Presentes na rotina de milhões de paulistanos, os relógios de rua sempre foram mais do que painéis para marcar o tempo, a temperatura e a qualidade do ar: eles fazem parte da memória afetiva e da paisagem urbana da cidade. Hoje, são cerca de mil equipamentos espalhados pela capital, todos operados pela JCDecaux. Às vésperas do aniversário de 472 anos de São Paulo, a empresa começou a instalar um novo modelo de relógio, com design inédito, projetado por um dos maiores nomes da arquitetura brasileira: Ruy Ohtake.
Ao longo de janeiro e fevereiro, 20 relógios começam a operar com o modelo de poste exclusivo em dois eixos importantes da cidade: a Avenida Nove de Julho e o entorno do Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros. Inspiradas pelas curvas femininas – descritas pelo artista como “a lordose da Gisele Bündchen” – as estruturas combinam arte, sustentabilidade e prestação de serviço.
Os relógios da Nove de Julho representam uma evolução do conceito de green furniture, que a JCDecaux desenvolve na França desde a década de 1990. Os postes serão cobertos por vegetação nativa, compondo o primeiro Corredor Verde de São Paulo, ao longo da avenida por onde também circulam ônibus elétricos.
Conhecido por seu estilo marcante, que combina influências japonesas e brasileiras, Ruy Ohtake deixou mais de 300 obras, entre elas o Hotel Unique e o Instituto Tomie Ohtake. Os relógios de rua foram desenhados em 2012, no contexto da licitação que concedeu à JCDecaux o direito de explorar a publicidade nesse tipo de mobiliário urbano de São Paulo.
“É um privilégio enorme levar para o espaço público um projeto inédito do Ruy Ohtake”, afirma Ana Célia Biondi, diretora-geral da JCDecaux. “Várias vezes, ele nos perguntou quando veria as peças instaladas. Ele pensou esse mobiliário para dialogar com a natureza e com a paisagem urbana de São Paulo. A curva, a folha no topo do poste e a própria presença do verde traduzem uma visão mais humanizada e sustentável da cidade.”
Os cerca de mil relógios em operação hoje em São Paulo foram desenhados por outro expoente da arquitetura brasileira: o paulista Carlos Bratke, responsável pela transformação da Av. Luís Carlos Berrini, na Zona Sul.
“São arquitetos muito diferentes, com processos de criação muito distintos. O relógio do Carlos Bratke foi criado para não interferir na paisagem. Se você olha os nossos relógios à noite, você basicamente vê a tela flutuando. Já o Ruy Ohtake idealizou um mobiliário que humanizasse a cidade. Ele entendia que São Paulo precisa de mais verde, de mais flor. Em 2012, a comissão acabou escolhendo o projeto do Bratke, mas como o Ohtake fez a descrição do projeto dele em poesia, eles entenderam que a cidade em algum momento também deveria receber alguns exemplares desse outro modelo, que a gente está instalando agora”, explica Ana Célia.
