Toda empresa deveria repensar seu negócio pelo menos a cada três anos. E, se for necessário, começar tudo do zero, trocando de casca, como dizia meu saudoso sócio e Presidente da Talent Propaganda, Júlio Ribeiro.
Comentei sobre essa ideia do Júlio com meu amigo Daniel Queiroz, Presidente da Fenapro, e ele me disse que o Júlio, hoje, reduziria esse período para um ano, ao invés de três.
O Daniel tem razão. As coisas estão mudando com muita velocidade. Não importa o tipo de atividade, o tamanho ou a idade das empresas. Todas precisam, em algum momento, passar por processos de melhoria e transformação.
É o que pelo menos as empresas mais antenadas estão fazendo: movimentando-se para encontrar caminhos novos, superar os desafios e, com isso, se manter ativas, rentáveis e valorizadas.
Mudanças na economia, em tecnologia e no perfil dos consumidores, especialmente no dos jovens, que contestam como sempre quase tudo e lutam por objetivos como qualidade de vida, consumo responsável, diversidade, meio ambiente e tantos outros, têm gerado essa reação. A velocidade nas mudanças é impressionante. Ou as empresas aceleram para acompanhar essas mudanças, ou se tornarão irrelevantes ou com possibilidades de desaparecer em pouco tempo. E não é só o jovem que está mudando a postura: consumidores seniores e os da terceira idade também estão levantando essas bandeiras.
Essa atitude dos consumidores com certeza tem levado as empresas à necessidade de repensar seu business, seus produtos, sua visão de futuro, sua perpetuação e sua relação com clientes, consumidores e funcionários.
Empresas centenárias com produtos reconhecidos no mundo inteiro estão se mexendo para entender esse novo mercado e essas novas demandas (demandas essas nem tão novas assim) e fazendo mudanças com o objetivo de sobreviver e ter relevância, única forma de se manter no negócio.
Quem poderia imaginar que o Grupo Saks Global, com sua loja ícone, a Saks Fifth Avenue, em Nova Iorque, pediria concordata,
levando junto suas duas recentes aquisições, a Bergdorf Goodman e a Neiman Marcus? Pois então, isso aconteceu recentemente, 2025, há menos de um ano.
Mudanças em empresas pequenas, aparentemente, são mais fáceis, já que estas são mais leves em função de sua estrutura e, com isso, conseguem inovar, mudar de rumo com mais facilidade. Por outro lado, sofrem de um mal crônico: a falta de dinheiro para investir nessas mudanças, além, muitas vezes, de certa dificuldade dos sócios em entender essa necessidade de aprimoramento e mudança constantes.
Sobre o investimento para essas mudanças, de fato, muita coisa custa dinheiro, porém muitas outras não demandam desembolso, e sim atitudes.
O foco precisa ser: olho no cliente; equipe de primeira linha; sócios comprometidos com o negócio e sua perpetuação; atenção à gestão financeira, contábil e tributária; investimento em tecnologia; inovação na forma de operar e na qualidade do produto a ser entregue, dos serviços ou dos manufaturados; e atenção especial às pessoas, o mais valioso ativo da empresa.
Velocidade na entrega é fundamental. O cliente sempre tem pressa, seja para receber uma mercadoria ou um serviço contratado.
Esse “repensamento” para funcionar precisa da adesão de todos os sócios, que por sua vez devem trabalhar para que suas equipes, da diretoria até a dona Maria do café, estejam em sintonia e apoiem essas mudanças.
Trocar de casca não é fácil, exige muita negociação, diálogo, firmeza nos propósitos e, principalmente, acreditar no projeto. Mesmo que isso custe jogar tudo fora e começar de novo.
Preparados? Mãos à obra.
Antônio Lino Pinto
Viramundo Consultoria em Gestão www.gestaoparaempreendedores.com.br
