O mercado brasileiro de advanced analytics e inteligência artificial se consolidou em 2025 com base em três pontos: a governança de dados como base inegociável, arquiteturas distribuídas capazes de ampliar o acesso sem comprometer o controle e a responsabilidade ética elevada à condição de requisito obrigatório. Esse é o principal diagnóstico da nova edição do relatório ISG Provider Lens™ Advanced Analytics and AI Services 2025, produzido e distribuído pela TGT ISG.
De acordo com o relatório, o avanço do hype em torno da IA funcionou como catalisador para acelerar a maturidade das empresas rumo a uma atuação efetivamente orientada por dados. “Ficou claro que as empresas brasileiras passaram a despertar para temas destacados por este estudo desde sua primeira edição, em 2020. O hype em torno da IA levou não apenas decisores de TI, mas também CEOs, CFOs e CMOs a buscar fornecedores para implementar soluções, atraídos pelas promessas de produtividade e automação. Na tentativa de evitar a obsolescência, muitas organizações aceleraram a adoção de procedimentos que já deveriam estar em prática, impulsionando sua evolução para modelos orientados por dados”, explica Marcio Tabach, distinguished analyst da TGT ISG e autor do estudo.
O relatório aponta que muitos dos fornecedores analisados, especialmente os posicionados como líderes, avançaram na automatização de processos de governança de dados. Modelos tradicionais de IA e machine learning passaram a ser integrados a soluções com interfaces baseadas em IA generativa, que acessam modelos embarcados para responder a demandas que exigem o tratamento de dados estruturados. Paralelamente, a ciência de dados migrou para ambientes low code e no code, com algoritmos embutidos nas plataformas, incluindo classificadores, séries temporais e regressão linear.
Nesse contexto, os resultados analíticos passaram a ser entregues por meio de agentes, antecipando a tendência de construção e orquestração de agentic AI para atender a conjuntos mais amplos de demandas corporativas. “Em um case com uma grande rede de alimentação com múltiplas marcas, fornecedores desenvolveram um modelo de previsão focado em eventos especiais, como jogos, estreias e grandes promoções. A iniciativa permitiu antecipar picos anormais de demanda, ajustar a compra de insumos e evitar a perda de vendas em momentos críticos, justamente quando o movimento nas lojas é mais intenso”, revela o autor.
Mas casos recentes reforçam a urgência de práticas responsáveis. Em 2024, uma companhia aérea canadense foi obrigada a indenizar um cliente após seu chatbot de IA fornecer informações incorretas sobre regras de reembolso. Já em meados de 2025, uma plataforma de vibe coding apagou acidentalmente todo o banco de dados de um aplicativo em desenvolvimento. “Fatos como esses, divulgados ao longo do ano, combinados a relatórios que indicaram baixa geração de valor com soluções de IA e ao aumento da regulação no setor, ampliaram a conscientização sobre o uso responsável e confiável da tecnologia”, explica o autor.
Segundo o relatório, os fornecedores reagiram rapidamente ao cenário, concentrando esforços na organização de ambientes de dados historicamente fragmentados e complexos.
Outro ponto de destaque é o foco no letramento em IA. “Muitos fornecedores relataram iniciativas de qualificação das equipes de seus clientes, com a criação de ‘academias’ próprias de analytics. Esses programas ampliam o entendimento sobre a tecnologia, suas condições de implementação e oferecem capacitação em plataformas específicas”, comenta o autor. “Essas academias acabam sendo uma porta de entrada para novos clientes, especialmente no mercado midsize. É uma forma eficaz que os fornecedores encontraram para promover seus serviços, conhecimento e capacidade de entrega. Além disso, as academias também impulsionam o upskilling das equipes dos próprios fornecedores, criando uma diferenciação estratégica frente a concorrentes que dependem apenas da contratação de talentos no mercado”.
“O mercado está mais maduro”, explica o especialista. “As empresas começam a compreender a importância dos fundamentos da governança de dados, entre outros aspectos essenciais, o que é um sinal positivo”, conclui.
O relatório ISG Provider Lens® Advanced Analytics and AI Services 2025 para o Brasil avalia as capacidades de 49 fornecedores em quatro quadrantes: Data Science and AI Services — Large, Data Science and AI Services — Midsize, Data and Analytics Modernization Services — Large and Data and Analytics Modernization Services — Midsize.
O relatório nomeia Accenture, AI/R, BRQ, Cadastra, Capgemini, Dataside, Deal, Deloitte, IBM, MadeinWeb, NTT DATA, Quality Digital, Rox Partner, Stefanini e TIVIT como líderes em dois quadrantes cada. Também nomeia A3Data, BlueShift Brazil, Dedalus, Falconi, Objective e seus pares como líderes em um quadrante cada.
Além disso, a BIP, a Dadoteca, a Minsait e a Peers foram nomeadas como Rising Stars — empresas com um “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”, segundo a definição da ISG — em um quadrante cada.
Versões personalizadas do relatório estão disponíveis na Dataside, Falconi e Quality Digital.
