“A saúde do executivo como ativo estratégico central”
Na edição passada, afirmamos que o humano deixou de ser um fator “soft” para se tornar o ativo estratégico central das organizações. Cuidar das pessoas não é mais uma tarefa exclusiva de RH: é responsabilidade de todos os níveis.
O fator humano permeia toda a estrutura organizacional — do conselho à operação. Está presente em todas as camadas de governança e decisão.
No entanto, o ser humano é frágil biologicamente, limitado cognitivamente, dependente relacionalmente e sensível ao sentido do que faz. Essa vulnerabilidade existe em todos os níveis, mas seus impactos são desproporcionalmente graves quando atinge os níveis estratégicos.
Por que isso importa tanto para executivos e empresários?
• Decisões estratégicas são biológicas antes de serem racionais: fadiga, privação de sono e estresse crônico reduzem drasticamente a qualidade do julgamento, aumentam vieses e comprometem a visão de longo prazo.
• Impactam diretamente o desempenho e a produtividade: baixa acabativa, reações emocionais excessivas e exaustão não geram resultados sustentáveis — apenas desgaste.
• Longevidade empresarial exige longevidade humana: sem líderes saudáveis, não há continuidade estratégica.
Panorama atual – um alerta real e atual:
Há inúmeros casos, globais e locais, que mostram: quando a saúde do executivo é negligenciada, o impacto vai muito além do indivíduo. Afeta o timing das decisões, a estabilidade da liderança, a sucessão, a confiança do mercado e a própria continuidade do negócio.
Adoecimento de lideranças não é evento privado — é risco estratégico.
Exemplos que marcaram história:
• Steve Jobs (Apple): adiou por anos o tratamento de um câncer tratável. Resultado: afastamentos prolongados, incerteza na liderança, sucessões temporárias. A Apple sobreviveu graças à força do time e da cultura, mas o caso virou referência mundial de risco por dependência excessiva de uma liderança adoecida.
• Jack Ma (Alibaba): após anos de ritmo insano e pressão extrema (inclusive política), afastou-se por longo período. Exaustão acumulada alterou presença, influência e direção estratégica da empresa.
• Howard Schultz (Starbucks): sempre associou liderança eficaz a energia pessoal e clareza mental. Saiu, retornou em momentos críticos e reforçou que sem saúde não há liderança sustentável.
E o cenário atual no Brasil?
Nos últimos anos, os casos de CEOs e executivos que pedem afastamento por exaustão, reduzem escopo ou antecipam saídas planejadas dispararam. Em 2024, o Brasil registrou recorde histórico: mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais (o maior número em pelo menos 10 anos), com crescimento expressivo de burnout e esgotamento. Líderes estão entre os mais afetados: estresse crônico, sobrecarga e falta de recuperação impactam diretamente a tomada de decisão e a governança.
Impactos concretos no negócio:
• Descontinuidade estratégica
•
• Perda de ritmo e momentum
• Insegurança interna e externa (acionistas, equipe, mercado)
Moral da história
Empresas não quebram apenas por erros de estratégia. Muitas quebram (ou perdem valor) quando seus principais decisores adoecem.
A saúde do executivo é um ativo estratégico central porque sua ausência paralisa decisões, fragiliza a governança e compromete a longevidade do negócio. Onde a liderança adoece, a estratégia enfraquece.
Os números crescentes de afastamentos por transtornos mentais e os inúmeros casos de executivos que precisaram parar mostram que a ausência de protagonismo com a própria saúde cobra um preço altíssimo — individual e empresarial.
Ser protagonista hoje significa agir antes da licença, antes da crise, antes da ruptura.
Estamos no começo do ano. Janeiro Teal é exatamente sobre clareza, ritmo e direção. Se necessário, ainda há tempo para redirecionar.
Cuide-se. Cuide da sua energia, do seu sono, da sua clareza mental. Seu negócio (e sua vida) dependem disso.
Abraços fortes,
Raimundo Sousa
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