seja curta, mas que desperdiçamos muito tempo.
Dois mil anos depois, esse alerta permanece atual — especialmente no mundo econômico e organizacional.
Por que isso importa?
Distrações no trabalho, especialmente reuniões improdutivas, têm impacto direto na produtividade e na competitividade. Estudos internacionais estimam perdas de centenas de bilhões de dólares anuais com reuniões desnecessárias. Em países como Japão e Índia, a ineficiência nesses encontros reduz a produtividade em até 20%.
No Brasil, embora os dados sejam mais limitados, pesquisas indicam que:
· 47% dos profissionais consideram reuniões improdutivas sua maior frustração diária.
· Cada colaborador pode perder mais de 30 horas por mês em encontros pouco efetivos.
· Até 30% do tempo corporativo é desperdiçado com reuniões sem propósito claro.
Os reflexos aparecem nos rankings internacionais. No relatório IMD World Competitiveness, o Brasil ocupa posições inferiores há anos. O uso inadequado do tempo é um dos fatores estruturais dessa baixa competitividade.
Panorama Geral:
Existe vasta literatura sobre o tema. Entre as obras mais relevantes, destaco **A Arte dos Encontros, da autora Priya Parker, publicada no Brasil pela Companhia das Letras.
O livro é um guia transformador sobre como tornar encontros — profissionais ou pessoais — mais significativos, produtivos e memoráveis.
Especialista em mediação e relações humanas, Parker afirma que a maioria das reuniões fracassa porque segue um modelo padrão: agenda, sala e participantes… sem clareza de propósito.
Ela propõe um novo paradigma: encontros intencionais, construídos com escolhas conscientes e foco no resultado.
No primeiro capítulo, a autora destaca o princípio central:
Antes de marcar qualquer reunião, defina o propósito real. Não “o que vamos discutir”, mas “o que queremos que aconteça ao final”.
Em um país relacional como o Brasil, isso é especialmente relevante. Muitos encontros existem apenas para manter vínculos — e poderiam ser substituídos por check-ins rápidos e objetivos.
No capítulo seguinte, surge outra provocação:
Convide apenas quem é essencial.
Grupos menores geram mais foco, conexão e produtividade. Reduzir participantes e tempo é um sinal de maturidade gerencial.
Ao longo da obra, Parker apresenta práticas simples que podem:
· multiplicar o impacto das reuniões
· aumentar a produtividade dos times
· reduzir desperdício de tempo e energia
A leitura é leve, prática e torna-se um verdadeiro “manual de trabalho”.
Moral da História
Em um ambiente de alta competição, margens pressionadas e baixo engajamento, aceitar reuniões sem propósito é um sinal de baixa maturidade organizacional.
Ter propósito significa saber por que estamos reunindo pessoas — e honrar o tempo de todos.
Antes de convocar um encontro, pergunte:
· Qual é o resultado esperado?
· Quem realmente precisa estar presente?
· Esse encontro precisa mesmo acontecer?
Cada reunião deve ser um motor de energia, foco e decisão — não de dispersão.
O Fevereiro Amarelo nos convida a proteger aquilo que mais escasso temos: atenção, energia e tempo.
Como tem sido a sua experiência? Você mede o impacto das reuniões na sua organização?
Abraços, Raimundo Sousa
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