Energia e Engajamento
– O mito da velocidade como sinônimo de sucesso-
Por muito tempo, o mercado premiou empresas que exibiam expansão acelerada, ganho rápido de market share e escala agressiva. Em paralelo, proliferaram rankings e reconhecimentos que, em alguns casos, valorizam mais a narrativa do que a sustentação do desempenho.
. O cenário atual, porém, tem sido didático: crescer rápido demais, sem estrutura adequada, compromete margens, cultura, governança e energia organizacional.
Por que isso importa?
Velocidade sem estrutura aumenta a complexidade, acelera decisões ruins, gera desalinhamento interno e exaure equipes. Quando a empresa acelera além do que consegue sustentar, a produtividade cai, o engajamento enfraquece, o turnover aumenta e a qualidade das decisões diminui.
Panorama Geral:
Na edição especial da Harvard Business Review (fevereiro/2026) sobre crescimento em tempos de instabilidade, um dos eixos mais relevantes trata do ritmo e da velocidade do crescimento. A mensagem é clara: crescer rápido demais pode ser tão perigoso quanto não crescer. O ritmo precisa ser compatível com a capacidade operacional, com a cultura e com a maturidade da liderança. Em outras palavras: o segredo está em calibrar a velocidade ao limite saudável da estrutura disponível — e fortalecê-la antes de acelerar.
Há exemplos recentes que ilustram bem essa tese.
No Brasil, TOTVS é um caso de crescimento contínuo e sustentável ao longo de décadas, sustentado por aquisições estruturadas, consolidação gradual e governança robusta. Magazine Luiza e Grupo Mateus, no varejo, também são reconhecidos por uma expansão alinhada à capacidade logística, operacional e à transformação progressiva.
Em sentido distinto, empresas como QuintoAndar e Olist viveram fases de forte expansão e, depois, precisaram recalibrar o ritmo diante das mudanças macroeconômicas e da nova realidade do mercado.
No cenário internacional, Apple, Costco e Inditex são referências de crescimento seletivo e sustentado por disciplina operacional, foco e consistência.
Não é difícil encontrar ao nosso redor exemplos de empresas que cresceram com vigor e sustentação porque ajustaram o ritmo aos recursos disponíveis — e também casos de fracasso quando a velocidade ultrapassou estrutura, cultura e capacidade real de execução.
Reserve um tempo para refletir: qual é o ritmo certo para a sua organização agora? E quais reforços de estrutura são necessários antes da próxima aceleração?
Moral da História
Velocidade pode, sim, ser uma vantagem competitiva — desde que seja calibrada: alinhada à estratégia, suportada pela estrutura, compatível com a energia do time e acompanhada de governança. Quando movida por impulso, vaidade ou pressão externa, torna-se perigosa e destruidora de valor.
O Fevereiro Amarelo nos lembra disso: ele prepara a atenção necessária para acelerar com inteligência.
Antes de ser veloz, é preciso estar consciente. Antes de acelerar, é fundamental estar alinhado.
Abraços,
Raimundo Sousa
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