quarta-feira, janeiro 28, 2026
Programa Grandes Nomes da Propaganda no canal Markket
InícioMercadoCarnaval não é festa: é estratégia de marca

Carnaval não é festa: é estratégia de marca

O Carnaval brasileiro passa para além de ser apenas um evento cultural para se consolidar como um dos principais momentos de exposição nacional e internacional do país. É o que analisa Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, ao observar como o período funciona como um catalisador para o posicionamento do Brasil na rota global do turismo de luxo.
Segundo dados do Ministério do Turismo, o Carnaval de 2026 deve movimentar cerca de R$ 18,6 bilhões na economia brasileira, impulsionando setores como turismo, serviços e hospitalidade. Apenas o Rio de Janeiro recebe entre 1 e 1,2 milhão de turistas durante o período, enquanto hotéis cinco estrelas operam com taxas de ocupação entre 90% e 98%, com ativos icônicos atingindo 100% de ocupação com antecedência.
Para Tamara, esses números revelam mais do que um pico sazonal. “O Carnaval coloca o Brasil em estado de visibilidade global. Não como um destino de luxo plenamente consolidado, mas como um território em expansão nesse setor, observado de perto por um público internacional de alto poder aquisitivo”.
Um evento dessa magnitude exige uma preparação diferenciada da rede hospitaleira. Hotéis de alto padrão não operam o Carnaval como uma alta temporada convencional, mas como um momento de exceção estratégica, com planejamento antecipado, reforço operacional, treinamento intercultural de equipes e curadoria de experiências.
Hotéis como o Copacabana Palace e o Hotel Fasano Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro, atuam como verdadeiros mediadores da experiência carnavalesca para o público internacional, organizando acesso, segurança, fluidez e conforto em um ambiente urbano de alta complexidade. Em São Paulo, o Rosewood São Paulo reforça essa lógica ao integrar hospitalidade, cultura e lifestyle em padrão internacional, especialmente em períodos de grande visibilidade.
“O Carnaval funciona como um verdadeiro stress test para a hospitalidade brasileira. Quem consegue operar com excelência nesse contexto demonstra capacidade real de atender o mercado de luxo”, analisa a estrategista.
A partir dessa leitura, desenvolve-se o conceito de “ilhas de experiência” para explicar como o luxo se manifesta hoje no Brasil. Diferentemente de mercados onde o luxo opera como um sistema integrado, no contexto brasileiro ele surge de forma ainda localizada.
“As ilhas de experiência são projetos capazes de entregar luxo com curadoria cultural, controle da jornada do cliente, serviço em padrão internacional e uma leitura simbólica sofisticada do Brasil, mesmo em um ambiente estruturalmente desigual, os serviços de hospitalidade são grandes referências nesse sentido”, define.
Dentro dessas ilhas, o luxo acontece de forma consistente. O conceito ajuda a explicar por que determinados hotéis, resorts, branded residences e experiências premium conseguem atender com excelência um público exigente: essas ilhas operam de maneiras distintas conforme o perfil do viajante. Em cidades com desfiles e grandes eventos urbanos, hotéis de alto padrão funcionam como filtros do caos urbano, oferecendo acesso curado, segurança, fluidez e conforto. Já para turistas que utilizam o Carnaval como um feriado cultural, resorts e destinos de lazer operam com foco em bem-estar, gastronomia e serviço contínuo de alto nível. Em ambos os casos, o Carnaval atua como gatilho de deslocamento e visibilidade, reforçando a demanda por experiências sofisticadas e bem mediadas.
Na avaliação de Tamara Lorenzoni, o desafio do Brasil não é criar valor simbólico, mas transformar ilhas em estrutura que abranja também outros setores, em diferentes épocas. “O Carnaval mostra que há demanda nacional e internacional, aceitação de preços globais e operadores capazes de entregar excelência. O próximo passo é conectar essas ilhas em um sistema mais consistente, que sustente o luxo brasileiro ao longo de todo o ano”, afirma.
Para a estrategista, o Carnaval atua como um catalisador desse movimento. Ao concentrar visibilidade internacional, pressão operacional e validação de valor em poucos dias, o evento acelera um processo que já está em curso. As ilhas de experiência funcionam como o embrião dessa transformação, enquanto a consolidação de um sistema integrado de luxo, capaz de conectar hospitalidade, cultura e serviço ao longo de todo o ano, desponta como o próximo estágio para o amadurecimento do Brasil no cenário global.
Artigos relacionados

Novidades